Engenheiro da OpenAI é preso pelo FBI por escuta oculta nos EUA

FBI - Ceri Breeze/ istockphoto.com

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na terça-feira (13) a prisão e o indiciamento de Abdulrahman Alfozan, engenheiro da OpenAI de 35 anos, acusado de instalar um dispositivo oculto de gravação de áudio na sede da empresa em San Francisco, na Califórnia. Cidadão da Arábia Saudita e residente legal permanente no país desde setembro de 2020, o funcionário foi detido na sexta-feira (9) pelo FBI, a polícia federal norte-americana, e pode pegar até 5 anos de prisão federal caso seja condenado.

A investigação aponta que o gravador clandestino foi colocado em um espaço restrito à alta cúpula da companhia para interceptar conversas orais. “Abdulrahman Alfozan teria escondido um dispositivo de gravação clandestino na sala de reuniões da diretoria de seu empregador para captar secretamente comunicações sensíveis sobre a tecnologia de superinteligência da empresa”, afirmou Kash Patel, diretor do FBI. A OpenAI demitiu o engenheiro, que trabalhava no local desde julho de 2025, e informou que “até o momento, não há indícios de que esse indivíduo tenha acessado indevidamente ou extraído pesos de modelos, código-fonte ou dados de clientes”.

Como a OpenAI descobriu a escuta de Abdulrahman Alfozan em San Francisco

Foto: OpenAI – ioda / Shutterstock.com

Funcionários da OpenAI localizaram o primeiro equipamento de escuta em 30 de setembro de 2026, conectado a uma porta USB na parte traseira de uma televisão dentro de uma sala de reuniões executiva em San Francisco. O aparelho, do tamanho de um polegar, contava com microfone, capacidade de conexão a uma câmera e armazenamento criptografado, tendo sido ocultado em papel higiênico no momento da instalação. A sala alvo da interceptação era reservada para lideranças da empresa discutirem pesquisas proprietárias de inteligência artificial, planos de produtos, desenvolvimento de negócios e encontros com autoridades governamentais.

Para identificar a autoria da invasão, a companhia recorreu às suas próprias ferramentas tecnológicas antes de acionar as autoridades policiais. “Usamos nossos modelos para entender o dispositivo e de onde ele tinha vindo, identificando que um funcionário específico o havia plantado alguns dias antes. Encaminhamos o assunto ao FBI e somos gratos aos agentes e promotores que agiram rapidamente para efetuar a prisão”, declarou um porta-voz da OpenAI, em tradução livre. A empresa afirmou ainda possuir provas de que o engenheiro planejava instalar outros aparelhos de escuta pelo escritório.

De acordo com a denúncia criminal registrada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, o planejamento começou semanas antes da execução. Alfozan utilizou uma ferramenta de produtividade baseada em inteligência artificial por cerca de um mês, até 16 de setembro de 2026, para pesquisar endereços de prédios da OpenAI, capacidades de salas, calendários e locais de reuniões de executivos e parceiros externos. Além disso, uma conta de chatbot associada ao cônjuge do engenheiro foi acionada para enviar comandos sobre construção, personalização, instalação e testes de equipamentos de áudio, incluindo consultas específicas sobre o cabeçalho personalizado e o endereço MAC exclusivo (identificador físico único de rede) do aparelho.

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Datas da investigação e penalidades previstas no caso OpenAI

O rastreamento interno avançou quando câmeras de segurança registraram Alfozan entrando na sala executiva e olhando atrás da televisão onde o primeiro aparelho havia sido colocado. No mesmo dia, a equipe de segurança da OpenAI achou uma bolsa deixada sem supervisão pelo engenheiro em outra sala da empresa, contendo sua carteira, documento de identificação e um segundo dispositivo de gravação personalizado semelhante ao primeiro, totalizando 2 dispositivos apreendidos. Os prazos do processo judicial e os limites legais da acusação no tribunal federal incluem:

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  • 24 a 30 de setembro de 2026: período de consultas no chatbot sobre montagem e testes do gravador, com buscas sobre o endereço MAC entre os dias 27 e 28 de setembro;
  • 28 de setembro de 2026: data aproximada da instalação do primeiro aparelho atrás da televisão;
  • 5 de outubro de 2026: dia em que Alfozan foi filmado verificando a TV e teve a bolsa com o segundo gravador encontrada;
  • 8 de outubro de 2026: apresentação da denúncia criminal no tribunal federal na Califórnia;
  • US$ 250 mil: valor máximo da multa prevista na legislação norte-americana em caso de condenação;
  • 3 anos: tempo máximo de liberdade supervisionada determinado pela lei após o cumprimento de eventual pena de prisão.

Reação do governo dos EUA e demissões anteriores na segurança da OpenAI

A prisão em San Francisco provocou manifestações de integrantes da cúpula de segurança e justiça do governo norte-americano sobre a proteção industrial no setor. Jay Clayton, Diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos (DNI, cargo que supervisiona as agências de inteligência do país), avaliou o episódio em comunicado oficial. “Esta grave situação reforça por que vencer a corrida global pela superinteligência é uma prerrogativa de segurança nacional — e por que a liderança do presidente Trump na criação da Força de Superinteligência é tão importante”, disse Clayton, em tradução livre. Já Craig H. Missakian, Procurador dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia (chefe do Ministério Público Federal na região), declarou, em tradução livre, que “a região da Baía de San Francisco e o Vale do Silício lideram o mundo no desenvolvimento da tecnologia do amanhã, e nosso escritório continuará na linha de frente da proteção dessa inovação americana”.

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O flagrante de espionagem física é o segundo incidente interno envolvendo segurança da informação na OpenAI divulgado em outubro de 2026. Na primeira semana do mês, a companhia demitiu três ex-pesquisadores de segurança de inteligência artificial — Jasmine Wang, Tomek Korbak e Mikita Balesni — sob a alegação de violação de políticas no tratamento de informações sensíveis. Na quinta-feira (8), mesmo dia em que a denúncia contra Alfozan foi protocolada na Justiça, os três profissionais desligados publicaram uma carta aberta negando má conduta e alertando que as demissões repentinas poderiam intimidar funcionários e enfraquecer a cultura de relatar preocupações de segurança. Na sexta-feira (9), a OpenAI rebateu as críticas, afirmando que houve quebra de confiança e que a instituição não demite trabalhadores por levantarem questões de segurança.

Apesar do avanço do inquérito policial, as motivações exatas de Abdulrahman Alfozan ou para quem ele pretendia repassar as gravações não foram detalhadas na denúncia criminal divulgada pelo Departamento de Justiça, e a embaixada da Arábia Saudita nos Estados Unidos não respondeu aos pedidos de comentário. Segundo o perfil de Alfozan no LinkedIn — cujas informações não foram verificadas de forma independente —, ele concluiu mestrado em ciência de dados pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 2025, estudou no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e trabalhou na Meta e na Microsoft. O engenheiro compareceu pela primeira vez à corte na terça-feira (13), permanece sob custódia federal e tem audiência de detenção agendada para segunda-feira (19) perante o juiz magistrado federal Alex G. Tse.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.