Ex-presidente do Sinpol-SC é preso pelo ICE nos Estados Unidos

4 min de leitura
Anderson Vieira Amorim, - Reprodução/Sinpol Foto: Anderson Vieira Amorim, - Reprodução/Sinpol

O policial civil aposentado Anderson de Amorim, de 51 anos, ex-presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina (Sinpol-SC), foi preso em Orlando, no estado norte-americano da Flórida, na terça-feira (13). A captura ocorreu após o trânsito em julgado — etapa em que não cabem mais recursos judiciais — de uma condenação a dois anos e quatro meses de reclusão por disparos de arma de fogo efetuados no trânsito.

A detenção foi executada por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, agência federal norte-americana responsável pelo controle de fronteiras e imigração) em ação conjunta com a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC). O delegado-geral da corporação catarinense, Marcelo Sampaio, comentou o trabalho integrado que levou à captura do ex-dirigente sindical no exterior. “A partir do momento que cometeu o crime, o tratamento tem que ser igual. O que a gente destaca aqui é a articulação entre a Polícia Civil e o ICE. Esse mandado de prisão foi expedido há poucos dias, em curto espaço de tempo a gente conseguiu localizar o indivíduo nos Estados Unidos, fazer essa articulação com a agência norte-americana e realizar a prisão”, declarou Sampaio.

Investigação em Itajaí localizou Anderson de Amorim nos Estados Unidos

O rastreamento que permitiu encontrar o policial aposentado fora do país foi conduzido pela equipe da Delegacia de Combate às Drogas (Decod), unidade vinculada ao Departamento de Investigação Criminal (DIC) do município de Itajaí. Os investigadores catarinenses identificaram que o condenado havia deixado o território brasileiro e repassaram os dados de inteligência e localização para as autoridades norte-americanas, que realizaram as diligências de campo na Flórida poucos dias após a expedição da ordem judicial no Brasil.

Acompanhe: Atriz brasileira Renata Mietto segue detida pelo ICE nos EUA

A ordem de captura cumprida em 13 de outubro de 2026 teve como motivação a regressão do regime prisional determinada pela Justiça brasileira na ação penal que apurou o episódio ocorrido no ano de 2018. Na ocasião do crime, segundo informou o delegado-geral Marcelo Sampaio, o policial civil aposentado sacou uma arma de fogo e efetuou disparos em via pública durante uma discussão de trânsito, conduta que resultou na sentença inicial de dois anos e quatro meses de reclusão em regime semiaberto.

Carreira de Anderson de Amorim e a posição oficial do Sinpol-SC

Também identificado em registros como Anderson Vieira Amorim, o ex-policial é graduado em Segurança Pública e especialista na área de Inteligência Criminal. Casado com Simoni e pai de duas filhas, ele teve atuação na representação de classe da categoria no estado e esteve à frente da presidência do Sinpol-SC durante a gestão compreendida entre os anos de 2013 e 2017.

Leia também: Frete de petróleo dos Estados Unidos para a China bate recorde histórico

Diante da repercussão do caso, a atual diretoria do sindicato divulgou um comunicado oficial na manhã desta quarta-feira (14), às 8h01, assinado pelo presidente em exercício da entidade, Elmar Schmitt Osório. No documento, a instituição detalhou os motivos processuais do mandado judicial e afastou qualquer vínculo institucional ou funcional com o ex-dirigente detido nos Estados Unidos.

“Conforme informações apuradas, a detenção decorre do cumprimento de um mandado expedido pela Justiça Brasileira em razão da regressão de regime prisional, no âmbito de um processo por disparo de arma de fogo em via pública”, informou Osório no texto. Na sequência da mesma nota, o dirigente acrescentou: “Por fim, a entidade informa que o referido policial não é filiado ao sindicato e que os fatos que motivaram sua condenação não guardam qualquer relação com o exercício do cargo ou de funções públicas exercidas”.

Situação de Anderson de Amorim no centro de detenção dos EUA

Logo após ser detido pelos agentes federais em Orlando, o brasileiro foi transferido para um centro de detenção federal norte-americano. Ele permanece custodiado na unidade à disposição das autoridades dos dois países para a conclusão dos trâmites migratórios e dos procedimentos de cooperação jurídica internacional.

Ainda não há confirmação oficial sobre a data prevista para a extradição ou deportação do policial aposentado para o Brasil. A defesa de Anderson de Amorim também não havia se manifestado sobre a prisão até a publicação desta reportagem.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas