Formação de Durupınar na Turquia passa por escavações sobre a Arca de Noé

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Pedra Arca de Noé - EvaL Miko - shutterstock.com Foto: Pedra Arca de Noé - EvaL Miko - shutterstock.com

Uma equipe liderada pelo professor do Departamento de Arqueologia da Universidade Cumhuriyet de Sivas, Cenker Atila, realiza em 2026 escavações e análises de radar na formação de Durupınar, na Turquia, associada por grupos religiosos à Arca de Noé. O trabalho ocorre no distrito de Doğubayazıt, na província de Ağrı, mas o consenso entre geólogos e estudiosos da religião demonstra que a estrutura em formato de barco é uma formação rochosa totalmente natural.

O projeto conta com o apoio institucional do reitor da universidade turca, Ahmet Şengönül, e atua em parceria com a organização cristã norte-americana Noah’s Ark Scans, fundada por Andrew Jones, vice-presidente da iniciativa que promove o local como o ponto de repouso da embarcação bíblica desde pelo menos 2021. Em análise publicada nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026, o professor associado de Estudos Religiosos no Ferrum College, Eric Vanden Eykel, examinou as premissas da expedição e reiterou as conclusões científicas acumuladas nas últimas décadas sobre a origem geológica do terreno.

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Perfurações na formação de Durupınar e envio do drone Gopher

Os trabalhos práticos de extração no terreno começaram após o anúncio oficial feito em 23 de setembro de 2026 pela equipe conjunta da Universidade Cumhuriyet de Sivas e da Noah’s Ark Scans. Os pesquisadores iniciaram a coleta de amostras de núcleo por meio de perfurações e enviaram um drone subterrâneo chamado Gopher pelas aberturas escavadas para inspecionar cavidades que haviam sido mapeadas previamente por aparelhos de radar.

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Durante a operação de setembro de 2026, o equipamento de escavação enfrentou resistência física no subsolo e uma das brocas se rompeu ao atingir uma camada compacta. “O que quer que a broca de perfuração tenha atingido era mais duro do que calcário — duro o suficiente para quebrar a ponta”, afirmou Andrew Jones, em tradução livre. O grupo cogitou a possibilidade de o material resistente ser madeira petrificada ou rocha, enquanto postagens em redes sociais passaram a alegar que as varreduras teriam confirmado uma estrutura de origem humana e 100% não geológica.

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Os dados físicos e operacionais da estrutura investigada no leste da Turquia envolvem medidas específicas monitoradas pelos cientistas e pelos entusiastas do projeto:

  • Comprimento estimado pelos levantamentos geológicos e enciclopédicos: cerca de 164 metros (538 pés), enquanto a equipe do projeto Noah’s Ark Scans cita 157 metros (515 pés), medida comparada pelo grupo aos 300 côvados egípcios reais descritos no livro do Gênesis.
  • Composição e distância geográfica: material sedimentar rico em óxidos de ferro (limonita), situado a poucos quilômetros da fronteira com o Irã e a cerca de 29 quilômetros ao sul do Monte Ararat.
  • Profundidade máxima planejada na perfuração de setembro de 2026: até 18 metros para a retirada de amostras de solo e rocha.
  • Faixa de interrupção da broca: entre 4 e 5 metros de profundidade no subsolo.

Por que geólogos descartam a existência da Arca de Noé em Durupınar?

A associação da topografia de Durupınar ao relato bíblico perdura há quase 70 anos, impulsionada pela proximidade com o Monte Ararat, pico apontado desde a Idade Média como o local de pouso da embarcação após o dilúvio. No entanto, investigações conduzidas por geólogos ao longo de diferentes décadas refutaram a hipótese de um navio soterrado. Em 1996, o ex-oficial da Marinha Mercante dos Estados Unidos e pesquisador amador David Fasold, que havia defendido a tese da arca em um livro na década anterior, uniu-se ao geólogo norte-americano Lorence Collins para publicar um estudo científico revisando e anulando suas conclusões antigas.

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No documento técnico, Fasold e Collins demonstraram que “a suposta Arca perto de [Doğubayazıt] é uma formação rochosa totalmente natural. Não pode ter sido a Arca de Noé, nem mesmo um modelo construído pelo homem”. A avaliação laboratorial provou que o material antes apontado por entusiastas como madeira petrificada tratava-se de rocha comum, os supostos suportes metálicos de ferro eram material vulcânico intemperizado (desgastado pela ação do clima e do tempo) e as grandes pedras nas redondezas, interpretadas como âncoras da embarcação, eram compostas de rocha vulcânica local. As divisões internas lidas em radares como compartimentos navais correspondiam a fraturas naturais da própria estrutura geológica.

O histórico de investigações em Durupınar registra quatro marcos documentais desde a primeira identificação visual do terreno:

  • 1959: O capitão do Exército turco İlhan Durupınar identifica o formato semelhante a um barco ao analisar fotografias aéreas da região militar.
  • 5 de setembro de 1960: Relato sobre a primeira expedição presencial, patrocinada pela Fundação de Pesquisa Arqueológica dos Estados Unidos e liderada pelo evangelista televisivo George Vandeman e pelo especialista em mapeamento aéreo Arthur Brandenberger, conclui não haver nenhum indício de origem humana no local.
  • Final da década de 1970 a 1988: O enfermeiro anestesista e arqueólogo amador norte-americano Ron Wyatt retoma as buscas no sítio alegando detectar paredes e conveses por radar, convencendo inicialmente David Fasold a publicar o livro “The Ark of Noah” em 1988.
  • 2007: O geólogo turco Murat Avcı publica um estudo revisado por pares detalhando que a formação tem relação com o fluxo de terra de Telçeker, consistindo em um grande bloco de calcário que desceu a encosta em um deslizamento e foi moldado ao redor por processos geológicos naturais.

O relato do Gênesis e a tradição da antiga Mesopotâmia

Além das evidências geológicas que descartam a presença de uma estrutura naval em Doğubayazıt, a pesquisa acadêmica sobre textos religiosos analisa a narrativa de Noé dentro do contexto literário do antigo Oriente Próximo. Na avaliação publicada originalmente em inglês em 7 de outubro de 2026, Eric Vanden Eykel explica que os estudiosos da Bíblia interpretam o relato do Gênesis como parte de uma tradição mitológica mais antiga da Mesopotâmia, na qual divindades enviam uma inundação catastrófica, mas alertam um único homem para construir um barco e salvar sua família e animais de todas as espécies.

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Os textos mesopotâmicos anteriores incluem o Épico de Atrahasis, registrado em manuscritos que datam do segundo milênio antes de Cristo, no qual os deuses decidem afogar a humanidade porque o barulho excessivo das pessoas se tornou um incômodo, cabendo ao sobrevivente Atrahasis construir a embarcação. Outra versão do mesmo enredo integra a Epopeia de Gilgamesh, em que o personagem Utnapishtim recebe o aviso e ergue um grande barco para resistir à tempestade. Segundo Vanden Eykel, o livro do Gênesis reformula essas narrativas antigas ao apresentar a violência e a corrupção moral como a causa da destruição e ao encerrar o episódio com uma aliança divina para que a família de Noé se multiplique, em vez de impor limites à reprodução humana como ocorria no texto de Atrahasis.

Para o pesquisador do Ferrum College, a busca incessante por provas físicas na rocha turca desvia o foco do significado histórico e cultural dos manuscritos antigos. “As antigas histórias sobre o dilúvio e como elas se transformaram ao longo das diferentes culturas podem revelar como as pessoas interpretavam as catástrofes, a violência humana e a possibilidade de recomeçar. Uma forma de barco no leste da Turquia provavelmente não consegue fazer isso”, declarou Vanden Eykel.

Testes laboratoriais em andamento na Turquia

Apesar das afirmações categóricas divulgadas em redes sociais sobre a descoberta da embarcação, os comunicados oficiais da Universidade Cumhuriyet de Sivas informam que todos os dados colhidos em Durupınar são preliminares e inconclusivos. As alegações de que camadas de solo escuro com maior teor de carbono ou a barreira rígida que quebrou a broca entre quatro e cinco metros seriam madeira decomposta ou petrificada permanecem como hipóteses não confirmadas. As amostras de solo e rocha retiradas em setembro de 2026 passam por testes laboratoriais independentes, e o cronograma oficial da universidade prevê que a avaliação técnica das evidências se estenderá até 2027.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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