A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de 26 anos, retornou ao Brasil após concluir o cumprimento de sua pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia. A informação foi confirmada em 14 de outubro de 2026 pela advogada responsável pelo caso, Kaelly Cavoli Moreira, mas a data exata do desembarque da jovem no país não foi divulgada nem pela defesa nem pelo governo federal.
Natural de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, a jovem agora busca recomeçar a vida ao lado dos familiares depois de perder a mãe e o avô durante o período em que permaneceu detida no exterior. “Ela respondeu ao processo de forma adequada na Tailândia. Fizemos tudo o que podíamos para apoiar a Mary Hellen durante o período e fornecemos todo o suporte possível. Enfrentamos muitas dificuldades geradas pela própria embaixada brasileira, que dificultou o acesso e falhou na prestação de suporte”, declarou a advogada Kaelly Cavoli Moreira.
Divergência entre a defesa de Mary Hellen e o Itamaraty
A equipe jurídica relatou que enfrentou obstáculos no relacionamento com a Embaixada do Brasil em Bangkok, além das barreiras de idioma, fuso horário e diferenças entre os sistemas judiciais. De acordo com a defesa, as chamadas de vídeo intermediadas pelo órgão diplomático foram interrompidas no início de 2026, situação que chegou a motivar a busca da família por recursos financeiros para contratar um advogado local na Tailândia.
“Desde o início do ano, a Embaixada tem se recusado a prestar até mesmo os serviços mais simples de assistência consular. Essa postura tem inviabilizado o contato direto e o repasse de informações essenciais tanto para a defesa quanto para os familiares, configurando um verdadeiro cenário de abandono do cidadão brasileiro detido em jurisdição estrangeira”, afirmou a defensora em nota divulgada na época dos questionamentos.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) apresenta outra versão e informou que acompanhou o processo desde 2022 por meio da representação diplomática em Bangkok, realizando visitas periódicas, contato com autoridades prisionais e oferta de auxílio material mediante solicitação da detenta ou de parentes. A pasta acrescentou que a atuação segue a Convenção de Viena sobre Relações Consulares e o Regulamento Consular Brasileiro, mas ressaltou que não fornece detalhes sobre o atendimento nem divulga dados pessoais de cidadãos em cumprimento à Lei de Acesso à Informação e ao Decreto nº 7.724/2012.
Prisão em Bangkok e reduções na pena de 9 anos e 6 meses
A detenção de Mary Hellen Coelho Silva ocorreu no aeroporto de Bangkok, quando autoridades locais encontraram 9 quilos de cocaína ocultos em fundos falsos de três malas que estavam com ela e outro brasileiro, seguidos pela apreensão de mais 6 quilos da substância com um terceiro suspeito brasileiro horas mais tarde. Segundo o advogado Telêmaco Marrace, que atuava na defesa na ocasião do julgamento, a mineira admitiu ter agido como “mula” do tráfico (pessoa que transporta drogas para terceiros) e declarou-se culpada à Justiça tailandesa, estratégia que evitou punições mais severas previstas na legislação do país asiático, como prisão perpétua ou pena de morte.
A condenação inicial de 9 anos e 6 meses de reclusão — dividida em 7 anos e 6 meses por crime penal e 2 anos por crime civil — foi reduzida ao longo dos anos devido ao bom comportamento carcerário e à concessão do Perdão Real pelo rei Maha Vajiralongkorn. O benefício monárquico perdoou a multa civil de 750 mil bahts (equivalente a cerca de R$ 105 mil na cotação da época), valor que, caso não fosse quitado, acrescentaria dois anos ao tempo total de prisão da brasileira.
Datas do processo de Mary Hellen na Tailândia
- Fevereiro de 2022: prisão em flagrante no aeroporto de Bangkok com cocaína.
- 8 de maio de 2022: condenação pela Justiça tailandesa a 9 anos e 6 meses de prisão (sentença divulgada no Brasil em 11 de maio).
- Abril de 2024: confirmação do Perdão Real que isentou o pagamento da multa de 750 mil bahts.
- Novembro de 2025: registro do último contato por vídeo antes da interrupção relatada pelos advogados.
- Dezembro de 2025: protocolo de pedido de revisão e redução de pena na Justiça local.
- 1 de abril de 2026: defesa torna pública a reclamação sobre a falta de comunicação consular desde o começo do ano.
- 14 de outubro de 2026: confirmação oficial de que a jovem cumpriu a pena e já está em território brasileiro.
