Os sistemas de inteligência artificial Muse Wonder e Muse Wonder Full foram lançados pela Meta na segunda-feira (12) em Menlo Park, na Califórnia, Estados Unidos, para competir diretamente com os modelos mais avançados da OpenAI e da Anthropic. Pela primeira vez, a empresa classifica suas ferramentas como modelos de fronteira (frontier models, categoria que reúne os sistemas de maior capacidade computacional do setor) e adota o formato proprietário, encerrando a distribuição gratuita de pesos abertos para download público que caracterizava a antiga linha Llama.
Desenvolvidos pelo Meta Superintelligence Labs (MSL), divisão comandada pelo diretor de Inteligência Artificial (Chief AI Officer) da companhia, Alexandr Wang, os novos sistemas têm foco em agentes pessoais, tarefas profissionais e engenharia de software. “Esses são verdadeiros modelos de fronteira. Nós realmente achamos que eles são competitivos com os melhores modelos do mercado e, particularmente, estão no estado da arte no trabalho agêntico pessoal e profissional”, afirmou Wang, em tradução livre. O presidente-executivo (CEO) da Meta, Mark Zuckerberg, também comentou o avanço tecnológico da empresa, afirmando que, uma vez alcançado o patamar de fronteira, tudo o que a companhia fizer daqui para frente servirá para expandir esse limite.
Desempenho do Muse Wonder Full supera GPT-6 Astra e Gemini 4 Argon
No ranking independente Artificial Analysis Intelligence Index, que avalia a capacidade técnica de sistemas de inteligência artificial em testes de raciocínio, escrita e programação, o Muse Wonder Full registrou 56 pontos. Com esse resultado, a versão mais potente da Meta empatou com o Claude Sonnet 5.5, da Anthropic, e ficou atrás apenas do líder Claude Opus 5.5, que soma 58 pontos na mesma escala.
A pontuação colocou a nova ferramenta da Meta à frente do GPT-6 Astra, da OpenAI, do Gemini 4 Argon, do Google, e do Claude Fable 5.1, da Anthropic todos empatados com 53 pontos. Já a versão padrão Muse Wonder alcançou 52 pontos no índice, superando o modelo anterior da própria divisão de IA da Meta, o Muse Spark, que havia registrado 48 pontos.
Segundo o comunicado oficial da companhia, assinado no documento técnico por Josh Walters, o objetivo do lançamento é “oferecer desempenho de ponta em tarefas agênticas pessoais e profissionais”. Para diferenciá-los de ferramentas focadas apenas em código, a empresa treinou ambos os modelos no data center Prometheus, localizado no estado de Ohio, nos Estados Unidos, com recursos específicos para execução contínua de atividades do cotidiano, como verificar disponibilidade e fazer reservas em restaurantes.
De acordo com Alexandr Wang, enquanto o restante do ecossistema tem se concentrado em agentes de programação, a Meta adotou um foco diferenciado para fazer o uso de agentes pessoais se destacar.
Preços, planos de assinatura e ficha técnica da linha Muse Wonder
A Meta condicionou o uso dos novos modelos a diferentes faixas de cobrança para consumidores e desenvolvedores, com o objetivo de ampliar suas fontes de receita além da publicidade digital. Confira os valores oficiais, limites e especificações técnicas das duas versões anunciadas:
Veja também: Queda de 20% nas remessas de smartphones leva mercado ao nível de 2012
- Janela de contexto do Muse Wonder: capacidade para processar até 1 milhão de tokens por solicitação, com suporte simultâneo a texto, imagem, vídeo, áudio e arquivos em PDF.
- Active Memory (Memória Ativa): recurso integrado que armazena o contexto relevante sobre o usuário ao longo de dias, semanas e meses entre diferentes conversas.
- Active Focus (Foco Ativo): treinamento específico que faz o agente persistir diante de falhas ou imprevistos e testar abordagens alternativas antes de interromper a tarefa para pedir ajuda humana.
- Meta Model API (acesso ao Muse Wonder padrão para desenvolvedores): custo fixado em US$ 4 por milhão de tokens de entrada (com desconto para US$ 0,20 por milhão de tokens para entrada em cache) e US$ 20 por milhão de tokens de saída.
- Aplicativo pessoal Muse (acesso ao Muse Wonder padrão): exige assinatura mensal de US$ 20 ou US$ 100, embora o aplicativo mantenha uma versão gratuita sem o novo modelo.
- Ferramenta de programação Muse Code (acesso restrito ao Muse Wonder Full): disponível exclusivamente nos planos Power Usage, por US$ 50 mensais, e Maximum Usage, por US$ 200 mensais.
Diferentemente da versão padrão, o Muse Wonder Full projetado para fluxos críticos de engenharia de software e agentes de longa duração não possui acesso liberado por meio da Meta Model API.
Reação na bolsa de valores e investimentos de US$ 89 bilhões da Meta
O anúncio teve impacto imediato no mercado financeiro. Na segunda-feira (12), dia da apresentação oficial, as ações da Meta subiram cerca de 3,4% e fecharam o pregão cotadas a US$ 742,96. Na terça-feira (13), os papéis ampliaram o movimento de alta e acumularam valorização de aproximadamente 6% no período de dois dias.
A criação da família Muse Wonder desenvolvida sob o codinome interno Watermelon começou após a contratação de Alexandr Wang, fundador da empresa Scale AI, em junho de 2025. Na época, a Meta estruturou o laboratório MSL em resposta às críticas sobre o desempenho do modelo aberto Llama 4, lançado em abril de 2025. O cronograma do projeto Watermelon sofreu um atraso em julho de 2026, quando a companhia suspendeu temporariamente uma etapa de pré-treinamento, adiando a estreia comercial para outubro.
Confira também: Inteligência artificial favorece manutenção de regras climáticas
Para sustentar a infraestrutura computacional exigida por sistemas desse porte, as despesas de capital (Capex, sigla em inglês para investimentos em bens de capital e instalações) da Meta atingiram US$ 30,12 bilhões apenas no segundo trimestre de 2026, um crescimento de 82% na comparação anual. Nos últimos quatro trimestres, o montante investido pela empresa somou cerca de US$ 89 bilhões.
Medidas de cibersegurança e liberação no aplicativo Muse
Em paralelo à expansão comercial, a empresa informou que a versão paga do Muse Wonder reúne suas salvaguardas mais rigorosas até o momento contra usos indevidos ligados à segurança cibernética. A equipe liderada por Wang também monitora relatos publicados em redes sociais por usuários do aplicativo Muse, lançado em setembro de 2026, que alegaram que o agente pessoal teria acessado mensagens privadas sem permissão.
A Meta contestou a ocorrência de acessos não autorizados e iniciou ações para orientar o público sobre as permissões concedidas dentro do aplicativo. Segundo Wang, usuários podem ter liberado o acesso a determinadas comunicações em interações anteriores e esquecido da autorização posteriormente.
Enquanto o acesso via Meta Model API e pela plataforma Muse Code já foi liberado imediatamente para desenvolvedores, a Meta ainda não confirmou a data exata em que o modelo Muse Wonder estará disponível para todos os usuários do aplicativo pessoal Muse, informando apenas que a distribuição ocorrerá em breve, a começar pelos assinantes pagos.
