Cerca de 1.000 postos de trabalho foram eliminados pela Netflix nesta quarta-feira (14), em um corte global que atinge aproximadamente 6% da força de trabalho da companhia sediada em Los Gatos, na Califórnia, Estados Unidos. A decisão foi comunicada aos funcionários por meio de um e-mail interno assinado pelos co-CEOs da empresa, Ted Sarandos e Greg Peters.
As demissões concentram-se nas equipes de produto, tecnologia, departamento jurídico e recursos humanos (RH). No memorando enviado à equipe, os dois executivos afirmaram que a empresa mantém a projeção financeira para o acumulado de 2026 e seguirá direcionando recursos para projetos prioritários. “Nossa missão, entreter o mundo, é ambiciosa, e cumpri-la exige que sejamos disciplinados ao definir onde priorizamos nosso pessoal e nossos recursos”, declararam Sarandos e Peters no documento.
Números e projeções financeiras da Netflix para 2026
No texto encaminhado aos colaboradores, os co-CEOs reforçaram a posição comercial da plataforma de streaming. “Nosso negócio está forte e crescendo, e permanecemos no caminho para entregar nossa previsão para o ano inteiro. Continuaremos a investir agressivamente em áreas de alto impacto para melhorar nosso serviço e impulsionar ainda mais o crescimento e a inovação. Fazer isso significa tomar decisões focadas em todo o negócio para que possamos continuar entregando resultados para nossos assinantes, parceiros, funcionários e investidores”, escreveram os executivos, em tradução livre. Um porta-voz da companhia informou que a empresa não fará comentários adicionais além do memorando.
Os dados operacionais e o cronograma da empresa para o período reúnem os seguintes indicadores:
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- Sede da companhia: Los Gatos, Califórnia (Estados Unidos).
- Quadro de pessoal no fim de 2025: cerca de 16.000 funcionários em tempo integral.
- Base de clientes no início de 2026: 325 milhões de assinantes pagos.
- Receita no segundo trimestre de 2026: US$ 12,56 bilhões, alta de 13% na comparação anual.
- Projeção de receita para o ano de 2026: entre US$ 51 bilhões e US$ 51,4 bilhões, crescimento anual de 13% a 14%.
- Meta de margem operacional para 2026: 31,5%, acima dos 29,5% registrados em 2025.
- Receita e lucro de 2025: faturamento total de US$ 45,2 bilhões (alta de 16%) e lucro líquido de US$ 11 bilhões (crescimento de 26%).
- Divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2026: 20 de outubro de 2026, após o fechamento do mercado.
Por que a Netflix decidiu cortar vagas mesmo com receita em alta?
O desligamento coletivo ocorre seis dias antes da apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre e em um momento de desaceleração no crescimento do engajamento dos usuários, somado à concorrência de plataformas de vídeo como YouTube e TikTok. No primeiro semestre de 2026, a plataforma somou 97 bilhões de horas globais de visualização, número que representa um avanço de 2%. Em julho de 2026, levantamento da consultoria de medição de mídia Nielsen mostrou que a Netflix respondeu por 7,8% da audiência de televisão nos Estados Unidos, atrás do YouTube, que alcançou 14,2%.
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Durante o evento Bloomberg Screentime, realizado em setembro de 2026, o próprio co-CEO Ted Sarandos comentou o ritmo de expansão da empresa: “No geral, não estamos crescendo tão rápido quanto eu gostaria, e estamos trabalhando para fazer isso avançar mais rápido”, disse, em tradução livre. Apesar da desaceleração no tempo de tela, dados da consultoria de mercado Antenna indicam que a taxa de cancelamento mensal de assinaturas da plataforma nos Estados Unidos segue ligeiramente acima de 2% e abaixo de 3%, o menor índice entre os serviços de streaming do país. Para ampliar a retenção de público e atrair anunciantes, a empresa passou a investir em transmissões esportivas ao vivo, podcasts em vídeo, programas de criadores oriundos do YouTube e licenciamento de títulos de concorrentes como a Disney.
Histórico de cortes desde 2022 e disputas da Netflix no mercado em 2026
Antes da redução anunciada em 14 de outubro de 2026, a Netflix já havia realizado cortes menores no início de 2026, que atingiram dezenas de profissionais da equipe global de produtos. A última grande rodada de demissões na companhia havia ocorrido em 2022, quando cerca de 450 funcionários foram desligados em duas etapas, logo após a empresa registrar perda líquida de 200 mil assinantes no primeiro trimestre daquele ano — a primeira queda de base em mais de uma década. Também em 2026, a empresa tentou comprar a companhia de mídia Warner Bros. Discovery, mas desistiu da operação em fevereiro; o grupo acabou adquirido pela união entre as empresas Paramount e Skydance, que concluiu o negócio por US$ 81 bilhões em outubro de 2026.
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No mercado financeiro, as ações da Netflix acumulam queda superior a 40% nos últimos 12 meses. Na terça-feira (13), véspera do anúncio dos desligamentos, o analista Craig Huber, da empresa de análise financeira Huber Research, rebaixou duplamente a recomendação dos papéis da companhia de compra para venda e reduziu o preço-alvo de US$ 85 para US$ 70. Ainda não há confirmação independente sobre a cotação exata de US$ 69,45 por ação e a baixa intradiária de 1,4% registradas ao longo do pregão desta quarta-feira (14). O próximo passo oficial da empresa no mercado será a publicação do balanço do terceiro trimestre na terça-feira, 20 de outubro de 2026, após o encerramento das negociações em bolsa.
