A Sony Interactive Entertainment iniciou uma ofensiva jurídica e técnica para conter a onda de desbloqueios e aplicativos piratas no PlayStation 5 (PS5) nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026. O movimento ocorre após a publicação da ferramenta de desbloqueio Relapse, que abriu caminho para emuladores e para o aplicativo não oficial Overdrive, responsável por distribuir mais de 1.600 jogos gratuitos de PS4 e PS5 antes de sair do ar.
O repositório original do Overdrive, que imitava a loja oficial do console e incluía títulos como Battlefield 6 e Forza Horizon 5, foi removido após relatos do usuário Oliver Darko sobre uma notificação extrajudicial enviada por advogados da fabricante. Horas depois da queda, dois repositórios clones reviveram o projeto na internet, somando-se a outras lojas alternativas em fase de testes, como a Orbit Store, criada pelo desenvolvedor saawant12 com links de hospedagem de terceiros.
Como funciona o desbloqueio Relapse e o emulador PS5SX2 no PS5?
A base para os novos aplicativos é o exploit (código que explora uma falha de segurança) Relapse, publicado em 29 de setembro de 2026 pelo desenvolvedor Nathan Fargo. O programa combina uma vulnerabilidade no navegador integrado WebKit com uma condição de corrida — erro de sincronia no processamento de dados — no núcleo do sistema para obter acesso de leitura e gravação à memória do console. Antes do Relapse, o desbloqueio público do videogame alcançava apenas a versão 12.70 do sistema.
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Sony acaba de perder el control de la PlayStation. En una PS5: juegos de Switch, PS2 y PSP. RDR2 a 60 FPS. Toda tu biblioteca de PC en la tele del salón. Emuladores y ports que a la comunidad le costaban años ahora salen en semanas. Muchos, hechos con Claude. Sony ya no decide a qué juegas en tu consola. https://t.co/doLmb9NYMz
— CopyRebeldia (@CopyRebeldia) October 14, 2026
Com o console aberto, o desenvolvedor e modificador Sword lançou o PS5SX2, uma adaptação do emulador de PlayStation 2 PCSX2 que preenche a ausência de retrocompatibilidade nativa com o PS2, removida pela Sony no lançamento do PlayStation 4 em 2013. A ferramenta aplica resolução 4K (aumento de seis vezes sobre a imagem original) com taxas de 60 a 120 quadros por segundo (FPS) e, desde o sábado (10), lê discos físicos originais de PS2 no leitor do PS5, copiando os arquivos para o armazenamento interno. No domingo (11), Sword apresentou testes do RPS5S3, projeto separado capaz de iniciar discos de PS3, como Gran Turismo 5, no aparelho atual. “Primeiro discos de PS2. Agora discos de PS3. O PS5 está lentamente se tornando o PlayStation que deveria ter sido. A Sony nos deu cinco gerações de PlayStation, estamos tentando encaixar todas em uma”, declarou Sword, em tradução livre.
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Versões de sistema e limites do desbloqueio do PS5
- Consoles compatíveis com o Relapse: PS5 padrão e PS5 Pro nas versões de sistema (firmware) de 7.00 a 13.60.
- Atualizações de bloqueio da Sony: versão 14.00 (lançada em 16 de setembro de 2026) e versão 14.10 (lançada em 1 de outubro de 2026), ambas sem opção oficial de retorno para sistemas anteriores.
- Projetos cruzados em consoles modificados: aplicativo PSBox Cloud Gaming (do programador brasileiro RafaelNGP, que roda o serviço em nuvem da Microsoft no PS5 com controle DualSense) e emulador modificado KytyPS5 (que executa o jogo exclusivo Astro Bot de PS5 em um Xbox Series X a 10 FPS).
O papel do modelo Claude Opus 5.5 e as restrições legais aos consoles
A rapidez no surgimento dessas ferramentas e na adaptação de códigos em outubro de 2026 é associada ao uso de inteligência artificial generativa, em especial o modelo Claude Opus 5.5, da empresa Anthropic, que acelerou a descompilação e a engenharia reversa de jogos. Na quinta-feira (8), dezenas de jogos clássicos de gerações até o PS3 e Xbox 360 — entre eles GTA: Vice City, Halo: Combat Evolved, Call of Duty: Black Ops, Skate 3 e The Simpsons: Hit and Run — passaram a rodar diretamente em abas de navegadores de internet após terem o código reconstruído com auxílio da ferramenta.
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Não há confirmação oficial da Sony nem dos programadores sobre o envio da notificação extrajudicial contra o aplicativo Overdrive, nem auditoria independente que comprove o uso de inteligência artificial na programação direta do desbloqueio Relapse. Nos Estados Unidos, contornar travas de segurança de videogames viola a lei de direitos autorais Digital Millennium Copyright Act (DMCA), que concede isenções trienais para celulares e televisores, mas exclui consoles, base legal também acionada pela publicadora Activision na mesma semana para derrubar versões de Call of Duty geradas por inteligência artificial.
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