Queda de 20% nas remessas de smartphones leva mercado ao nível de 2012

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Galaxy S26 FE - Divulgação/Samsung Foto: Galaxy S26 FE - Divulgação/Samsung

As remessas globais de smartphones recuaram 20% no terceiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo intervalo de 2025, segundo estimativas preliminares divulgadas pela consultoria Counterpoint Research na segunda-feira (12). O volume de aparelhos enviados para os canais de venda atingiu o menor patamar para o período em 14 anos, registrando o pior desempenho para um terceiro trimestre desde 2012.

O levantamento do serviço Market Monitor contabiliza o abastecimento de distribuidores e lojistas pelas fabricantes, métrica conhecida no setor como sell-in, e não as vendas diretas aos consumidores finais. A consultoria não divulgou no comunicado público o número absoluto total de unidades enviadas globalmente entre julho e setembro, informando apenas os percentuais de variação e de participação de mercado. De acordo com a analista sênior da Counterpoint Research, Shilpi Jain, o setor atravessa uma retração direta provocada pela falta de componentes. “O terceiro trimestre foi o segundo trimestre consecutivo a sofrer todo o impacto da crise de memórias. A extrema escassez de memória está empurrando o mercado de smartphones para uma fase mais seletiva, remodelando as estratégias das fabricantes e até mesmo o comportamento do consumidor”, afirmou a especialista, em tradução livre.

Por que o mercado global de smartphones encolheu 20% em 2026?

Galaxy S22
Foto: Galaxy S22 – Divulgção

A retração no envio de celulares foi provocada pela escassez e pelo encarecimento contínuo dos chips de memória DRAM, usada como memória RAM, e NAND, voltada ao armazenamento interno. A oferta global dessas peças foi absorvida pela construção de infraestruturas e data centers dedicados à inteligência artificial, o que reduziu a disponibilidade para a indústria de eletrônicos de consumo. Esse choque de suprimentos inflou as despesas da lista de materiais de fabricação e levou as marcas a repassarem os custos para o varejo, fazendo os preços médios dos aparelhos subirem cerca de 20% no mundo ao longo de 2026.

Diante dos valores mais elevados nas prateleiras, os compradores mudaram o padrão de consumo e passaram a adiar a troca de seus equipamentos. “Os consumidores estão mantendo seus dispositivos por mais tempo do que o estimado, considerando cada vez mais aparelhos recondicionados e priorizando modelos de maior valor, enquanto as fabricantes ajustam portfólios, preços e estratégias de mercado para proteger a rentabilidade”, declarou Shilpi Jain, em tradução livre. O recuo atual dá sequência à desaceleração já observada no segundo trimestre de 2026, de abril a junho, quando os envios globais também encolheram na comparação anual e marcaram o menor volume para o período desde 2013 devido ao início da crise de suprimentos e a tensões geopolíticas.

Desempenho de Samsung, Apple e marcas chinesas no 3º trimestre

Mesmo com um encolhimento de 3% no seu volume anual de envios, a Samsung manteve a liderança global no terceiro trimestre de 2026 e registrou o maior ganho de fatia entre as grandes empresas. O resultado da marca sul-coreana foi sustentado pela procura inicial pela linha de celulares dobráveis Galaxy Z8, liderada pelo modelo Galaxy Z Fold8, além do fornecimento estável de peças para a série intermediária Galaxy A em mercados emergentes.

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A Apple ficou na segunda posição e superou pela primeira vez a marca de 20% de participação em um terceiro trimestre, apesar de também ter registrado queda anual na quantidade de aparelhos despachados. A redução no volume da empresa norte-americana foi influenciada pela ausência de uma versão básica do iPhone 18 no lançamento, o que gerou um abastecimento menor nas lojas frente à linha completa do iPhone 17 no ano anterior, embora os modelos iPhone 18 Pro tenham tido forte saída na China e na Índia. Já as fabricantes chinesas sofreram as retrações mais intensas do trimestre, conforme detalhado nos dados de participação global:

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  • Samsung: 23% de participação de mercado global (queda anual de 3% no volume de remessas)
  • Apple: 22% de participação de mercado global (recorde da marca para o período, apesar de recuo nos envios)
  • Xiaomi: 10% de participação de mercado global (retração superior a 30% nas remessas)
  • OPPO: 9% de participação de mercado global (queda acima de 20% nos envios)
  • vivo: 8% de participação de mercado global (recuo superior a 20% nas remessas)

Impacto nos preços de smartphones e queda de 11% no Brasil

No Brasil, um levantamento específico divulgado pela Counterpoint Research em 17 de setembro de 2026 apontou que as remessas de smartphones caíram 11% no primeiro semestre de 2026 em relação aos seis primeiros meses de 2025. A consultoria atribui a retração nacional ao encarecimento das memórias, à redução na produção local e à maior cautela dos compradores, alertando para o risco de uma queda percentual de dois dígitos no acumulado do ano. Durante o primeiro semestre, Samsung (42%) e Motorola (31%) concentraram juntas 73% dos aparelhos enviados ao varejo brasileiro, enquanto a Xiaomi permaneceu na terceira colocação nacional mesmo com recuo de 34% nas remessas, e a fatia combinada de marcas chinesas como Jovi (nome usado pela vivo no país), HONOR, OPPO e realme caiu de 26% para 20% em um ano.

O aumento nos custos de produção já se reflete nos preços cheios cobrados pelos celulares de entrada na loja oficial da Samsung no Brasil, sem considerar promoções ou descontos temporários:

  • Samsung Galaxy A07 4G (256 GB): subiu de R$ 1.099 no lançamento, em setembro de 2025, para R$ 2.299 em outubro de 2026 (alta de 109%)
  • Samsung Galaxy A07 4G (128 GB): passou de R$ 899 para R$ 1.299 no mesmo intervalo (alta de 44,5%)
  • Samsung Galaxy A17 4G (256 GB): foi reajustado de R$ 1.599 para R$ 2.399 (alta de 50%)
  • Samsung Galaxy A17 5G (256 GB): teve elevação de R$ 1.849 para R$ 2.699 (alta de 46%)

Para os últimos meses de 2026, a Counterpoint Research avalia que uma recuperação relevante no volume de remessas globais e nacionais permanece improvável antes que ocorra uma estabilização nos custos de fornecimento dos componentes de memória.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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