O ex-atacante italiano Antonio Cassano afirmou que o atacante português Cristiano Ronaldo é a “metade da metade” do ex-atacante brasileiro Ronaldo Fenômeno. A declaração publicada nesta quarta-feira (14) na capital espanhola, Madri, também trouxe críticas diretas ao atual treinador do Real Madrid, José Mourinho, antes do jogo contra a Roma pela segunda rodada da Champions League.
De acordo com o italiano de 44 anos, que dividiu o vestiário com Ronaldo Nazário no clube espanhol, o brasileiro ocupou um posto único na posição e só foi freado pelos problemas físicos. “Como centroavante não vi ninguém parecido com ele. Era absolutamente fabuloso e diferente. Se tivesse tido uma carreira sem lesões, teria alcançado um teto inimaginável. Esse era o autêntico Ronaldo, não Cristiano, que é a metade da metade de Ronie, o Fenômeno”, declarou Cassano, em tradução livre.
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Críticas de Cassano ao trabalho de José Mourinho no Real Madrid
A entrevista foi motivada pelo confronto entre Roma e Real Madrid, ex-equipes de Cassano, marcado para 14 de outubro de 2026 no Estádio Olímpico. Ao analisar o duelo da competição europeia, o italiano atacou o método de trabalho de José Mourinho e questionou a decisão do presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, de contratar o técnico português, além de atribuir o sucesso do comandante na obtenção de clubes de ponta à atuação de seu empresário, Jorge Mendes. “Mourinho não pode treinar mais. Teve muita sorte porque nenhuma de suas equipes jogou bem. Sua proposta de futebol caducou há dez anos. Sua carreira não deixou nenhum legado, só brigas com tudo”, afirmou o ex-jogador.
Cassano comparou o português com o treinador da Roma, Gian Piero Gasperini, para ilustrar a diferença que enxerga entre os dois trabalhos atuais. “A Roma tem um treinador fantástico (Gasperini) e o Real Madrid não, porque Mourinho não gosta de jogar futebol, só gosta de falar. É incrível que o Real Madrid, a equipe mais forte da história, tenha contratado Mourinho. Não entendo como é que Florentino Pérez apostou nele”, disse. Na sequência, acrescentou: “Um dos seus grandes méritos é ter Jorge Mendes como empresário, que lhe arranja sempre boas equipas”.
Para o ex-atacante, uma inversão nos bancos de reservas transformaria o resultado do confronto no Estádio Olímpico. “Se trocássemos os treinadores, o Real Madrid ganhava por 10 a 0″, declarou.
Comparação entre Rodrygo e Vinícius Júnior no elenco espanhol
Mesmo com as ressalvas ao comando técnico, Cassano indicou que o Real Madrid é favorito para vencer a Roma, mas defendeu que o time espanhol deveria se inspirar no estilo ofensivo do Barcelona treinado por Hansi Flick, em vez de depender de jogadas individuais de Kylian Mbappé, Jude Bellingham ou Vinícius Júnior. Ao avaliar os atacantes brasileiros do atual elenco madridista, o italiano colocou Rodrygo acima do compatriota e defendeu sua titularidade quando estiver em plenas condições físicas. “Vinícius é apenas um bom jogador. Acho que Rodrygo é muito melhor. Não sei por que as pessoas falam tanto mais de Vinícius do que de seu companheiro de equipe. Se Vinícius não está bem fisicamente, ele não tem muito mais a que recorrer, e não é particularmente clínico na frente do gol. Ele marca gols, mas não é uma estrela. Acho que Rodrygo, se estiver saudável, deveria ser titular à frente dele”, disse Cassano.
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Na mesma avaliação sobre os nomes históricos e atuais do esporte, o italiano classificou o argentino Lionel Messi como o maior jogador da história do futebol, situando-o acima de todos os atletas da própria geração e das seguintes.
Passagem de Antonio Cassano pelo Real Madrid e falta de disciplina
Transferido da Roma — clube que havia escolhido por admiração ao ídolo Francesco Totti —, Cassano chegou ao Real Madrid em janeiro de 2006, na temporada 2005/2006, e permaneceu até 2007, período em que conquistou um título do Campeonato Espanhol, antes de retornar à Itália para defender a Sampdoria. Cristiano Ronaldo só foi contratado pelo clube espanhol em 2009.
Ao recordar sua trajetória na Espanha, o italiano citou Ronaldo Fenômeno, Zinedine Zidane e Guti como os três melhores atletas com quem atuou na carreira. Ele assumiu a responsabilidade por não ter rendido o esperado na equipe, lembrando que usou um casaco inadequado já no dia de sua apresentação oficial e que não tratou da forma correta o treinador Fabio Capello, com quem trabalhou tanto na Roma quanto no Real Madrid.
“Sem dúvida. Devia ter ido para a prisão (risos). Porque o meu comportamento era uma porcaria. Gostava de comer e sair, e não de treinar. Estava dez quilos acima do peso. A culpa foi toda minha”, afirmou o ex-atacante.
Os números mencionados por Antonio Cassano para resumir sua passagem pela Espanha e sua leitura do confronto pela Champions League reúnem quatro marcas exatas:
- 80%: probabilidade de vitória atribuída por Cassano ao Real Madrid na partida contra a Roma pela segunda rodada da Champions League.
- 10 a 0: placar hipotético que o Real Madrid aplicaria na Roma caso os técnicos Gian Piero Gasperini e José Mourinho trocassem de comando.
- 10 quilos (22 libras): excesso de peso corporal atingido por Cassano durante sua passagem pelo Real Madrid por falta de disciplina nos treinos.
- 10 anos: período em que Cassano considera que a proposta tática de José Mourinho está ultrapassada e também o tempo que o ex-atacante acredita que teria permanecido no Real Madrid caso tivesse na época a mentalidade atual.
