Parentes do turista brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros cobram esclarecimentos das autoridades após ele ser encontrado morto em um quarto de hotel na Turquia na segunda-feira (12). O brasileiro estava retido em um centro de migração na cidade de Esmirna desde 8 de outubro de 2026 e tinha previsão de desembarcar deportado em São Paulo no mesmo dia em que a morte foi comunicada.
A mãe de Lucas aguardou a chegada do filho no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, até ser informada pela companhia aérea de que ele não havia embarcado. Pouco depois, uma ex-namorada do brasileiro recebeu um e-mail relatando a morte no hotel, informação confirmada pelo Consulado-Geral do Brasil em Istambul à Polícia Civil paulista. “Minha mãe passou o dia inteiro no aeroporto esperando meu irmão”, disse Marcos Medeiros, irmão da vítima.
Discussão religiosa e detenção de Lucas Nascimento de Medeiros em Esmirna
Natural de Natal (RN) e formado em Geologia e Mineração, Lucas Nascimento de Medeiros já havia recebido o título de Mister Litoral Sul no Rio Grande do Norte e morava em Portugal, onde atuava remotamente com programação e mantinha negócios nos setores de cafeteria, bar e venda de souvenirs. Durante uma viagem a passeio pela Turquia, ele se envolveu em uma discussão de cunho religioso, sofreu um corte no rosto e acabou detido ao procurar as autoridades locais para denunciar a agressão, passando pela delegacia do aeroporto de Istambul antes da transferência para Esmirna, na costa ocidental do país.
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No último contato com os familiares, na quinta-feira (8), ele compartilhou a localização pelo celular e avisou sobre a retenção. “Na quinta-feira, ele ligou e disse: ‘Estou detido no centro de migração na cidade de Esmirna e está marcada a minha deportação para o Brasil entre domingo e segunda’”, afirmou Marcos Medeiros. Na mesma data, a agência Aysatur, prestadora de serviços oficiais ao governo turco, emitiu o bilhete de retorno.
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Versões sobre a morte na Turquia e cobrança à Polícia Civil e ao Itamaraty
Autoridades turcas apontaram verbalmente uma overdose como causa do óbito, mas os parentes contestam a alegação e suspeitam que a morte tenha ocorrido sob custódia estatal. De acordo com Marcos Medeiros, a família recebeu quatro versões distintas sobre o paradeiro do brasileiro e ainda não teve acesso a laudo pericial, atestado consular ou documentação formal que explique como ele teria saído do centro migratório para um hotel. “Eu estou sem dormir há dois dias resolvendo isso. Só vou ter paz quando souber o que aconteceu de verdade com meu irmão”, declarou o também irmão Filipe Medeiros.
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Diante da falta de documentos técnicos sobre a causa da morte e a saída da custódia em Esmirna, os familiares buscaram órgãos brasileiros em São Paulo, mas relataram dificuldades no atendimento inicial. “Não estamos recebendo apoio nenhum, nem da Polícia Federal, nem do Itamaraty, que sabe muito pouco sobre o caso. A Polícia Civil foi o único órgão que se prontificou”, declarou Marcos Medeiros ao explicar o registro da ocorrência na capital paulista para tentar obter cooperação internacional nas apurações.
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- Polícia Federal em São Paulo: informou à família não poder atender ao caso por não se tratar de crime em território nacional e orientou a procura pela Polícia Civil.
- 7º Distrito Policial da Lapa (Polícia Civil de SP): registrou o boletim de ocorrência e apontou que a apuração cabe à Turquia, mas encaminhará o caso à instância competente para avaliar cooperação internacional.
- Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP): declarou que a competência do caso pertence à Polícia Federal e ao Consulado-Geral em Istambul.
- Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty): afirmou que acompanha o episódio desde a notificação turca, mas não tem prerrogativa para informar sobre medidas de autoridades estrangeiras.
Em nota oficial, a pasta diplomática detalhou a atuação no exterior: “O Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Istambul, tem conhecimento do caso e está em contato com a família, a quem tem sido prestada a assistência consular devida.” Enquanto aguarda respostas formais, uma irmã de Lucas que reside na Europa está em deslocamento para a Turquia a fim de fazer o reconhecimento do corpo, buscar dados oficiais e providenciar o traslado para o Brasil.
