Vôlei na água: torneio internacional disputado no rio Ljubljanica na Eslovênia viraliza com quadra de LED

Vôlei na Água tem luzes de led ao redor da quadra - divulgação/VOW

Vôlei na Água tem luzes de led ao redor da quadra - divulgação/VOW

Os vídeos da quarta edição do torneio internacional de vôlei na água Volleyball on Water (Odbojka na vodi, no idioma local) viralizaram nas redes sociais ao mostrarem partidas disputadas dentro do rio Ljubljanica, em Ljubljana, capital da Eslovênia. Realizado nos dias 10 e 11 de julho de 2026 na altura da praça Novi trg, no centro histórico da cidade, o campeonato utiliza uma quadra flutuante ancorada no meio do curso d’água, com a superfície submersa a cerca de 15 centímetros de profundidade e linhas demarcadas por luzes de LED.

A competição segue as regras oficiais do vôlei de praia, tem entrada gratuita nas arquibancadas montadas às margens do rio e reúne oito duplas masculinas e oito femininas. A jogadora polonesa de vôlei de praia Aleksandra Ola Wachowicz, terceira colocada na edição de 2026 ao lado da norte-americana Violeta Slabakova, descreveu a experiência de atuar sobre a plataforma. “É surreal jogar um esporte que você conhece tão bem em um lugar que não faz nenhum sentido: sobre a água, no meio de uma capital europeia, com as luzes acesas e centenas de pessoas acompanhando das margens do rio. Vi gente passar por ali que sorriu e ficou envolvida pela partida. Existe toda uma atmosfera de festival ao redor do torneio: música, comida, apresentações de dança e as margens do rio cheias de movimento do começo ao fim do dia. As pessoas ficam fascinadas porque parece que não deveria funcionar… mas funciona, e é bonito”, declarou Wachowicz.

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Adaptação à quadra submersa a 15 centímetros no rio Ljubljanica

A estrutura rígida instalada abaixo da lâmina d’água altera o tempo de reação e a mecânica de salto dos competidores acostumados à areia, exigindo equilíbrio redobrado durante as defesas e ataques no meio do rio Ljubljanica. Além disso, a organização mantém um assistente posicionado em um caiaque próximo à área de jogo, que atua como gandula para recolher as bolas que caem na correnteza durante a disputa dos pontos.

Wachowicz precisou de alguns pontos para se habituar ao piso submerso e comentou sobre o trabalho de recuperação das bolas. “É muito diferente! Surpreendentemente, seus movimentos ficam mais lentos e um pouco mais exigentes. Como era minha primeira vez, eu fiquei bastante cautelosa para correr sobre a plataforma e precisei de alguns pontos para me acostumar. Você não consegue simplesmente explodir a partir da plataforma como faz na areia. E ainda tem a própria água: você fica molhada, os mergulhos terminam com um respingo, e o responsável por recuperar as bolas de caiaque é, de verdade, o MVP que ninguém comenta. Não muda completamente a maneira de jogar, porque continua sendo vôlei, mas obriga você a simplificar, a manter o equilíbrio e a ser muito mais consciente dos movimentos dos pés”, afirmou a atleta polonesa.

O jogador tcheco de vôlei de praia Tomáš Semerád, que também terminou na terceira colocação no torneio masculino de 2026, detalhou a exigência física para quem atua na defesa. “Você precisa tomar cuidado com a forma como se joga para defender as bolas. Isso muda completamente a maneira como você joga. Para os defensores que atuam no fundo da quadra, é muito difícil se movimentar, especialmente para alcançar as bolas. É mais fácil saltar nesse ambiente, já que o piso é rígido, mas se movimentar é bem mais complicado”, disse Semerád.

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Para o atleta da República Tcheca, o formato visualmente distinto explica a recepção do público. “É um tipo de vôlei completamente diferente. As pessoas gostam de novidades, é por isso que ele faz tanto sucesso. Você vê quatro caras jogando vôlei na água, espirrando água para todos os lados e dando um verdadeiro show, às vezes até mergulhando na água! É algo que você definitivamente vai querer ver ao vivo”, completou o jogador.

Campeões e premiação do Volleyball on Water em 2026

No torneio feminino, o título ficou com as eslovenas Zoja Kalar e Živa Javornik, que superaram na decisão as compatriotas Neža Bedjanič e Lara Jelen, dupla classificada por meio da seletiva aberta. Já a final masculina sofreu interferência climática no sábado, 11 de julho de 2026: uma tempestade atingiu Ljubljana pouco antes da partida e arrastou detritos pelo rio Ljubljanica, forçando a interrupção do confronto ainda no primeiro set, quando o placar registrava empate em 14 a 14. Com a paralisação definitiva, o título masculino foi dividido entre as duas duplas finalistas.

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  • Campeãs femininas: Zoja Kalar e Živa Javornik (Eslovênia)
  • Vice-campeãs femininas: Neža Bedjanič e Lara Jelen (Eslovênia)
  • Terceiro lugar feminino: Aleksandra Ola Wachowicz (Polônia) e Violeta Slabakova (Estados Unidos)
  • Campeões masculinos (título dividido): Alexander Huber e Robin Seidl (Áustria) ao lado de Alan Košenina (Eslovênia) e Michael Trubač (Eslováquia)
  • Terceiro lugar masculino: Tomáš Semerád e Adam Miroslav Štoček (República Tcheca)
  • Jogadores mais valiosos (MVPs): Živa Javornik (feminino) e Alexander Huber (masculino)
  • Premiação total por gênero: € 2.500
  • Prêmio para a dupla campeã de cada gênero: € 1.500 (cerca de R$ 8.500)
  • Prêmio para a dupla vice-campeã de cada gênero: € 700 (cerca de R$ 4.000)
  • Prêmio para a dupla terceira colocada de cada gênero: € 300 (cerca de R$ 1.700)

Origem em 2019 e planos de expansão internacional

Organizado pela agência eslovena Extrem em parceria com a Federação de Voleibol da Eslovênia (Odbojkarska zveza Slovenije – OZS) e patrocinado pela empresa Big Bang, o evento ocorreu pela primeira vez em 2019 como ação promocional do Campeonato Europeu de Voleibol Masculino (EuroVolley) em Ljubljana. Após promover também o Mundial de Vôlei de 2022, a competição passou a ser disputada anualmente como um torneio internacional independente a partir de 2023. Em 2026, o campeonato entrou na lista de melhores eventos da Europa elaborada pela European Best Destinations, ao lado do Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 e dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina.

A edição de 2026 teve como tema os quatro elementos da natureza (terra, fogo, ar e água) e incluiu apresentações de dança com coreografia de Miha Krušič, música com DJs e área de gastronomia. O evento contou ainda com o campeão olímpico de vôlei de praia Christian Sørum como convidado especial e teve como embaixadores os jogadores eslovenos Rok Možič, da seleção de vôlei de quadra, e Alan Košenina, que além do papel institucional também competiu na água e dividiu o título masculino.

Das oito vagas por gênero na chave principal, três são destinadas a duplas convidadas via wild card (convite direto da organização) e cinco são preenchidas por inscrição e ranking interno. Em 2026, o torneio abriu pela primeira vez inscrições para jogadores amadores e do público geral, passo que antecede o projeto de levar a franquia para rios, lagos e oceanos fora da Eslovênia.

A gerente do projeto Volleyball on Water na empresa Extrem, Kristina Taja Grünfeld, afirmou que a repercussão prepara o terreno para a internacionalização da marca. “Este é um ótimo ponto de partida, já que estamos prestes a expandir para o exterior. É exatamente por isso que destacamos o nome em inglês do evento neste ano”, declarou Grünfeld, em tradução livre, enquanto a jogadora polonesa Aleksandra Ola Wachowicz já confirmou presença na edição de 2027.

Thiago Lemos: Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.
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