Alerta laranja do Inmet atinge São Paulo e mais 10 unidades com ventos de 100 km/h nesta quinta-feira

Chuvas - VisualCommunications/istockphoto.com

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão federal responsável pelo monitoramento climático, expandiu o alerta laranja de perigo para tempestades nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026. O aviso vigora da 0h às 23h59 e abrange São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Bahia e o Distrito Federal. Na capital paulista e em municípios vizinhos, a Defesa Civil emitiu alerta severo para chuva com raios e rajadas de vento, orientando os moradores a buscarem abrigo seguro após a cidade entrar em estado de atenção para alagamentos por volta das 15h de quarta-feira (14).

Segundo o Inmet, as áreas sob aviso laranja — que na quarta-feira (14) restringiam-se a seis estados do Centro-Sul — têm previsão de precipitação de até 60 milímetros por hora ou acumulado de 100 milímetros ao longo do dia. O órgão aponta risco de queda de granizo e ventos intensos que podem alcançar 100 km/h, com potencial para provocar cortes no fornecimento de energia elétrica, queda de árvores, alagamentos e danos em plantações.

Formação de ciclone extratropical e volumes previstos em São Paulo

O aumento das precipitações no estado de São Paulo entre quarta-feira (14) e sexta-feira (16) decorre de uma área de baixa pressão atmosférica que dará origem a um ciclone extratropical e a uma nova frente fria no oceano. Conforme análise da empresa de meteorologia Climatempo, esse sistema soma-se à passagem de cavados meteorológicos — áreas alongadas de baixa pressão — a 5 quilômetros de altitude e a um fluxo de ventos quentes e úmidos vindo da Amazônia, configuração que derruba as temperaturas após o pico da chuva.

O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura de São Paulo e a Climatempo acompanham a evolução das instabilidades e os índices pluviométricos na capital e em outras regiões:

  • Acumulado no mês: até a manhã de quarta-feira (14), a cidade de São Paulo somou 70,5 milímetros de chuva em outubro, de acordo com o banco de dados oficial do CGE.
  • Quinta-feira (15): dia previsto para o pico das chuvas volumosas na capital, na Região Metropolitana, no Vale do Ribeira, em Itapetininga, Itu, Jundiaí, no Vale do Paraíba e na divisa com Minas Gerais. Os acumulados foram estimados entre 40 milímetros e 60 milímetros na capital paulista (com termômetros de 17°C a 25°C), até 40 milímetros em Curitiba (PR) e até 30 milímetros em Campo Grande (MS).
  • Sexta-feira (16): continuidade do tempo instável e chuvoso sobre o solo encharcado, acompanhado de declínio acentuado nas temperaturas em todo o estado de São Paulo.

Vazão das Cataratas do Iguaçu e recordes de chuva no Paraná

No Paraná, um balanço divulgado na terça-feira (13) pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), elaborado a partir de 47 estações meteorológicas com mais de cinco anos de operação e acompanhado por técnicos como o meteorologista Leonardo Furlan, apontou que 16 municípios superaram a média histórica de chuva de todo o mês de outubro já nos primeiros 12 dias. Integram a lista Altônia, Assis Chateaubriand, Capanema, Cascavel, Curitiba (com 174,2 milímetros acumulados ante a média de 162 milímetros), Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Guaíra, Laranjeiras do Sul, Loanda, Palotina, Paranavaí, Ponta Grossa, Santa Helena, São Miguel do Iguaçu e Telêmaco Borba.

Em Foz do Iguaçu, o volume registrado entre 1º e 12 de outubro chegou a 372,4 milímetros, marca 42% superior à média mensal de 262,2 milímetros. Já em Loanda, no noroeste paranaense, choveu 285,2 milímetros no período, índice 64% acima da média histórica de 174,3 milímetros. Somente na segunda-feira (12), os pluviômetros marcaram 147,4 milímetros em Foz do Iguaçu, 127,4 milímetros em Cruzeiro do Iguaçu e 111,2 milímetros em Cascavel, enquanto as rajadas de vento atingiram 84,6 km/h em Campo Mourão, 76 km/h em Cianorte, 67,7 km/h em Umuarama e 66,6 km/h em Foz do Iguaçu.

Saiba mais: Alerta laranja do Inmet prevê tempestades em seis estados hoje

O volume excessivo nos rios da bacia do Rio Iguaçu alterou a operação do Parque Nacional do Iguaçu. Na terça-feira (13), quando a vazão atingiu 10 milhões de litros por segundo, equipes de manutenção da concessionária Urbia+Cataratas iniciaram a retirada preventiva das grades de proteção da passarela das Cataratas do Iguaçu, estrutura que estava interditada aos visitantes desde domingo (11). Na quarta-feira (14), o fluxo de água subiu para 15,5 milhões e alcançou 15,8 milhões de litros por segundo — mais de dez vezes acima da média normal de 1,5 milhão de litros por segundo. A remoção das grades para evitar danos estruturais não ocorria desde outubro de 2023. O parque mantém a Trilha das Cataratas aberta, mas fechou preventivamente o mirante inferior do Espaço Naipi, o Circuito São João, o Espaço Usina, o Caminho do Poço Preto e a Trilha da Canafístula.

Instabilidade avança pelo Centro-Oeste e pelo Norte em áreas de queimadas

As nuvens carregadas também se deslocam para o interior do território nacional e alcançam o Centro-Oeste, Minas Gerais, o sul do Pará e o Amazonas, regiões que enfrentam focos de incêndios florestais. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), a quarta-feira (14) teve céu encoberto, e o estado mantém risco de temporais no Sul de Minas, no Triângulo Mineiro e na Zona da Mata nesta quinta-feira (15). Em Brasília (DF), a temperatura máxima fica próxima de 30°C, com previsão de pancadas fortes à tarde.

Em Manaus (AM), a precipitação ocorrida na terça-feira (13) diminuiu a concentração de poluentes na atmosfera, mas a qualidade do ar continua em nível crítico por causa da fumaça das queimadas. Informações sobre o retorno das aulas nas redes estadual e municipal da capital amazonense e sobre o uso de aeronaves com capacidade superior a 10 mil litros de água para combater o fogo não haviam sido confirmadas por órgãos oficiais.

Enquanto o alerta do Inmet alcança faixas da Bahia nesta quinta-feira (15), outras áreas do interior do Nordeste permanecem sob predomínio de sol e tempo seco, após registrarem baixa umidade relativa do ar na quarta-feira (14). Em Recife (PE), o prognóstico indica sol ao longo do dia, com possibilidade apenas de chuva fraca e passageira.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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