O deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) assumirá uma cadeira no Senado Federal a partir de 2027, após ser eleito por Alagoas em 4 de outubro de 2026. Com dois mandatos consecutivos no comando da Câmara entre 2021 e o início de 2025, o parlamentar chega à nova Casa com a expectativa de aliados de que ocupe posição central nas articulações para a eleição da Mesa Diretora, prevista para fevereiro de 2027, após derrotar nas urnas o senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Apesar da projeção de influência nas negociações para definir a sucessão ou permanência do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Lira negou intenção de concorrer ao posto no próximo ano. Em entrevista concedida um dia após o primeiro turno das eleições, o senador eleito declarou que uma candidatura ao comando da Casa “não passa na minha cabeça”. Aliados do parlamentar avaliam que ele terá atuação direta nas conversas sobre a reorganização política do Senado, mas projetam que uma eventual disputa própria pela presidência pode ficar para 2029.
Votação de Arthur Lira em Alagoas encerra ciclo de 32 anos de Renan Calheiros
Nas eleições de 4 de outubro de 2026, Arthur Lira conquistou a primeira vaga ao Senado por Alagoas ao receber 948.703 votos, o que corresponde a 28,87% dos votos válidos no estado. A segunda cadeira alagoana ficou com a senadora eleita Marina JHC (PSDB-AL), que somou 926.860 votos. Adversário político histórico de Lira no estado e liderança nacional do MDB, Renan Calheiros terminou a disputa em terceiro lugar, com 731.045 votos (22,24% dos válidos), e não conseguiu renovar o seu mandato.
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O resultado nas urnas alagoanas encerra uma trajetória ininterrupta de 32 anos de Renan Calheiros no Senado Federal, período em que o emedebista exerceu quatro mandatos consecutivos, além de coincidir com a derrota eleitoral de outras lideranças nacionais no pleito de 2026, como Ciro Nogueira (PP-PI), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Esperidião Amin (PP-SC). Essa renovação altera o equilíbrio de forças entre as bancadas partidárias em Brasília e amplia o espaço de negociação para Arthur Lira, que durante sua gestão na Câmara dos Deputados conviveu com os governos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atuando na aprovação da Reforma Tributária e na eleição de seu sucessor, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que reuniu apoio do PT ao PL no início de 2025.
Disputa entre Davi Alcolumbre e Rogério Marinho pelo comando do Senado em 2027
A escolha da nova Mesa Diretora do Senado Federal envolve movimentações antecipadas de diferentes blocos partidários em busca da maioria absoluta de 41 votos, dentre os 81 senadores que compõem o colégio eleitoral da Casa, em votação por escrutínio secreto para um mandato de dois anos. O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que já havia comandado o Legislativo entre 2019 e 2021 e foi novamente eleito em 1º de fevereiro de 2025 com 73 votos para o biênio 2025-2027, articula apoios políticos para permanecer na presidência a partir de fevereiro de 2027, enquanto a oposição estrutura uma candidatura própria para impedir sua continuidade.
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Para viabilizar o apoio do PT à sua permanência, Alcolumbre retomou o diálogo com o presidente da República e candidato à reeleição no segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto de 2026, após meses de desgaste e da rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, no final de agosto, Alcolumbre e Hugo Motta reuniram-se com Lula no Palácio da Alvorada para definir prioridades legislativas antes das eleições, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e o fim da escala de trabalho 6×1.
Do outro lado, o Partido Liberal (PL), que conquistou 19 das 54 cadeiras em disputa no pleito de outubro e terá a maior bancada do Senado a partir de 2027, trabalha para lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição na Casa e coordenador da campanha presidencial do senador e candidato ao segundo turno Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda apoiará Marinho e descartou aval a uma recondução de Alcolumbre. A deputada federal e senadora eleita por Santa Catarina Carol De Toni (PL-SC) também manifestou oposição a um eventual apoio do partido à permanência do atual presidente.
Bancadas do Centrão e composição da Mesa Diretora do Senado em fevereiro de 2027
A bancada de 28 senadores do PL — número que pode crescer com a posse do suplente Alex Diniz (PL) na vaga de Cleitinho (Republicanos) — não atinge sozinha o quórum necessário para vencer a disputa pela Mesa Diretora, composta por um presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários titulares e quatro suplentes. Por isso, a definição do comando dependerá de acordos com legendas de centro e do Centrão (bloco informal de partidos sem alinhamento ideológico fixo), especialmente PP, União Brasil, MDB e Republicanos, em negociações que devem se intensificar após o segundo turno das eleições presidenciais.
Até esta quinta-feira (15), Arthur Lira ainda não anunciou formalmente qual candidato apoiará na eleição para a presidência do Senado Federal em fevereiro de 2027.
