Bitcoin atinge menor valor em três semanas e liquida US$ 1 bi

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bitcoin - Foto: Ahyan Stock Studios / Shutterstock.com

A cotação do Bitcoin (BTC) opera em queda nesta quinta-feira (15) e testa a região de US$ 80 mil no mercado global, o menor patamar registrado pelo ativo em mais de três semanas. Pressionada por indicadores de inflação e varejo acima do esperado nos Estados Unidos e pela venda de ações de tecnologia na Ásia, a criptomoeda chegou a tocar mínimas entre US$ 80.100 e US$ 80.154 na corretora Bitstamp, nível que não era visto desde 20 de setembro de 2026.

Por volta das 10h40 (horário de Brasília), o Bitcoin era negociado a cerca de US$ 80,3 mil, acumulando baixa de 2,4% em 24 horas, enquanto às 10h43 marcava US$ 80.574, um recuo de 2,8%. O movimento de aversão ao risco também derrubou o Ether (ETH), segunda maior criptomoeda do mercado, que caía mais de 4% no mesmo horário, cotado perto de US$ 2.340. “Inflação persistente e juros mais altos por mais tempo reduzem a liquidez e elevam o custo de capital, ambiente desfavorável para ativos de risco, incluindo criptoativos”, afirmaram os analistas do banco BTG Pactual em relatório.

Inflação nos Estados Unidos e vendas no varejo pressionam o Bitcoin

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O gatilho inicial para a correção ocorreu na quarta-feira (14), quando o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS, órgão oficial do governo norte-americano) divulgou o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente a setembro. O indicador subiu 0,6% no mês, em linha com o esperado e acima dos 0,4% de agosto, mas acumulou alta de 3,7% em 12 meses, superando a projeção de mercado de 3,6% e o registro anterior de 3,4%. O núcleo do CPI, medida que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, avançou 0,3% na base mensal e 2,6% no acumulado anual, batendo as expectativas de 0,2% e 2,5%, respectivamente, em um mês marcado pelo salto de 9,1% no valor da gasolina.

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Na manhã de 15 de outubro de 2026, uma nova bateria de estatísticas econômicas norte-americanas reforçou o temor de aperto monetário antes da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, órgão do banco central

dos EUA que define os juros) marcada para 28 de outubro. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) de setembro avançou 1,3% no mês, mais que o dobro da previsão de 0,6%, e atingiu 6,3% em 12 meses, ante expectativa de 5,3%. Além disso, as vendas no varejo cresceram 0,8% em setembro, movimentando um total de US$ 745,0 bilhões e superando a projeção de 0,3%.

Diante da resiliência do consumo e do avanço dos preços na maior economia do mundo, a gestora QCP Capital destacou em nota ao mercado a incerteza sobre os próximos passos do Federal Reserve. “O dado acima do esperado força novas altas de juros ou o estresse de crédito leva a uma recalibragem da política monetária?”, informou a instituição no documento.

Queda de 7,5% na Coreia do Sul e resultados da Anthropic afetam tecnologia

A pressão vinda dos indicadores macroeconômicos somou-se a um desmonte de posições ligadas à inteligência artificial e tecnologia no mercado asiático. O índice Kospi, principal referência da Bolsa da Coreia do Sul, encerrou o pregão desta quinta-feira (15) em queda de 7,5%, aos 5.554 pontos, atingindo o menor nível desde abril e acumulando perda de 15,5% na semana. A liquidação severa acionou o mecanismo de interrupção de negociações (circuit breaker) por 20 minutos, paralisação que não ocorria no país desde julho de 2026, segundo dados da consultoria Vault Capital.

O recuo sul-coreano foi puxado pelas fabricantes de semicondutores SK Hynix, cujas ações caíram 11%, e Samsung Electronics, que recuou 9,5%. No cenário global, o setor tecnológico também reagiu à informação de que a empresa de inteligência artificial Anthropic PBC divulgou a potenciais investidores uma receita de US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026, cifra que indicou desaceleração no ritmo de expansão da companhia e levou os índices futuros da bolsa americana Nasdaq a operarem em queda superior a 1% pela manhã.

Qual é o impacto das liquidações e dos ETFs no preço do Bitcoin?

A desvalorização no mercado à vista provocou o fechamento obrigatório de posições alavancadas no setor de criptoativos e reduziu o fluxo institucional nos fundos de investimento. De acordo com a plataforma de monitoramento CoinGlass, a exchange Bitfinex, a consultoria Glassnode e a provedora de dados SoSoValue, o balanço de curto prazo do mercado apresenta os seguintes números:

  • Liquidações forçadas em 24 horas: volume próximo a US$ 1 bilhão no mercado de criptomoedas, sendo cerca de 90% em posições compradas (apostas na alta dos preços).
  • Fluxo em ETFs de Bitcoin à vista nos EUA: retirada líquida de US$ 261,5 milhões na quarta-feira (14), dia da divulgação do CPI americano.
  • Suporte imediato de ordens: a faixa de US$ 80 mil concentra o maior bloco de ordens de compra abertas na corretora Binance.
  • Próximo nível técnico no radar: US$ 77,4 mil, patamar correspondente à média verdadeira de mercado (True Market Mean, indicador que calcula o custo médio de aquisição on-chain), caso o ativo se mantenha abaixo de US$ 81.300.

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O rompimento da barreira de US$ 81.300 confirmou a projeção traçada pelos analistas da corretora Bitfinex antes mesmo da publicação dos índices de inflação nos Estados Unidos. “Um CPI bem acima das expectativas colocaria em risco os US$ 81.300 antes que os fluxos tivessem tempo de se recuperar”, declarou a empresa em relatório técnico.

Baleias e empresas como Strategy e Strive ampliam reservas de Bitcoin

Na contramão das vendas de curto prazo, grandes detentores e tesourarias de empresas de capital aberto aproveitaram a semana para expandir suas carteiras. Relatório publicado na terça-feira (13) pela empresa de análise CryptoQuant, fundada por Ki Young Ju, aponta que as reservas das chamadas baleias (investidores com saldo de pelo menos 1.000 BTC, excluindo endereços de corretoras e pools de mineração) alcançaram 3,03 milhões de BTC em outubro de 2026, o maior volume acumulado por esse grupo desde 21 de novembro de 2025.

Entre as companhias listadas em bolsa, a Strive, liderada pelo diretor-executivo (CEO) Matt Cole, adquiriu um total de 6.133 BTC na semana por cerca de US$ 515 milhões, a um preço médio de US$ 83.266 por unidade. A operação foi dividida em uma compra de 3.311 BTC entre 5 e 9 de outubro por cerca de US$ 280 milhões e outra de 2.822 BTC entre 12 e 13 de outubro por US$ 235 milhões, financiadas em parte por US$ 369 milhões captados com o exercício de bônus de subscrição (warrants, títulos que dão direito à compra de ações). Com o aporte, a empresa chegou a 35.595 BTC e assumiu o posto de quarta maior detentora corporativa de capital aberto do mundo, superando a mineradora MARA Holdings (35.577 BTC) por 18 moedas e ficando atrás apenas de Strategy (848.250 BTC), Metaplanet (44.000 BTC) e Twenty One Capital (cerca de 43.500 BTC).

Já a Strategy, companhia presidida por Michael Saylor, anunciou na segunda-feira (12) a aquisição de 250 BTC por US$ 21,5 milhões, comprados a um preço médio de US$ 86.194 por moeda entre os dias 5 e 11 de outubro. O lote representou a menor compra semanal positiva da empresa ao longo de 2026, realizada em um período no qual a tesouraria priorizou o desembolso de US$ 192,4 milhões para recomprar 1.932.145 ações preferenciais perpétuas da série STRC. Os investidores acompanham agora a abertura dos mercados até a decisão de juros do FOMC do Federal Reserve, agendada para quarta-feira, 28 de outubro de 2026.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.