Elon Musk relata episódios de psicose por IA em evento nos EUA

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Elon Musk Foto: Elon Musk - Foto: Frederic Legrand - COMEO / Shutterstock.com

O CEO da Tesla e da SpaceX e proprietário do X, Elon Musk, afirmou ter sofrido episódios do que chamou de psicose de inteligência artificial (IA) durante uma entrevista por vídeo no evento X Takeover, realizado na fábrica Giga Texas, perto de Austin, nos Estados Unidos. Na participação ocorrida no sábado (10), o executivo declarou que experimentou essa sensação cerca de seis vezes ao longo dos 12 meses anteriores ao interagir com sistemas inteligentes avançados.

“Estou com um pouco de psicose cibernética. Talvez muita, na verdade”, disse Musk, em tradução livre, ao comentar sobre os recursos disponíveis nas ferramentas tecnológicas atuais. O empresário também utilizou a variação psicose de SI (sigla em inglês para Super Intelligence, ou superinteligência) para descrever os momentos em que se deparou com capacidades inesperadas dos programas de computador.

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Espanto de Elon Musk com o senso estético de músicas e vídeos gerados por IA

Os episódios descritos pelo proprietário do X não têm relação com um diagnóstico médico, mas sim com o espanto diante da evolução técnica dos algoritmos. Musk relatou que os momentos de surpresa aconteceram quando ele percebeu que as ferramentas de inteligência artificial conseguiram demonstrar bom gosto, compreender conceitos de harmonia e avaliar aspectos estéticos, especificamente durante a criação e análise de músicas e videoclipes gerados por computador. Para o empresário, a capacidade de um chatbot ou sistema automatizado de realizar julgamentos sobre beleza reproduz um tipo de análise que antes era associada apenas à percepção humana.

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“Você pensa: ‘Nossa, a IA consegue ter bom gosto? Que loucura’”, afirmou o executivo durante a conversa por vídeo. Ao empregar a sigla SI para se referir à tecnologia, Musk fez menção direta a uma ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que determinou a troca da nomenclatura oficial nos órgãos do governo americano.

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Dados da participação de Elon Musk no X Takeover e referências citadas

  • Data da entrevista: 10 de outubro de 2026, durante o evento X Takeover.
  • Local da transmissão: fábrica Giga Texas, nas proximidades de Austin, no estado do Texas (Estados Unidos).
  • Frequência relatada: cerca de meia dúzia de vezes (seis episódios) nos 12 meses anteriores a outubro de 2026.
  • Origem do termo SI: ordem executiva assinada por Donald Trump em 29 de setembro de 2026, que alterou o termo oficial de inteligência artificial para superinteligência nas agências federais americanas.

Diferença entre o uso clínico da psicose por IA e a gíria do Vale do Silício

A expressão psicose por IA (AI psychosis, no original em inglês) não consta nos manuais como um termo clínico oficial da medicina. Na área de saúde mental, psiquiatras e especialistas utilizam essa denominação para descrever quadros em que o uso repetido e excessivo de chatbots de inteligência artificial aprofunda delírios, reforça crenças distorcidas ou agrava vulnerabilidades psicológicas preexistentes nos usuários. No entanto, no ambiente corporativo do Vale do Silício, na Califórnia, a mesma expressão ganhou um segundo significado: passou a ser usada de maneira pejorativa para rotular pessoas que demonstram um entusiasmo considerado exagerado com o avanço dos sistemas computacionais, até ser adotada de forma irônica pelos próprios executivos do setor como uma espécie de medalha de honra.

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O investidor de capital de risco (profissional que aplica recursos financeiros em empresas emergentes) Marc Andreessen chegou a criar a sigla AIPAAS, que significa Psicose por IA como Serviço (AI Psychosis As A Service, em tradução livre), além de batizar o estado oposto de AI cope (expressão em inglês para descrever um mecanismo de negação ou conformismo diante da tecnologia). Em março de 2026, o CEO da aceleradora de startups Y Combinator, Garry Tan, também entrou na brincadeira ao declarar que sofre do mesmo quadro. “Eu tenho psicose cibernética, mas acho que um terço dos CEOs que conheço também têm”, disse Tan, em tradução livre.

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Outro executivo a abordar o tema foi o diretor de tecnologia (CTO) da empresa de softwares Palantir, Shyam Sankar, que utilizou a expressão psicose em massa (ou psicose coletiva) para retratar o comportamento de profissionais da região. Sankar citou como exemplo o caso de pesquisadores de inteligência artificial que decidiram começar a fumar por acreditarem que a própria tecnologia descobrirá a cura para o câncer em um curto espaço de tempo.

Antecedentes de Elon Musk e executivos sobre a psicose de IA desde 2025

A declaração no Texas não foi a primeira vez que o bilionário tratou do assunto publicamente. Em abril de 2026, Elon Musk já havia concordado no X com uma publicação feita por Marc Andreessen que dividia a relação humana com os robôs de conversação em três estágios: Euforia de IA, Psicose de IA e Psicose da Psicose de IA. Na ocasião, o dono da plataforma respondeu apenas “Sim” ao texto do investidor.

Antes disso, em dezembro de 2025, a cantora Claire Boucher, conhecida artisticamente como Grimes e ex-parceira de Musk, comentou sobre a expressão em suas redes sociais. Ela afirmou, em tradução livre, que “a questão sobre a psicose de IA é que é mais divertido tê-la do que não ter psicose de IA”. O termo seguiu circulando nos eventos da indústria e, em maio de 2026, participantes de uma festa do setor de tecnologia chegaram a gritar em coro a frase “Um, dois, três — PSICOSE DE IA!”, consolidando a expressão como uma piada interna entre os desenvolvedores.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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