Lula cita queda de 9% no comércio com EUA e promete 138 presídios

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou nesta quinta-feira (15) que os Estados Unidos dependem mais dos produtos brasileiros do que o Brasil precisa dos itens norte-americanos. Durante entrevista conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo afirmou que o país pode adotar medidas de reciprocidade contra o governo de Donald Trump caso as negociações sobre as tarifas comerciais não avancem.

“Então, quem deve estar preocupado conosco neste momento são os Estados Unidos”, afirmou o presidente na sabatina do segundo turno das Eleições 2026. Na mesma conversa, Lula defendeu uma parceria com o governo norte-americano para combater o tráfico de drogas e rejeitou a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas.

Negociações de Lula com Donald Trump sobre o tarifaço

Apesar do impasse comercial, o candidato petista classificou como civilizada a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula relatou que o diálogo começou sob tensão, mas que os dois já realizaram três reuniões, incluindo uma conversa por telefone com quatro horas e meia de duração. “Eu disse ao Trump que era importante que 2 homens de 80 anos, sabe, tivessem juízo e se entendessem, porque não era possível a gente ficar passando desavença entre as duas maiores democracias do Ocidente”, declarou.

Continue lendo: Eleições 2026: Datafolha mostra Flávio com 47% e Lula com 45% no 2º turno

No histórico recente entre os dois governantes, Lula e Trump já haviam se reunido a portas fechadas por mais de três horas na Casa Branca, em Washington, em 7 de maio de 2026, e conversado novamente por telefone no fim de agosto sobre a relação bilateral e o pleito brasileiro de outubro. Segundo o presidente brasileiro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro citado nas tratativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, seguiam negociando com representantes norte-americanos ao longo da semana da entrevista para tentar um acordo sobre o tarifaço.

“Não adotei a linha da reciprocidade imediata porque quero continuar negociando. Mas, se for necessário, faremos isso”, disse Lula ao tratar do andamento das conversas bilaterais.

Saiba mais: Nidal Malik Hasan terá execução por fuzilamento sem transmissão ao vivo por ordem do presidente Donald Trump

Queda de 9% com os Estados Unidos e avanço na China

Para sustentar que os Estados Unidos têm maior dependência na balança comercial, Lula apontou que a retração nas trocas com os norte-americanos foi compensada pela abertura de outros mercados e pelo recorde de superávit comercial (saldo positivo entre exportações e importações) registrado pelo Brasil. “Nós temos produtos de que eles precisam mais do que as coisas que nós precisamos deles”, declarou o presidente, apresentando os percentuais de variação no comércio exterior brasileiro:

  • Estados Unidos: queda de 9% na relação comercial com o Brasil;
  • China: crescimento de 20% nas trocas comerciais;
  • Alemanha: alta de 16% no comércio bilateral;
  • Indonésia: expansão de 15% nas vendas e compras;
  • Vietnã: aumento de 13% no fluxo comercial;
  • Outros 50 países visitados pelo governo federal: crescimento médio de 0,5% nas relações comerciais.

Proposta aos EUA contra o PCC e 138 presídios no Brasil

Na área de segurança pública, Lula criticou a possibilidade de o governo dos Estados Unidos classificar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O presidente argumentou que a motivação dessas organizações é financeira e diferenciou a atuação dos grupos de atos de terrorismo de Estado, embora tenha reconhecido o impacto sobre a população. “Temos consciência de que, aqui no Brasil, esses grupos são terroristas para as comunidades, para as famílias e para as cidades, mas não se trata de terrorismo de Estado, como os EUA querem classificar”, afirmou, acrescentando que o Brasil entregou aos norte-americanos uma proposta por escrito de cooperação contra o crime organizado e o tráfico de drogas, baseada na experiência da Polícia Federal.

No âmbito interno, o candidato destacou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada pelo Executivo para fixar o orçamento e as atribuições da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal no enfrentamento às facções. O presidente prometeu ainda que a União vai financiar a construção de 138 presídios de segurança máxima no país para isolar lideranças criminosas e impedir que comandem crimes de dentro das cadeias ou controlem serviços nas comunidades, como a venda de gás e o pagamento de benefícios sociais. “Queremos asfixiar o crime organizado e libertar os territórios”, disse Lula, que volta aos estúdios da emissora na sexta-feira (23) para o último debate presidencial do segundo turno contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
Notícias Relacionadas