Mercado de smartphones cai 22% no 3º trimestre de 2026

Bancada de Smartphones

Bancada de Smartphones - Foto: Framesira / Shutterstock.com

As remessas globais de smartphones recuaram 22,0% no terceiro trimestre de 2026 na comparação anual, segundo dados preliminares da consultoria IDC (International Data Corporation) repercutidos nesta quinta-feira (15). O volume total enviado pelas fabricantes caiu para 255,3 milhões de unidades, o que representa a maior retração percentual trimestral da história do setor.

No mesmo período de 2025, a indústria havia registrado o envio de 327,3 milhões de aparelhos, uma diferença que retirou 72 milhões de dispositivos do comércio mundial. A diretora sênior de pesquisa para Dispositivos Globais da IDC, Nabila Popal, afirmou em comunicado que o fundo do poço ainda não foi atingido. “A forte desaceleração para a qual a indústria vinha se preparando finalmente se materializou no terceiro trimestre deste ano, com as remessas caindo um recorde de 22% ano a ano. No entanto, o pior ainda está por vir”, disse a executiva, em tradução livre.

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Apple reduz vantagem da Samsung no 3º trimestre de 2026

Apple – Nuria Gonzalez Sanchez/ Istockphoto.com

A retração generalizada alterou a distância no topo do mercado mundial de celulares durante o terceiro trimestre de 2026, aproximando as duas principais fabricantes do setor em volume de envios e fatia de vendas. Enquanto a sul-coreana Samsung manteve a primeira colocação global a despeito de um recuo anual nas suas remessas, a norte-americana Apple registrou a menor queda percentual entre as cinco maiores empresas do ramo. Com esse desempenho, a diferença entre a líder e a vice-líder caiu para 500 mil aparelhos e 0,2 ponto percentual de participação, fazendo com que as duas marcas juntas concentrassem cerca de 45% de todos os dispositivos despachados no planeta no período, somando 115,1 milhões de unidades.

A participação da Apple no mercado global saltou de 18,2% no terceiro trimestre de 2025 para 22,4% no mesmo intervalo de 2026, o que equivale a uma alta proporcional de 23,1% na sua fatia sobre o total de envios. Já a Samsung ampliou a sua presença de 18,7% para 22,6% na mesma base de comparação.

Na outra ponta do ranking, as fabricantes chinesas Xiaomi, OPPO e vivo enfrentaram retrações superiores a 29% no volume de envios. Por estarem mais expostas ao segmento de aparelhos de entrada, cujos compradores são mais sensíveis a variações de preço, essas marcas absorveram o maior corte nas remessas trimestrais, com a OPPO registrando a queda mais acentuada entre as cinco líderes.

Volume de smartphones e fatia das 5 líderes no 3º trimestre de 2026

  • Samsung (1º lugar): 57,8 milhões de unidades enviadas, 22,6% de participação de mercado e queda anual de 5,8% em volume.
  • Apple (2º lugar): 57,3 milhões de unidades enviadas, 22,4% de participação de mercado e queda anual de 4,0% em volume.
  • Xiaomi (3º lugar): 30,7 milhões de unidades enviadas, 12,0% de participação de mercado e queda anual de 29,2% em volume.
  • OPPO (4º lugar): 25,6 milhões de unidades enviadas, 10,0% de participação de mercado e queda anual de 34,5% em volume.
  • vivo (5º lugar): 19,1 milhões de unidades enviadas, 7,5% de participação de mercado e queda anual de 31,5% em volume.
  • Comunicado oficial: emitido pela IDC em Boston, nos Estados Unidos, na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, pelo levantamento Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker.

Inflação de 350% em chips de memória e impacto ao consumidor

O principal fator por trás da queda nas remessas de celulares é a crise global de abastecimento e inflação nos chips de memória, desencadeada pela alta demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA). De acordo com o levantamento da IDC, em que também atua a analista Kiranjeet Kaur, a disputa por peças elevou os custos de produção das fabricantes de dispositivos móveis e comprimiu as margens de lucro das empresas ao longo dos últimos doze meses.

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“Os indicadores atuais sugerem que o mercado ainda não atingiu o fundo do poço. Os custos de memória subiram aproximadamente 350% desde o ano passado e continuam subindo, criando uma pressão substancial sobre as margens e remessas dos fornecedores. Embora a inflação de memória esteja começando a desacelerar, com um aumento sequencial de dois dígitos baixos no terceiro trimestre em comparação com um crescimento sequencial de cerca de 50% a 100% nos trimestres anteriores, os custos permanecem elevados também em outros componentes críticos, agravando o aperto”, declarou Nabila Popal.

O vice-presidente para Dispositivos Globais da IDC, Francisco Jeronimo, alertou que o encarecimento de produção começa a mudar de lado na cadeia comercial. “O terceiro trimestre mostra o impacto total e o dano da crise de memória. A pressão agora está passando dos fabricantes para os consumidores”, afirmou Jeronimo, em tradução livre.

Desempenho de smartphones na China e projeções até 2028

O balanço mundial sucede os dados preliminares específicos do mercado chinês divulgados pela própria IDC na mesma semana. Na China, as remessas totais de smartphones caíram 15,4% no terceiro trimestre de 2026, fechando em 57,9 milhões de unidades. Mesmo com um recuo anual de 4,3% no envio de iPhones para o país asiático, a participação de mercado da Apple no território chinês subiu de 15,8% para 17,8%.

Outras empresas de análise do setor registraram retrações no terceiro trimestre de 2026, apontando o menor nível para o período desde 2013, embora o percentual exato varie conforme a metodologia de cada levantamento. Para o fechado do ano de 2026, a IDC já havia revisado para baixo a sua expectativa para o mercado global de celulares, projetando uma queda anual acumulada de 16,7%. Segundo a consultoria, o crescimento das remessas mundiais de smartphones continuará restrito durante todo o ano de 2027, adiando uma possível recuperação do setor para 2028, no mínimo.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.
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