Moradores invadiram e arrombaram, na madrugada desta quinta-feira (15), a casa onde um bebê de 23 dias foi morto a facadas no bairro Dona Milindra, em Patos, no Sertão da Paraíba. Durante a ação no imóvel, os vizinhos retiraram uma cama, um colchão e outros objetos da residência e atearam fogo aos pertences em uma área próxima.
Equipes do 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM), comandado pelo tenente-coronel Deuslânio Menezes, faziam rondas preventivas na região para impedir depredações, mas o grupo agiu no intervalo entre a passagem das viaturas. A Polícia Civil abriu investigação para identificar os autores do arrombamento, do saque e do incêndio, que podem responder criminalmente pelos danos ao imóvel.
Polícia Civil investiga morte do bebê de 23 dias em Patos
A depredação na madrugada de 15 de outubro de 2026 não comprometeu a apuração do homicídio, porque o Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) havia concluído a perícia no imóvel na quarta-feira (14). O menino foi encontrado sem vida na manhã daquele dia, sobre uma cama, na Rua Francisco Germano, conhecida como Beco do Neco, na Zona Leste de Patos.
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Acionado pela Polícia Militar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou o óbito no local e identificou perfurações de faca concentradas no abdômen e espalhadas pelo corpo. A análise preliminar apontou ao menos 15 golpes, e o corpo seguiu para o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos.
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O pai e a mãe da criança, ambos de 19 anos, foram presos no imóvel e autuados em flagrante por homicídio qualificado e omissão de socorro. Nos depoimentos, os dois apresentaram versões opostas e acusaram um ao outro pela autoria das facadas. Segundo o delegado Emerson Barbosa, da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos, o rapaz declarou que a jovem atacou o filho por ciúmes da atenção dedicada ao recém-nascido e que ele fugiu em pânico após o primeiro golpe, sem prestar socorro. Já a mãe relatou que o ex-companheiro iniciou uma discussão por não aceitar a saída dela com o bebê, entregou-lhe a faca e segurou suas mãos para ferir o menino.
Polícia aponta contradições sobre o crime no bairro Dona Milindra
O delegado e superintendente da Polícia Civil no Sertão da Paraíba, Gilson Duarte, informou que a corporação confrontou os interrogatórios com relatos de vizinhos e apura se a mãe agiu sozinha ou com a participação direta do pai, além da omissão de socorro. Uma das divergências investigadas é a afirmação da mulher de que teria gravado o ataque com um telefone celular, aparelho que foi apreendido para perícia após os policiais não encontrarem nenhum arquivo de vídeo no sistema. “O que eu posso te dizer com muita segurança é que a versão que a mãe apresenta é incompatível com os fatos”, afirmou Duarte. “Essa filmagem não foi localizada nem no momento que ela tentou exibir a uma testemunha e nem muito menos quando ela tentou nos exibir”, declarou o delegado.
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Relação dos pais em Minas Gerais e retorno a Patos
Os dois jovens estavam separados quando o crime ocorreu e haviam se conhecido pela internet, antes de morarem juntos fora da Paraíba. “O casal já teve várias idas e voltas, inclusive ela foi morar com ele no estado de Minas Gerais. Eles se conheceram através de um aplicativo, de um jogo de Free Fire, segundo ela, e passou em torno de 4 a 5 meses morando lá em Minas Gerais e decidiram voltar para o estado da Paraíba. Atualmente eles não estavam convivendo juntos, ela teria voltado para o ex-companheiro dela lá na cidade de São Bento e ele aqui em Patos”, disse o delegado Emerson Barbosa. A discussão começou enquanto a jovem recolhia roupas e móveis para deixar o local.
- Quarta-feira (14), às 9h30: Polícia Militar e Samu são acionados para a Rua Francisco Germano, constatam a morte do bebê, prendem os pais em flagrante e o IPC-PB realiza a perícia no imóvel.
- Madrugada de quinta-feira (15): moradores invadem a casa no intervalo das rondas do 3º BPM e queimam móveis.
- Quinta-feira (15): data prevista para a audiência de custódia dos pais presos.
Até a última atualização do caso, a polícia ainda não havia identificado ou prendido os moradores responsáveis pela invasão e queima dos móveis, nem definido se um dos pais desferiu os golpes sozinho ou se ambos atuaram juntos. Os laudos definitivos do IPC-PB sobre o número exato de perfurações e a perícia nos celulares apreendidos permanecem pendentes, enquanto o casal aguarda o resultado da audiência de custódia programada para esta quinta-feira (15).
