A plataforma de transporte 99 atingiu a marca de 100 mil carros elétricos cadastrados no Brasil, conforme anúncio feito nesta quinta-feira (15) durante o evento 99Tech Summit, no Rio de Janeiro. O resultado acompanha o avanço da Aliança pela Mobilidade Sustentável, iniciativa fundada pela empresa que mobilizou investimentos em quatro anos de operação com parceiras como a montadora chinesa BYD.
Os números foram apresentados por Thiago Hipólito, diretor de inovação da 99 e fundador da Aliança pela Mobilidade Sustentável. O grupo reúne mais de 30 companhias de diferentes setores, incluindo fabricantes de automóveis, instituições financeiras, locadoras e empresas de energia, como Santander, Vibra e Movida. “Esse número aqui está muito além da nossa melhor projeção”, afirmou Hipólito durante o evento que começou na quarta-feira (14) na capital fluminense.
Números da Aliança pela Mobilidade Sustentável e da frota da 99
O avanço da frota eletrificada no aplicativo superou o planejamento original traçado pela empresa no início do projeto, em 2022, quando a rápida adesão de motoristas parceiros impulsionou o volume de corridas realizadas por automóveis com baixa emissão de poluentes nas cidades brasileiras e acelerou o ritmo de aportes financeiros captados junto às companhias integrantes do grupo empresarial.
- Frota inicial em 2022: 80 carros elétricos cadastrados na plataforma.
- Meta original do projeto: 10 mil carros elétricos no prazo de três anos.
- Investimento acumulado até maio de 2026: R$ 410 milhões mobilizados pela Aliança.
- Investimento acumulado até 15 de outubro de 2026: R$ 650 milhões (acréscimo de R$ 240 milhões em cinco meses).
- Volume de uso da frota: mais de 100 milhões de viagens realizadas pelos veículos elétricos cadastrados.
- Impacto ambiental estimado: 108 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO2) evitadas.
Estratégia da BYD e expansão em Camaçari
A expansão da frota de aplicativos integra a estratégia comercial da 99 e da BYD em diferentes etapas do mercado de mobilidade. Enquanto a montadora vê nos motoristas profissionais um público de alta utilização capaz de ampliar a demanda por automóveis elétricos, a plataforma busca reduzir as despesas operacionais dos condutores para aumentar o tempo de permanência deles no aplicativo. As duas empresas mantêm acordos para facilitar a compra e a locação desses veículos com condições comerciais específicas para os cadastrados. Na infraestrutura de apoio, a BYD informou contar com mais de 170 carregadores rápidos instalados em suas concessionárias no país.
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Para sustentar a oferta no mercado nacional diante da chegada de novas fabricantes chinesas, a BYD anunciou investimentos de R$ 5,5 bilhões no complexo industrial de Camaçari (BA). A fábrica produz veículos elétricos e híbridos e tem capacidade projetada para fabricar até 600 mil automóveis por ano após a conclusão de todas as etapas de expansão — montante independente dos recursos da Aliança liderada pela 99. Durante o encontro no Rio de Janeiro, Alexandre Aquino, diretor de Produto da BYD Brasil, apontou o papel do volume de produção na disputa de mercado. “A escala leva ao custo mais baixo, que leva a um posicionamento de preço favorável”, declarou Aquino.
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Carro elétrico da BYD compensa para os motoristas da 99?
A justificativa econômica para a troca de frota baseia-se na queda das despesas diárias de rodagem. Durante a apresentação, a BYD exibiu uma simulação comparando os gastos do modelo elétrico Dolphin Mini com os de um hatch compacto a combustão ao longo de três anos de uso, considerando uma rodagem total de 60 mil quilômetros.
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- Gasto com manutenção em 3 anos (60 mil km): R$ 1.947 no BYD Dolphin Mini contra R$ 5.980 no hatch a combustão (redução aproximada de 67%).
- Gasto com abastecimento e energia em 3 anos (60 mil km): R$ 6.290 em energia elétrica no Dolphin Mini contra R$ 31.920 em gasolina no modelo convencional (redução aproximada de 80%).
- Economia total estimada em 3 anos: superior a R$ 46 mil a favor do modelo elétrico, incluindo benefícios tributários na conta.
O cálculo apresentado pela fabricante chinesa, contudo, não inclui o preço de aquisição dos automóveis, os custos de financiamento, o valor do seguro, a taxa de depreciação dos bens nem eventuais despesas com a instalação de equipamentos carregadores residenciais, além de pressupor a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), benefício fiscal que depende da legislação específica de cada estado brasileiro.
Adoção de motos elétricas na 99 e lançamentos no Recife
Em sentido oposto ao dos automóveis, a entrada de motocicletas e bicicletas elétricas na plataforma ocorreu em ritmo inferior ao projetado pela empresa, que esperava uma adoção mais rápida pelo menor valor de compra desses veículos. “A gente imaginou no início que a escalabilidade seria muito mais rápida do que carro. E a gente errou redondamente”, disse Hipólito. Segundo o diretor, o principal entrave foi a falta de modelos adaptados à topografia das cidades brasileiras, capazes de transportar duas pessoas em subidas íngremes como as de São Paulo.
Para superar a limitação técnica, a 99 trabalha em conjunto com locadoras nacionais e empresas chinesas no desenvolvimento de uma motocicleta elétrica voltada ao mercado brasileiro, além de apoiar a chegada da fabricante chinesa de motos elétricas Yadea ao país. Até o momento, a 99 não detalhou quanto do total mobilizado pela Aliança foi investido diretamente pela própria plataforma e quanto partiu das parceiras, nem esclareceu se os 100 mil veículos contabilizam apenas modelos 100% elétricos (BEV, veículos movidos exclusivamente a bateria) ou se incluem híbridos. Também não foram revelados o fabricante parceiro, o estágio atual e a data de lançamento da nova moto elétrica.
Além dos dados de eletrificação, a companhia que tem Fabrício Ribeiro como diretor de Operações apresentou durante o 99Tech Summit o software com inteligência artificial Zesto, voltado à gestão de pedidos de pequenos e médios restaurantes, e a categoria de corridas de padrão superior 99Premier, que tem estreia prevista para a segunda quinzena de outubro de 2026 na cidade do Recife (PE).
