O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão, rejeitou nesta quinta-feira (15) o pedido do Consórcio Fla-Flu e manteve a partida entre Vasco e Boca Juniors no Maracanã. A decisão garante a realização do jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana no estádio carioca na próxima terça-feira (20), encerrando o risco de transferência do confronto para o Paraguai.
A disputa judicial provocou reações da diretoria vascaína antes mesmo do veredito em Brasília. Na terça-feira (13), horas antes do duelo de ida na Argentina, o presidente do Club de Regatas Vasco da Gama, Pedrinho, criticou a tentativa do Clube de Regatas do Flamengo e do Fluminense de vetar o uso do estádio. “Agora dentro do ônibus eu soube que entraram com esse recurso e que existe esse relatório da Conmebol que pode tirar o jogo do Brasil para o Paraguai. Acho que é uma covardia com a instituição e com a competição”, declarou o dirigente.
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Críticas de Pedrinho a Bap e ao Consórcio Fla-Flu
Para Pedrinho, a resistência na liberação do estádio ultrapassa o debate técnico sobre a preservação do gramado e envolve uma motivação pessoal do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap). O dirigente vascaíno lembrou que o atrito entre os dois se agravou anteriormente durante discussões públicas sobre a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco, ocasião em que chamou o mandatário flamenguista de “mau-caráter” e “arrogante”, declarações que resultaram em um processo judicial movido por Bap contra ele.
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“Eu acredito que seja (uma questão pessoal do Bap). A questão do gramado você sabe tanto quanto eu que um jogo, apesar de uma sequência, tanto Fla-Flu teria direito de negar, eles não precisam liberar quando eu peço, mas é uma questão de bom senso”, explicou Pedrinho. Ele acrescentou que as divergências particulares não deveriam afetar o torneio: “Quando parte para o campo institucional, eu tenho que deixar de lado minhas diferenças com o presidente do Flamengo e ele comigo. Seria muito injusto com o Vasco da Gama a gente sair do país por conta de uma picuinha de presidente”, afirmou.
O Vasco precisou acionar a cláusula para atuar no Maracanã porque o Estádio de São Januário não atende aos requisitos mínimos de capacidade de público exigidos pelo regulamento da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para a fase semifinal. Segundo Pedrinho, o clube cumpriu os prazos administrativos necessários. “Em 2026 pedimos três jogos com antecedência. Só pedi porque eu sou proibido, por não cumprir alguns regulamentos da Conmebol (para jogar em São Januário). Muitas vezes eles dizem que não reconhecem o contrato, mas foi assinado por Flamengo e Fluminense, só não foi na esfera jurídica pelo Consórcio. A decisão tomada pelo TJ foi pela segurança, não pelo gramado”, disse.
Pelo lado do Flamengo, a justificativa concentra-se nas condições do campo, já que a equipe enfrenta o Estudiantes pela semifinal da Copa Libertadores no mesmo local dois dias após o compromisso vascaíno. O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, comentou o impasse: “Essa questão do Vasco, isso eu deixo para as pessoas da diretoria, com o presidente. É óbvio que preocupa o gramado e preocupa também um pouco preparar uma casa, pagar pela casa e ir outra pessoa usar a casa para fazer uma festa”, declarou.
Decisão de Luis Felipe Salomão no STJ garante o Maracanã
A confirmação do confronto no Rio de Janeiro ocorreu após uma sequência de recursos judiciais iniciada no fim de semana, quando o Consórcio Fla-Flu (Fla-Flu Serviços S.A.) tentou impedir a realização da partida alegando danos ao campo e conflito de segurança com o ginásio vizinho. Ao analisar o pedido de suspensão de segurança em Brasília em 15 de outubro de 2026, o ministro Luis Felipe Salomão — que é tio de Paulo Salomão, ex-vice-presidente geral do Vasco na gestão de Pedrinho até dezembro de 2025, quando deixou o clube para assumir como desembargador no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) — apontou a ilegitimidade da ação do consórcio por tratar de interesse privado, e não público primário. O magistrado destacou ainda a ausência de comprovação de risco grave à segurança pública e afirmou que o eventual desgaste da grama não configura dano ao patrimônio público.
Com a definição judicial, a programação da disputa pelo estádio e o calendário das semifinais continentais registram as seguintes etapas:
- Sábado, 10 de outubro de 2026: a desembargadora Suely Lopes Magalhães concede liminar impedindo o Vasco de usar o Maracanã devido a um jogo de basquete entre Flamengo e Botafogo pelo Novo Basquete Brasil (NBB) no Maracanãzinho.
- Terça-feira, 13 de outubro de 2026, às 07h10 (horário de Brasília): o desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), reverte a liminar e autoriza a partida de futebol.
- Terça-feira, 13 de outubro de 2026, à noite: o Consórcio Fla-Flu aciona o STJ para tentar derrubar a liberação, e a Conmebol notifica o Vasco e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sobre a possível mudança do jogo para o Paraguai.
- Quinta-feira, 15 de outubro de 2026, às 21h30 (horário de Brasília): o Flamengo enfrenta o Estudiantes pelo jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores, no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, na Argentina.
- Terça-feira, 20 de outubro de 2026, às 21h30 (horário de Brasília): o Vasco recebe o Boca Juniors pelo jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, no Maracanã.
- Quinta-feira, 22 de outubro de 2026, às 21h30 (horário de Brasília): o Flamengo joga contra o Estudiantes pela volta da semifinal da Copa Libertadores, no Maracanã.
Vantagem do Vasco contra o Boca Juniors e ingressos esgotados
Na autorização concedida pelo TJ-RJ, o desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto já havia considerado a rápida comercialização de bilhetes como um fator de segurança pública para manter o evento no local original. A torcida vascaína comprou mais de 45 mil ingressos em menos de 24 horas após a abertura das vendas, e a carga total disponível se esgotou na sequência.
Dentro de campo, a equipe carioca abriu vantagem na disputa por uma vaga na decisão continental, fase que não alcança há 26 anos. No jogo de ida, realizado na terça-feira (13) no estádio La Bombonera, em Buenos Aires, o Vasco venceu o Boca Juniors por 1 a 0, com gol do atacante Adson aos 24 minutos do primeiro tempo, segurando o resultado mesmo após a expulsão de Andrés Gómez na etapa final. Com o placar, o time brasileiro precisa apenas de um empate no confronto da próxima terça-feira (20), às 21h30 (horário de Brasília), no Maracanã, para avançar à final da Copa Sul-Americana.
