Vasuki indicus: fóssil na Índia revela cobra de 15,2 metros

Esqueleto de cobra - undefined undefined/ istockphoto.com

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Os paleontólogos Debajit Datta, pesquisador de pós-doutorado, e Sunil Bajpai, professor, ambos do Departamento de Ciências da Terra do Instituto Indiano de Tecnologia de Roorkee (IIT Roorkee), identificaram na Índia os fósseis da serpente pré-histórica gigante Vasuki indicus. A espécie viveu há aproximadamente 47 milhões de anos, atingiu comprimento total estimado entre 10,9 e 15,2 metros e voltou ao foco das publicações científicas nesta quarta-feira (14).

Com peso estimado em cerca de 1 tonelada (1.000 quilos), o réptil pertencia à família extinta Madtsoiidae e é classificado como a maior serpente já registrada dentro desse grupo biológico. “Considerando seu grande tamanho, a Vasuki era uma predadora de emboscada de movimento lento que subjugava sua presa por constrição, como sucuris e pítons. Esta serpente viveu em um pântano lamacento perto da costa em uma época em que as temperaturas globais eram mais altas do que atualmente”, disse Debajit Datta, em tradução livre.

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Vasuki indicus: dimensões das 27 vértebras e origem do nome na Índia

Os restos fossilizados da Vasuki indicus foram localizados na Mina de Lignito de Panandhro, pertencente à Formação Naredi, no distrito de Kutch, estado de Gujarat, no oeste da Índia. O material do holótipo — exemplar único utilizado como base para a descrição formal da espécie, catalogado sob o código IITR/VPL/SB 3102-1-21 — reúne 27 vértebras pré-cloacais (localizadas antes da abertura da cloaca) bem preservadas, sendo que algumas ainda estavam articuladas em sua posição anatômica original.

A nomenclatura escolhida pelos cientistas do IIT Roorkee une referências culturais e geográficas do local da escavação. O gênero Vasuki homenageia a serpente mítica do hinduísmo que é retratada enrolada no pescoço do deus Shiva, enquanto o termo específico indicus remete diretamente à Índia, país onde o material foi recolhido.

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A anatomia das vértebras recuperadas mostra que o animal possuía um corpo largo e cilíndrico, adaptado para a vida terrestre ou em águas rasas de regiões pantanosas. Para chegar ao tamanho do animal mesmo sem o esqueleto completo, Datta e Bajpai compararam os ossos com espécies de cobras modernas e aplicaram dois modelos matemáticos distintos, que resultaram nas seguintes medidas verificadas na pesquisa:

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  • Comprimento das vértebras preservadas: entre 37,5 e 62,7 milímetros.
  • Largura das vértebras preservadas: entre 62,4 e 111,4 milímetros.
  • Estimativa de comprimento total pelo primeiro método matemático: de 10,9 a 12,2 metros.
  • Estimativa de comprimento total pelo segundo método matemático: de 14,5 a 15,2 metros.
  • Massa corporal total estimada: cerca de 1 tonelada (1.000 quilos).

Clima de 28 °C no Eoceno Médio e dispersão da família Madtsoiidae

A existência de um predador com as proporções da Vasuki indicus está associada às condições ambientais do período Eoceno Médio, na idade geológica Lutetiana, há cerca de 47 milhões de anos, quando a região de Kutch abrigava pântanos costeiros com temperatura média estimada em cerca de 28 °C. Como as serpentes são animais ectotérmicos, que dependem do calor externo do ambiente para regular a própria temperatura corporal e manter o metabolismo, o clima tropical mais quente do que o atual favoreceu o ritmo de digestão, a atividade diária e o crescimento acentuado desses répteis, aliado à disponibilidade de presas e às características do habitat úmido.

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Análises filogenéticas e biogeográficas — que traçam o parentesco evolutivo e a distribuição geográfica dos seres vivos — indicam que a linhagem da Vasuki indicus surgiu no próprio subcontinente indiano. Após a colisão tectônica entre a placa da Índia e a Ásia, ocorrida há cerca de 50 milhões de anos, esses animais se espalharam pelo sul da Eurásia até alcançar o norte da África. A família Madtsoiidae existiu por aproximadamente 100 milhões de anos, desde o Cretáceo Superior até o Pleistoceno Superior, deixando registros fósseis na Índia, África, Europa, América do Sul e Austrália.

Disputa de tamanho com a Titanoboa de 13 metros e histórico desde 2005

As dimensões calculadas para a serpente indiana colocam a espécie em comparação direta com a Titanoboa cerrejonensis, cobra pré-histórica cujos fósseis foram descobertos em 2009 em uma mina de carvão no norte da Colômbia e que viveu entre 58 e 60 milhões de anos atrás, alcançando cerca de 13 metros de comprimento total e mais de 1 tonelada de peso. O registro histórico do exemplar indiano começou em 2005, ano em que as vértebras foram originalmente escavadas na Formação Naredi, em Gujarat, mas análises preliminares da época atribuíram os ossos a um crocodiliano extinto até que a revisão conduzida por Debajit Datta e Sunil Bajpai resultasse na publicação do estudo oficial da nova espécie em 18 de abril de 2024, na revista científica Scientific Reports.

Ainda existem incertezas científicas sobre a biologia da espécie porque o esqueleto encontrado em Panandhro está incompleto. Os pesquisadores apontam que não é possível confirmar a dieta exata, os hábitos detalhados de caça nem se a Vasuki indicus realmente superava a Titanoboa em comprimento total apenas com base nas vértebras disponíveis.

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O trabalho de catalogação paleontológica na região teve continuidade em um estudo complementar publicado em 23 de julho de 2025 no periódico Journal of Paleontology. Nessa pesquisa mais recente, Debajit Datta e Sunil Bajpai descreveram novos fósseis de serpentes do período Eoceno recolhidos no oeste da Índia, incluindo espécies aquáticas e uma vértebra isolada adicional atribuída à família Madtsoiidae.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.