O inquérito judicial sobre a morte do comerciante on-line e ex-ator mirim William Harry Bruce Chapman, de 24 anos, apontou nesta quinta-feira (15) que ele sofreu múltiplos ferimentos traumáticos após entrar no recinto de um tigre-siberiano no Yorkshire Wildlife Park, em Doncaster, na Inglaterra. A audiência de abertura no Tribunal de Legistas de Doncaster, presidida pela legista sênior Nicola Mundy, revelou que o jovem escalou duas cercas para acessar a área restrita do animal.
O exame pós-morte inicial foi conduzido pelo médico patologista Dr. Karzai. O documento médico definiu a causa provisória do óbito como “1A múltiplos ferimentos traumáticos” e “1B interação com animal”. Durante a sessão, a oficial do legista Caitlin Brookes relatou a dinâmica do episódio ocorrido no sábado (10), quando Chapman visitou o parque sozinho.
“Ele compareceu ao Yorkshire Wildlife Park onde, às 13h31, escalou duas cercas e entrou no recinto do tigre… Ele se aproximou do tigre e, após uma interação, sofreu múltiplos ferimentos traumáticos”, afirmou Caitlin Brookes, em tradução livre. Na sequência, a oficial detalhou o desfecho do ataque promovido pelo tigre-siberiano macho chamado Altai, que tem 5 anos de idade. “Ele foi abordado pelo tigre e o contato físico resultante entre o tigre e o Sr. Chapman levou-o a sofrer múltiplos ferimentos traumáticos que rapidamente levaram à sua morte”, disse.
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Funcionários do parque contiveram o felino após o ataque, mas os paramédicos acionados declararam o óbito ainda no local. Nascido em 2002 na cidade de Chichester, em West Sussex, Chapman estudou na infância na escola de teatro Jackie Palmer Stage School, em High Wycombe, e atuou nas séries de televisão “May Contain Nuts”, em 2009, e “True Stories”.
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Histórico de saúde mental de William Chapman e investigações em Doncaster
A família da vítima não compareceu ao tribunal por enfrentar extrema dificuldade, mas questionou o suporte médico oferecido ao jovem antes do episódio. Embora tivesse diagnóstico de esquizofrenia e episódios prévios de psicose, Chapman morava sozinho em Doncaster, atuava como comerciante autônomo na internet e mantinha uma rotina considerada independente, sem necessidade de cuidados assistenciais.
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“Durante minhas comunicações com a família do Sr. Chapman, eles confirmaram que ele tinha histórico de doença mental, diagnóstico de esquizofrenia, havia sofrido episódios anteriores de psicose e estava sob os cuidados dos Serviços de Saúde Mental de Doncaster. Apesar do diagnóstico, o Sr. Chapman era altamente funcional e independente. Sua família expressou uma série de preocupações em relação ao contato dele com os serviços de saúde mental no período que antecedeu sua morte”, declarou Caitlin Brookes.
Em comunicado oficial sobre a apuração, os parentes cobraram respostas das instituições públicas. “A família tem esperança de que as autoridades competentes façam o máximo possível para chegar ao fundo do motivo pelo qual nosso filho maravilhoso fez o que fez”, informou a nota familiar.
Diante dos relatos, o fundo Rotherham, Doncaster and South Humber NHS Foundation Trust (RDaSH), órgão do sistema público de saúde britânico que administra o atendimento na região, abriu uma Investigação de Incidente de Segurança do Paciente (PSII, procedimento oficial para apurar falhas no cuidado médico). Paralelamente, o Conselho Municipal de Doncaster, responsável pelo licenciamento do parque, iniciou uma investigação própria de saúde e segurança.
Cronologia do caso William Chapman e reabertura do Yorkshire Wildlife Park
A direção do Yorkshire Wildlife Park informou que o tigre Altai não será sacrificado. O andamento do caso e as medidas adotadas pelas autoridades britânicas seguem o seguinte cronograma:
- 10 de outubro de 2026, às 13h31 (horário local): invasão do recinto no parque e morte do visitante.
- 13 de outubro de 2026: identificação formal do corpo pelo padrasto no necrotério e pedido da família para que vídeos do ataque deixassem de circular nas redes sociais.
- 15 de outubro de 2026: abertura oficial do inquérito judicial em Doncaster.
- 16 de outubro de 2026: data confirmada para a reabertura do Yorkshire Wildlife Park, fechado desde o incidente.
- 18 de março de 2027: data marcada pela legista sênior Nicola Mundy para o julgamento completo do inquérito, que aguarda laudos detalhados sobre os ferimentos e depoimentos de testemunhas colhidos pela Polícia de South Yorkshire.
