Cães e gatos exigem limpadores enzimáticos contra odores em casa

Dois gatos

Dois gatos - maximkabb/istockphoto

Especialistas em medicina veterinária e bem-estar animal recomendam a higienização frequente de tecidos e o uso de limpadores enzimáticos para eliminar odores de cães e gatos em ambientes domésticos no Brasil, conforme orientações técnicas atualizadas em 16 de outubro de 2026. A aplicação dessas fórmulas decompõe moléculas orgânicas impregnadas em camas, cobertores, tapetes, sofás e almofadas, evitando que o cheiro seja apenas mascarado.

De acordo com Pillar Gomide do Valle, professora do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Arnaldo Janssen, em Belo Horizonte, o uso de produtos perfumados convencionais disfarça o problema apenas de forma temporária, fazendo o mau cheiro retornar assim que a fragrância se dissipa ou o local seca. “Limpadores enzimáticos são bastante úteis porque atuam diretamente sobre os resíduos orgânicos responsáveis pelo odor, em vez de apenas perfumar o ambiente. É importante diferenciar neutralizar o odor de remover sua fonte”, afirmou a docente.

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Composição da urina de cães e gatos e ação das enzimas

A retenção de odores dentro de casa ocorre porque materiais têxteis de uso diário acumulam partículas odoríferas e resíduos biológicos por longos períodos, mesmo quando a faxina geral dos cômodos está em dia. No caso específico da urina de cães e gatos, o líquido reúne substâncias que não saem apenas com água e sabão comum, exigindo ação biológica para quebrar suas moléculas e impedir a reincidência da sujeira no mesmo ponto do imóvel.

“O odor da urina não vem de uma única substância. Ela é composta por ureia, creatinina, eletrólitos, metabólitos e diversos compostos orgânicos. Nos gatos, há ainda um fator adicional: a urina contém proteínas e compostos envolvidos na comunicação química e na marcação territorial. Por isso, o odor persistente não significa necessariamente que ainda exista urina visível, mas sim resíduos químicos que continuam sendo percebidos, principalmente pelos pets”, explicou Pillar Gomide do Valle.

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Cristais de ácido úrico em gatos e olfato apurado dos animais

Entre os componentes mais resistentes está o ácido úrico presente na urina felina, uma substância insolúvel em água que pode permanecer presa em fibras de carpetes, tecidos e superfícies de madeira durante anos. Quando a limpeza é feita sem enzimas específicas para decompor esses cristais, o aumento da umidade do ar em dias chuvosos provoca a recristalização do resíduo e reativa o mau cheiro no cômodo.

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Como cães e gatos possuem o olfato muito mais apurado que o dos seres humanos, eles continuam identificando essas moléculas residuais mesmo quando a casa parece limpa e perfumada para a família. Essa percepção química faz com que o animal reconheça a área como um banheiro demarcado e volte a urinar exatamente no mesmo lugar.

Passo a passo para limpar urina de cães e gatos com segurança

Na rotina de higienização doméstica, a forma de remoção do líquido e a escolha dos produtos químicos interferem diretamente na saúde dos moradores e na conservação dos móveis. Tutores nunca devem misturar diferentes limpadores, especialmente compostos à base de cloro, como a água sanitária, na tentativa de potencializar a desinfecção.

“Outro cuidado é evitar misturar produtos de limpeza, pois combinações químicas podem gerar substâncias irritantes ou tóxicas. Produtos destinados ao ambiente não devem ser aplicados diretamente no animal. O ideal é usar produtos específicos para remoção de urina, seguir as instruções do fabricante e impedir o acesso do pet à área até que esteja completamente seca”, declarou a professora do Centro Universitário Arnaldo Janssen.

Para realizar a limpeza técnica do ambiente e manter a higiene dos animais sem espalhar resíduos, as diretrizes veterinárias estabelecem os seguintes procedimentos e prazos:

  • Absorção imediata da urina: retirar o excesso de líquido assim que identificado usando papel absorvente ou pano seco, pressionando o local sem esfregar para que a fricção não espalhe o resíduo para uma área maior.
  • Aplicação do limpador enzimático: despejar o produto sobre o ponto afetado e respeitar o tempo de ação determinado pelo fabricante no rótulo antes de remover a solução.
  • Isolamento da área: bloquear a circulação do cão ou do gato pelo cômodo até que o piso ou tecido esteja completamente seco.
  • Frequência de banhos em cães de pelo longo: higienizar o animal de 15 em 15 dias.
  • Frequência de banhos em cães de pelo curto: dar banho de 30 em 30 dias, respeitando o intervalo para que o excesso de lavagens não estimule a produção de mais sebo na pele.

Cuidados com pelagem úmida e sinais de alerta veterinário em cães e gatos

Além dos resíduos deixados nos tecidos da casa, o cheiro característico de cachorro molhado tem origem biológica própria. O odor surge pela ação de bactérias e microrganismos que se alimentam dos óleos naturais, chamados de sebo, presentes na pelagem do animal. Para evitar a proliferação desses agentes, é necessário secar completamente o pelo após banhos ou exposição à chuva.

A manutenção preventiva dos imóveis compartilhados com animais inclui a lavagem regular de roupas, brinquedos, cobertores e camas de uso exclusivo dos pets, somada à ventilação diária dos ambientes. Caso o cão ou o gato passe a apresentar um odor corporal muito forte mesmo com a rotina de higiene em dia, a recomendação é levar o animal para avaliação de um médico-veterinário, pois o sintoma pode indicar doenças dermatológicas, odontológicas, urinárias ou infecções nos ouvidos.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração
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