Uma pesquisa sobre o custo da cesta básica realizada pela datatudo, frente de dados da plataforma financeira meutudo, apontou nesta sexta-feira (16) que 55% dos brasileiros sentem que o valor dos alimentos essenciais aumentou muito no último ano. O levantamento ouviu 52.476 pessoas entre 27 de agosto e 21 de setembro de 2026 e indica que 74% dos consumidores esperam uma nova alta nos preços nos próximos 12 meses.
A percepção de encarecimento nos supermercados varia de 50% a 57% conforme a região do país, com maior índice no Sudeste (57%), seguido por Norte e Nordeste, ambos com 56%. Quanto à projeção para o ano seguinte, ao menos sete em cada dez entrevistados em todas as regiões acreditam que os produtos continuarão subindo.
Redução no volume de compras da cesta básica atinge 37% dos entrevistados
O impacto dos preços no bolso dividiu o poder de compra dos participantes da pesquisa: 37% afirmam que estão comprando menos itens no supermercado em comparação ao ano anterior, enquanto 33% dizem que o poder de compra aumentou e 30% relatam estabilidade na quantidade adquirida. Entre a parcela que reduziu o volume do carrinho, 47% apontam o aumento constante dos preços como a razão principal, 35% justificam que estão ganhando menos e 18% atribuem a queda aos dois fatores combinados.
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O recorte demográfico e regional do levantamento mostra que a retração no consumo não ocorre de maneira uniforme pelo território nacional nem entre as diferentes gerações de consumidores. No Sudeste, 47% dos participantes declararam comprar menos produtos, uma diferença de 20 pontos percentuais em relação ao Norte, que registrou a menor taxa de redução (27%) e o maior índice de aumento no consumo (44%). Além disso, a proporção de pessoas que diminuíram a quantidade de itens no carrinho cresce progressivamente conforme a faixa etária analisada, passando de 24% entre os jovens de 18 a 29 anos para 30% no grupo de 30 a 45 anos, atingindo 50% entre adultos de 46 a 64 anos e chegando a 61% entre os entrevistados com 65 anos ou mais.
Gasto mensal com supermercado e peso do vale-alimentação na renda
Na análise do orçamento mensal destinado às compras de mercado, a faixa de despesa predominante fica entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00 por mês, citada por 43% dos participantes. Outros 26% declararam gastar de R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00 mensais. O gasto inferior a R$ 500,00 por mês é mais frequente entre jovens de 18 a 29 anos (25%), ante o patamar de 17% a 18% registrado nas demais idades.
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O comprometimento de mais da metade ou de quase toda a renda familiar com o supermercado atinge 39% dos moradores do Sudeste, 39% do Nordeste e 38% do Sul, contra 29% no Norte e no Centro-Oeste. Em relação ao vale-alimentação, benefício trabalhista concedido a funcionários com carteira assinada, 48% declararam não ter acesso ao recurso — índice que oscila de 39% no Centro-Oeste a 56% no Sudeste, e que parte de 34% entre jovens de 18 a 29 anos, subindo nas faixas etárias superiores por conta da presença de aposentados. Apenas 13% afirmam que o benefício cobre integralmente as compras do mês, com variação regional de 8% a 19%.
Troca de marcas e pagamento via Pix lideram estratégias nos supermercados
Para lidar com os custos nos supermercados de bairro, que são a escolha principal de 46% dos consumidores frente aos atacadistas e mercadinhos, metade dos entrevistados prefere fracionar as idas ao comércio semanal ou quinzenalmente. Esse hábito predomina no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, ao passo que no Norte e no Nordeste a maioria concentra as aquisições em uma compra mensal. Os dados levantados pela especialista em Marketing e Educação Financeira da meutudo, Cecília Bezerra, detalham os meios de pagamento e os ajustes no carrinho:
- Meios de pagamento principais: Pix ou dinheiro somam 45% da preferência, seguidos por vale-alimentação (21%), cartão de débito (17%), cartão de crédito à vista (10%) e cartão de crédito parcelado (7%).
- Substituição de produtos: 57% trocam marcas tradicionais por opções mais baratas (variando de 48% no Centro-Oeste a 61% no Nordeste) e 39% no geral (50% entre quem tem 65 anos ou mais) trocam a carne bovina por frango, porco, miúdos ou ovos.
- Peso e corte de itens: carnes, aves e peixes são apontados por 44% como os itens que mais pesam no bolso, seguidos por arroz, feijão e grãos; na hora do corte, guloseimas e doces lideram no geral (34%), bebidas ficam em primeiro no Norte (36%), os dois itens empatam no Nordeste (30% cada) e as carnes são a primeira opção de corte para 22% a 30%.
Dados do DIEESE e do IBGE mostram evolução do custo da cesta básica
A percepção dos consumidores ocorre em paralelo aos indicadores oficiais divulgados em 9 de outubro de 2026 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do DIEESE/Conab, o custo dos itens básicos subiu em todas as 27 capitais brasileiras em setembro de 2026, elevando o salário mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas para R$ 7.750,01 — o equivalente a 4,78 vezes o salário mínimo nacional bruto vigente de R$ 1.621,00. No mês anterior, em agosto de 2026, esse valor necessário havia sido calculado em R$ 7.565,86 (4,67 vezes o piso nacional), quando as cestas mais caras foram registradas em São Paulo (R$ 900,59), Cuiabá (R$ 851,57), Rio de Janeiro (R$ 851,19) e Florianópolis (R$ 850,90), e as mais baratas no Norte e Nordeste ficaram em Aracaju (R$ 570,98), Natal (R$ 627,42), Maceió (R$ 627,45) e Salvador (R$ 628,89).
Já no balanço de setembro de 2026 do DIEESE/Conab, São Paulo manteve a cesta básica mais cara do país, custando R$ 922,51, seguida por Florianópolis (R$ 915,62), Rio de Janeiro (R$ 913,46) e Cuiabá (R$ 891,24). No Norte e Nordeste, que possuem uma composição regional diferente de alimentos, os menores valores de setembro foram apurados em Aracaju (R$ 587,76), Maceió (R$ 631,28), Salvador (R$ 634,67) e Natal (R$ 635,60).
Pelo levantamento do IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, subiu 0,82% em setembro de 2026 após registrar deflação de 0,32% em agosto, acumulando alta de 3,95% no ano e de 4,58% em 12 meses. O subgrupo de alimentação no domicílio avançou 0,96% em setembro, interrompendo três meses seguidos de queda e acumulando 4,21% em 12 meses. As principais altas de setembro vieram do tomate (+37,76%), batata-inglesa (+24,07%), cebola (+10,14%), arroz (+4,56%) e carnes (+0,63%), enquanto tiveram recuo o frango inteiro (-1,96%), o frango em pedaços (-1,41%) e as frutas (-1,12%).
Diante do orçamento pressionado, a orientação técnica trazida no estudo da meutudo é não utilizar empréstimos para pagar despesas recorrentes de mercado, reservando linhas de menor custo — como o consignado privado para trabalhadores com carteira assinada e o consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — apenas para substituir dívidas caras, a exemplo do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial. Para aposentados e pensionistas do INSS, o teto de juros do empréstimo consignado com desconto automático em folha está fixado em 1,85% ao mês pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), respeitando o limite da margem consignável do benefício.
