Chiaki Ishii morre aos 85 anos após abrir contagem de 28 medalhas do judô

O ex-judoca Chiaki Ishii morreu nesta sexta-feira (16), aos 85 anos, no Brasil. Ele foi o responsável por conquistar as primeiras medalhas em Jogos Olímpicos e em Campeonatos Mundiais da história da modalidade para o país, abrindo o caminho para as gerações seguintes de atletas.

A morte foi confirmada oficialmente pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) e pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ). O presidente da CBJ, Paulo Wanderley, manifestou pesar pela perda do pioneiro. “Hoje, o judô brasileiro se despede de uma de suas maiores referências. Chiaki Ishii foi um pioneiro que acreditou no potencial do Brasil e ajudou a mostrar ao mundo a força da nossa modalidade. Sua história não está apenas nas medalhas que conquistou, mas também nos atletas que formou, nos ensinamentos que compartilhou e no caminho que abriu para tantas gerações”, declarou o dirigente.

Chiaki Ishii iniciou contagem de 28 medalhas olímpicas do judô brasileiro

O ex-atleta entrou para a história do esporte nacional nos Jogos Olímpicos de Munique, na Alemanha, em 1972, ao ganhar a medalha de bronze na categoria meio-pesado, cujo limite de peso era de até 93 kg. Um ano antes, em 1971, ele já havia subido ao pódio na mesma divisão de peso ao garantir o bronze no Campeonato Mundial de Ludwigshafen, disputado na então Alemanha Ocidental, tornando-se também o primeiro medalhista mundial do judô brasileiro. Esse pódio em Munique abriu a contagem histórica do judô brasileiro em Jogos Olímpicos, que soma ao todo 28 medalhas conquistadas pela modalidade, divididas entre cinco de ouro, quatro de prata e 19 de bronze.

Acompanhe: Rival agride judoca alemão, Timo Cavelius com socos logo após luta na Alemanha

Além dos resultados na Alemanha, o judoca representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Montreal, no Canadá, em 1976. No continente americano, acumulou quatro medalhas de ouro em competições pan-americanas, vencendo tanto na categoria até 93 kg quanto na categoria absoluto (sem limite de peso) nas edições de 1970 e 1972.

Trajetória de Chiaki Ishii do Japão à formação de atletas em São Paulo

Nascido em 1º de outubro de 1941 na cidade de Ashikaga, no Japão, Ishii mudou-se para o Brasil em 1964, aos 22 anos, logo após perder a seletiva nacional japonesa para os Jogos Olímpicos de Tóquio daquele mesmo ano. Ao desembarcar em território brasileiro, trabalhou inicialmente como agricultor na lavoura de uma colônia japonesa localizada no município de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, antes de retomar a dedicação integral aos tatames e concluir seu processo de naturalização em 1969 para defender a seleção brasileira em torneios internacionais.

Leia também: Sega descontinua vendas digitais de jogos olímpicos de Tóquio 2020 nas lojas

Após encerrar a carreira nas competições, o sensei (mestre no ensino de artes marciais) manteve uma academia de judô no bairro da Lapa, na cidade de São Paulo. No local, formou os medalhistas olímpicos brasileiros Walter Carmona e Rafael Silva, conhecido como Baby. Suas filhas também seguiram carreira na modalidade e disputaram edições de Jogos Olímpicos pelo Brasil: Tânia Chie Ishii competiu em Barcelona 1992, após ter ganhado um bronze pan-americano em 1983, e Vânia Yukie Ishii esteve nos Jogos de Sydney 2000 e de Atenas 2004.

Homenagens do COB e da CBJ ao legado de Chiaki Ishii

Em reconhecimento à sua dedicação ao esporte, Ishii alcançou em vida a graduação de Kodansha 9º Dan, alto grau de faixa-preta concedido a mestres de judô. Ele também recebeu a Ordem ao Mérito da CBJ, passou a integrar o Hall da Fama do COB e foi homenageado pelo comitê em 2023 com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva.

Em comunicado oficial, a CBJ destacou o impacto do ex-atleta. “Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo, pela dedicação incansável ao judô e por um legado incalculável dentro e fora do tatame. Seu exemplo continuará inspirando por muitos e muitos anos. A CBJ se solidariza com a família, os amigos e toda a comunidade do judô neste momento de dor e despedida”, informou a entidade.

O COB também publicou nota sobre o trabalho do mestre na capital paulista. “Na academia que manteve na Lapa, em São Paulo, Ishii formou e influenciou judocas que levaram adiante sua contribuição para a modalidade”, afirmou o comitê, acrescentando “sinceras condolências aos familiares, amigos, alunos e a toda a comunidade do judô”.

A causa da morte de Chiaki Ishii, ocorrida em 16 de outubro de 2026, bem como as informações sobre os locais e horários de velório e sepultamento, não foram divulgadas pela família nem pelas entidades esportivas.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
Notícias Relacionadas