O São Paulo Futebol Clube não conseguiu avançar nas negociações abertas com a montadora chinesa BYD e com as instituições financeiras XP, Banco Inter e Santander para vender os naming rights (direitos de nome) do seu estádio a partir de 2027. A busca por um novo patrocinador ocorre após o encerramento das tratativas para renovar o contrato com a Mondelez International, que batiza o Estádio Cícero Pompeu de Toledo como Morumbis até dezembro de 2026.
Sem acordo encaminhado nesta quinta-feira (15), a expectativa interna é que a definição do substituto fique para a próxima gestão, após as eleições presidenciais do clube marcadas para a primeira quinzena de dezembro de 2026. Caso nenhuma empresa feche negócio até o fim do vínculo atual, a arena na capital paulista voltará a usar apenas o nome tradicional Morumbi no início de 2027.
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Proposta da BYD de R$ 600 milhões pelo Morumbis esfria com crise política
A conversa mais adiantada do São Paulo ocorreu com a BYD, que discutiu rebatizar o local como MorumBYD. A proposta debatida tinha valor estimado em R$ 60 milhões por ano, somando cerca de R$ 600 milhões ao longo de dez anos de contrato, período que ultrapassaria o centenário da instituição em 2030.
As tratativas com a montadora chinesa perderam força em razão da crise política e institucional vivida pelo clube no começo do ano. Em 16 de janeiro de 2026, o Conselho Deliberativo aprovou o afastamento do então presidente Julio Casares por 188 votos a 45, após investigações sobre o suposto recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em espécie e a venda irregular de camarotes no estádio. Casares apresentou carta de renúncia em 21 de janeiro de 2026, e o vice Harry Massis Júnior assumiu a presidência em exercício.
Nas frentes abertas com o setor financeiro, o São Paulo chegou a discutir com a XP possíveis operações financeiras que poderiam incluir os direitos de nome da arena. Assim como ocorreu nas sondagens feitas ao Banco Inter e ao Santander, as conversas não evoluíram para um acerto.
Valores e prazos dos contratos do estádio do São Paulo
A estagnação das conversas também coincidiu com uma mudança no comando do departamento de marketing do clube: Eduardo Toni deixou o cargo de diretor da área em maio de 2026, sendo substituído por André Marques. Os números e prazos que envolvem a transição do patrocínio do estádio são os seguintes:
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- Contrato vigente com a Mondelez: R$ 75 milhões no total por três temporadas (de janeiro de 2024 a dezembro de 2026), com repasse aproximado de R$ 25 milhões por ano ao clube.
- Proposta discutida com a BYD: R$ 60 milhões anuais pretendidos pelo São Paulo, totalizando cerca de R$ 600 milhões por um vínculo de dez anos.
- Frentes sem avanço em 2026: BYD, XP, Banco Inter e Santander foram sondados para assumir a propriedade a partir de 2027.
- Prazo político: primeira quinzena de dezembro de 2026, período previsto para a eleição presidencial que definirá a próxima diretoria.
Preço do cacau e casas de apostas travaram renovação com a Mondelez
O vínculo atual entre o São Paulo e a Mondelez foi assinado no final de 2023 e entrou em vigor em janeiro de 2024. Além de alterar a fachada para Morumbis em alusão ao chocolate Bis, o acordo batizou setores de arquibancada com marcas da empresa, como Lacta, Oreo e Diamante Negro, este último em homenagem ao ex-jogador Leônidas da Silva.
O impasse para prorrogar a parceria se arrastava desde 2025 e seu desfecho veio a público na quarta-feira (14). Dois fatores pesaram contra a continuidade do negócio: a disparada no preço do cacau, que reduziu a capacidade de investimento da holding dona da Lacta, e o aumento da concorrência no mercado publicitário esportivo brasileiro, impulsionado pelos aportes das casas de apostas. Até esta quinta-feira (15), clube e empresa não haviam confirmado nem negado oficialmente o fim das conversas.
Sucessão presidencial no São Paulo em dezembro de 2026
Ainda não há confirmação de proposta formal de outra companhia para assumir o espaço a partir de 2027, nem confirmação sobre a abertura de conversas sob sigilo com marcas que não possuam a letra B no nome. Nos bastidores da política tricolor, os prováveis candidatos à presidência na eleição da primeira quinzena de dezembro de 2026 Marcelo Portugal Gouvêa, pela oposição, e Vinicius de Medeiros, pela situação já buscam alternativas no mercado para viabilizar um novo contrato de naming rights para a próxima gestão.
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