Custo de vida em Florianópolis sobe 5,17% e lidera no país em 2026

Florianópolis

Florianópolis - ByDroneVideos/Shutterstock.com

A inflação acumulada em Florianópolis atingiu 5,17% de janeiro a setembro de 2026, colocando a capital catarinense na liderança da alta do custo de vida entre as capitais brasileiras pesquisadas no período. O resultado divulgado nesta sexta-feira (16) pelo Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), supera em 1,22 ponto percentual a média nacional, que fechou os nove primeiros meses do ano em 3,95%.

O levantamento do Índice de Custo de Vida (ICV), indicador que mede a variação mensal de preços na capital de Santa Catarina, mostra que São Luís (MA), com avanço de 4,72%, e Fortaleza (CE), com 4,52%, ocupam a segunda e a terceira posições no ranking nacional do acumulado do ano. Na outra ponta da tabela, Curitiba (PR) apresentou a menor variação de preços entre as capitais analisadas no mesmo intervalo de nove meses, com taxa acumulada de 2,60%.

Isoladamente no mês de setembro de 2026, o custo de vida em Florianópolis teve elevação de 0,74%. O índice mensal ficou abaixo da variação média brasileira registrada no período, que foi de 0,82%, mas ainda assim manteve o município entre as dez capitais com as maiores altas mensais do país. A coleta de dados ocorreu entre os dias 1º e 30 de setembro de 2026 e avaliou o comportamento de 297 itens, dos quais 127 ficaram mais caros, 97 mantiveram os preços estáveis e 73 registraram queda.

Veja também: Nobel de Economia 2026 entrega US$ 1,2 milhão a Hall e Woodford

Alimentação puxa alta em Florianópolis com tomate 56,50% mais caro

O grupo Alimentação e Bebidas exerceu a maior pressão sobre o orçamento doméstico em Florianópolis durante o mês de setembro de 2026, quando registrou avanço mensal de 1,89% e atingiu alta acumulada de 9,49% nos nove primeiros meses do ano. Esse movimento foi puxado principalmente pelo encarecimento do subgrupo composto por tubérculos, raízes e legumes, que disparou 40,49% em apenas um mês, além dos reajustes observados nas frutas, que subiram 3,59% com altas de 13,01% no morango e de 8,59% na maçã, nos açúcares e derivados, com elevação de 2,84%, nos cereais, leguminosas e oleaginosas, que avançaram 2,70%, nas hortaliças e verduras, com 2,55%, e nas carnes, que ficaram 2,31% mais caras.

Dentro da cesta de alimentos monitorada na capital catarinense, o tomate liderou os reajustes individuais de setembro com alta de 56,50%. A batata inglesa subiu 38,85% no mês, enquanto a cebola de cabeça ficou 31,38% mais cara para o consumidor. Já a alimentação fora do domicílio teve variação positiva de 0,28% no mesmo período.

Confira também: Desterro Rugby forma jovens atletas de graça em Florianópolis

Desempenho dos demais setores do ICV em setembro de 2026

Além dos alimentos, outros cinco grupos que compõem o cálculo da Udesc Esag apresentaram aumento nos preços em setembro, enquanto um setor ficou estável e dois tiveram retração. No caso do setor de Transportes, o resultado mensal refletiu o reajuste de 1,71% no transporte público, impactado pela alta de 5,70% nas passagens aéreas, e o avanço de 1,43% nos combustíveis para veículos. As variações mensais dos demais grupos pesquisados em Florianópolis foram as seguintes:

  • Transportes: alta de 0,89% no mês;
  • Habitação: alta de 0,84% no mês;
  • Artigos de Residência: alta de 0,63% no mês;
  • Despesas Pessoais: alta de 0,22% no mês;
  • Educação: alta de 0,04% no mês;
  • Comunicação: estabilidade de 0,00% no mês;
  • Saúde e Cuidados Pessoais: queda de 0,36% no mês;
  • Vestuário: queda de 0,92% no mês.

Florianópolis tem inflação de 6,08% no acumulado de 12 meses

No recorte de 12 meses, compreendido entre outubro de 2025 e setembro de 2026, Florianópolis acumulou inflação de 6,08% e ocupou a segunda colocação nacional, atrás apenas de Goiânia (GO), que liderou a lista com 6,10%. A taxa registrada na capital catarinense superou em 1,50 ponto percentual a média nacional do período, calculada em 4,58%.

Outras oito capitais brasileiras também encerraram o ciclo de 12 meses até setembro acima da média nacional: Campo Grande (5,48%), São Luís (5,37%), Fortaleza (5,12%), Porto Alegre (5,00%), Grande Vitória (4,91%), Recife (4,77%), São Paulo (4,74%) e Aracaju (4,73%). Por outro lado, as menores taxas acumuladas em um ano foram observadas em Curitiba (2,72%), Belém (4,02%) e Belo Horizonte (4,16%).

Histórico de aceleração de preços em 2026 e metodologia da Udesc Esag

A variação positiva de 0,74% apurada em setembro de 2026 confirmou uma aceleração no ritmo de alta dos preços em Florianópolis na comparação com agosto de 2026, quando o índice mensal havia ficado em 0,35%, e também superou os resultados registrados nos meses de junho, de 0,53%, e de julho, de 0,10%. O cenário atual contrasta com o comportamento verificado em setembro de 2025, mês em que a capital de Santa Catarina teve deflação de 0,11%, mas mantém a tendência observada até agosto de 2026, quando o município já liderava o ranking nacional do ano com taxa acumulada de 4,40%, à frente de Fortaleza, que tinha 3,93%, e de São Luís, então com 3,87%.

Calculado mensalmente pela Udesc Esag desde 1968 com o apoio da Fundação Esag (Fesag), o Índice de Custo de Vida é coordenado pelo administrador Hercílio Fernandes Neto e conta com o suporte técnico da economista Bruna Soto, da Fesag. O levantamento acompanha os preços de 297 bens e serviços consumidos por famílias residentes em Florianópolis que possuem renda mensal entre um e 40 salários mínimos. Para permitir a comparação direta com outras regiões do país, a universidade aplica uma metodologia similar à utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como indicador oficial da inflação no Brasil.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração