Feminicídio no DF: Mayara Varela faz sinal de socorro com a mão antes de morrer baleada pelo ex

Sinal de socorro usado por mulheres em situação de perigo - Globo

Sinal de socorro usado por mulheres em situação de perigo - Globo

A recepcionista Mayara Stephany Varela de Almeida Sousa, de 30 anos, morreu no Hospital de Base do Distrito Federal na manhã desta sexta-feira (16), após ser agredida e baleada na noite de quinta-feira (15) na Candangolândia. O caso é investigado como o 19º feminicídio registrado no Distrito Federal em 2026, e o ex-companheiro da vítima, André Eduardo Alves da Silva, de 40 anos, está foragido.

  • Mayara foi atingida por três tiros na Quadra QR 1A da Candangolândia ao voltar do trabalho.
  • Um vizinho relatou que a vítima fez o sinal universal de socorro com a mão antes dos disparos.
  • O ex-companheiro e pai da filha mais nova de Mayara fugiu após o ataque e é procurado pela polícia.
  • A família aponta disputas pelo pagamento de pensão alimentícia como motivação do crime.

O crime ocorreu por volta das 19h30 de 15 de outubro de 2026, quando Mayara retornava do trabalho e saía de um supermercado. Câmeras de segurança registraram o momento em que o agressor puxou a vítima pelos cabelos, desferiu socos, murros e chutes e atirou três vezes quando ela já estava caída no chão.

Um vizinho contou à família e a moradores que viu Mayara fazer um gesto silencioso com a mão ao ser abordada: palma voltada para fora, polegar dobrado para dentro e os outros quatro dedos fechados sobre ele, movimento reconhecido como o sinal universal de socorro para indicar perigo. A testemunha afirmou que não interveio no momento porque não compreendeu o significado do gesto nem o que acontecia na rua.

O Grupo Tático Operacional do 25º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) prestaram o primeiro atendimento. A vítima deu entrada no hospital em parada cardiorrespiratória e teve o óbito confirmado às 9h desta sexta-feira (16). Não há consenso oficial sobre os locais exatos das perfurações no corpo da vítima.

“A gente mora aqui na rua de trás e eu ouvi os tiros, mas eu nunca imaginei que fosse com a minha filha. Ouvia a ambulância passando também. Eu liguei no celular dela, porque ela nunca se atrasa, ela é muito responsável. Eu liguei no celular dela e a médica atendeu, falou que a minha filha estava no hospital, baleada”, disse Josilene Varela, mãe da vítima.

Investigação do crime na Candangolândia e histórico de André Eduardo Alves da Silva

A 11ª Delegacia de Polícia, no Núcleo Bandeirante, conduz as buscas por André Eduardo Alves da Silva, que atua na área de Tecnologia da Informação. Mayara, que já havia trabalhado como cabeleireira no Sudoeste, deixa dois filhos, de 12 e 3 anos. A criança mais nova é filha do suspeito, de quem a recepcionista estava separada havia dois anos.

Familiares relataram que o ex-casal tinha conflitos frequentes pela cobrança judicial da pensão alimentícia da menina de 3 anos. “Eles brigavam muito, porque ele não aceitava o pedido de pensão, demorava para pagar. Então todo mês era uma briga. Eu fiz a minha filha registrar uma ocorrência contra ele por Maria da Penha”, afirmou a mãe da vítima.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), acionou a Secretaria da Mulher para dar suporte à família e informou que Mayara não tinha medida protetiva vigente. “Essa mulher tinha uma ocorrência em 2024 ou 2025, mas no boletim está registrado que foi oferecido o programa Viva Flor e ela disse que não precisava”, declarou a governadora, em referência à rede estadual de proteção a mulheres vítimas de violência. “Quando eles falam que vão nos matar, eles podem nos matar de verdade”, acrescentou Celina Leão.

Cronologia das ocorrências envolvendo Mayara Varela e o suspeito

  • 2024 ou 2025 — Mayara registra boletim de ocorrência contra o ex-companheiro por agressões verbais, insultos e xingamentos, mas recusa inclusão no programa Viva Flor.
  • Janeiro de 2026 — André Eduardo Alves da Silva passa a responder a outro processo por violência contra a mulher, injúria e crimes contra a honra; como a ação corre em segredo de Justiça, não há confirmação oficial se Mayara era a vítima.
  • 15 de outubro de 2026 — A recepcionista é espancada e baleada às 19h30 na Candangolândia e levada ao Hospital de Base.
  • 16 de outubro de 2026 — A morte de Mayara é confirmada às 9h e a Polícia Civil realiza buscas pelo suspeito foragido.

Canais de denúncia de violência contra a mulher no Distrito Federal

Qualquer cidadão pode denunciar casos de agressão doméstica ou fornecer informações sobre o paradeiro de suspeitos foragidos no Distrito Federal. O atendimento funciona pelo telefone 190, da Polícia Militar, pelo número 197 ou presencialmente nas delegacias da Polícia Civil, e pelo disque 180, da Central de Atendimento à Mulher. Mulheres em situação de risco também podem requerer medidas protetivas na delegacia para obrigar o afastamento do agressor.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.