Gaeco prende Renato Purini, marido da prefeita de Bauru, em SP

Renato Purini - Adriano Baracho/TV TEM

Renato Purini - Adriano Baracho/TV TEM

O secretário municipal de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), Renato Purini, foi preso em casa na manhã desta sexta-feira (16) durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia. A ofensiva do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Militar, apura suspeitas de fraude e direcionamento na licitação da concessão do lixo no município, contrato estimado em R$ 5,2 bilhões por 30 anos e já cancelado pela administração.

A operação começou às 6h (horário de Brasília) com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência do casal, no condomínio de alto padrão Spazio Verde, na zona sul de Bauru, e no prédio da Prefeitura. Após ser detido na residência, Purini foi levado em uma viatura policial até a sede do Executivo, onde entrou algemado para acompanhar as buscas.

Posicionamento da Prefeitura de Bauru e o que ainda não foi divulgado

Em nota oficial, a administração municipal confirmou a presença dos agentes nas dependências do Executivo, mas declarou não ter acesso aos detalhes do inquérito. “Até o momento, o Município não foi oficialmente informado sobre o objeto da ação. A Prefeitura permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário e prestar os esclarecimentos eventualmente solicitados”, informou a Prefeitura de Bauru.

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Os fundamentos específicos do mandado de prisão de Renato Purini — se temporária ou preventiva — e o teor detalhado dos materiais apreendidos em 16 de outubro de 2026 ainda não haviam sido divulgados oficialmente pelo Gaeco até o fechamento desta apuração.

Prisões e réus na investigação de R$ 5,2 bilhões em Bauru

As investigações do Ministério Público começaram em março de 2026, a partir de denúncias de ameaças contra trabalhadores da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam), entidade que mantinha contratos superiores a R$ 5 milhões com o município com dispensa de licitação. Segundo a apuração, o empresário Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da Ascam, Gisele Moretti, tinha ligação com uma facção criminosa e intimidava os catadores. A interceptação telefônica do casal revelou articulações para cobrar propina e interferir na concessão de resíduos sólidos, o maior contrato da história da cidade.

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De acordo com o Gaeco, o grupo atuava para direcionar as regras do edital a favor da empresa Estre Ambiental com o auxílio de integrantes do governo. O Ministério Público aponta que a ex-secretária municipal de Meio Ambiente Cilene Chabuh Bordezan mantinha um relacionamento amoroso com o proprietário e diretor-executivo (CEO) da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, permitindo que a concessionária elaborasse documentos e pareceres oficiais de dentro da prefeitura. Além de Bordezan, Agle, Moretti e Silva Filho, a primeira fase da operação prendeu temporariamente o ex-secretário de Negócios Jurídicos Vitor João de Freitas Costa, a ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente Sara Moura de Jesus e a funcionária da Estre Ambiental Talita de Andrade Soares Chieregatti.

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Cronologia da Operação Cavalo de Troia e depoimento na Câmara

Na quarta-feira (14) e na quinta-feira (15), a situação prisional dos investigados registrou desdobramentos comunicados pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Chieregatti teve a prisão preventiva convertida em domiciliar a pedido da defesa, por motivo de doença e pelo sofrimento da filha, enquanto outros quatro detidos seguiam em unidades prisionais e o ex-consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) Mário Luiz permanecia foragido.

  • 9 de setembro de 2026: Gaeco deflagra a primeira fase da Operação Cavalo de Troia e prende sete investigados temporariamente.
  • 25 de setembro de 2026: Ministério Público oferece denúncia à Justiça contra os integrantes do esquema.
  • 7 de outubro de 2026: A 3ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores aceita a denúncia e torna seis investigados réus por organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, contratação direta ilegal, corrupção ativa e passiva e falsidade documental; na mesma data, Talita Chieregatti deixa a Penitenciária Feminina de Sant’Ana.
  • 15 de outubro de 2026: SAP comunica oficialmente a concessão de prisão domiciliar à funcionária da Estre Ambiental.
  • 16 de outubro de 2026, às 14h (horário de Brasília): Horário agendado para o depoimento da prefeita Suéllen Rosim à Comissão Processante (CP) do Lixo na Câmara Municipal de Bauru, que apura possíveis infrações político-administrativas na condução da concessão.
Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração