Lula defende divisão de ministérios para aprovar projetos no país

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Lula - Globo/ Manoella Mello Foto: Lula - Globo/ Manoella Mello

O presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a distribuição de ministérios a diferentes partidos políticos na quinta-feira (15), no Rio de Janeiro. Durante a sabatina do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o chefe do Executivo afirmou que a presença de diversas legendas na administração federal garantiu a aprovação de 99% das propostas enviadas ao Congresso Nacional.

A entrevista foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, após a exibição do Jornal Nacional. Questionado sobre a dificuldade de governar diante de um Poder Legislativo que poderia ser mais hostil em um eventual novo mandato, o candidato contestou a avaliação de que a articulação política teria falhado na atual gestão. “Todos participaram de ministérios do meu governo, o PP, o União Brasil, o PSD, MDB. Ou seja, nós tivemos uma grande participação das pessoas no governo. É por isso que nós conseguimos aprovar tudo e, se não for assim, você não governa o país”, declarou.

Articulação de Lula com PP, União Brasil, PSD e MDB no Congresso

Ao explicar a formação da base aliada no Parlamento, o candidato do PT argumentou que um novo mandato precisará manter a frente ampla de alianças diante da composição das bancadas. Para exemplificar o resultado da negociação com siglas de diferentes correntes políticas, o presidente mencionou a aprovação da reforma tributária, texto cuja votação era aguardada havia cerca de 40 anos no país, além do avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC, projeto que altera a Constituição Federal) pelo fim da escala de trabalho 6×1.

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Levantamento de votações na Câmara dos Deputados aponta que 72% dos votos de parlamentares filiados a partidos com comando de ministérios foram favoráveis ao Palácio do Planalto ao longo do mandato, mas a base governista também registrou derrotas no período, como a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF, a mais alta corte do Poder Judiciário brasileiro). Na entrevista, o presidente acrescentou que não cobrou de ministros de outras legendas apoio na atual campanha presidencial, comparando a postura com a adotada na eleição de 2006.

Sobre a extensão das alianças partidárias, o presidente declarou que “todos os partidos, com exceção do PL, participaram do meu governo” e justificou a medida pelo tamanho da bancada petista no início do mandato, em um total de 513 deputados federais e 81 senadores. Os registros sobre a composição da Câmara e da Esplanada dos Ministérios a partir da eleição de 2022 apresentam diferentes dados:

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  • Segundo declaração de Lula na sabatina, o PT contava com 70 deputados federais e 9 senadores quando ele foi eleito em 2022, e apenas o PL ficou fora do governo.
  • Segundo dados eleitorais e de composição ministerial, o PT elegeu 68 deputados federais em 2022 dentro da Federação Brasil da Esperança (união partidária formada por PT, PV e PCdoB) e 9 senadores, enquanto siglas como Novo, PSDB, Podemos, Avante e Solidariedade também não ocuparam pastas no primeiro escalão.

Balanço do mandato de Lula e posição sobre maioridade penal

Durante o balanço das ações administrativas realizadas desde o início da gestão, o presidente mencionou as condições orçamentárias encontradas antes da posse e comentou a comunicação das medidas governamentais aos eleitores. “Quase tudo estava desmontado nesse país, tivemos que fazer uma PEC da Transição para governar antes de eu tomar posse, porque não tinha dinheiro para nada. Acho que fizemos muita coisa, mas lamento que não tive capacidade de fazer o povo compreender as coisas que fiz”, afirmou.

Ainda na sabatina realizada no Rio de Janeiro, o candidato à reeleição manifestou posição sobre as propostas na área de segurança pública que tramitam no Poder Legislativo. O presidente declarou pela primeira vez ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes hediondos (delitos de extrema gravidade definidos em lei, como estupro e latrocínio), desde que a mudança ocorra fora do texto da PEC da Segurança Pública.

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026

A rodada de entrevistas na televisão reúne os dois candidatos que avançaram ao segundo turno da disputa presidencial de 2026 para debater propostas de campanha e condições de governabilidade no Congresso Nacional. No primeiro turno da eleição, o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva ficou na segunda colocação, com 45,16% dos votos válidos, o que representou uma diferença de 1,87 ponto percentual entre os dois concorrentes.

De acordo com o cronograma da série de sabatinas, Flávio Bolsonaro será entrevistado nesta sexta-feira (16), também nos Estúdios Globo, logo após o Jornal Nacional. A votação do segundo turno das eleições presidenciais está marcada para 25 de outubro de 2026.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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