Newton Ramos relata uso de remédios após caso de R$ 427 milhões

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remédio - Towfiqu ahamed barbhuiya/Shutterstock.com

O desembargador Newton Pereira Ramos Neto, conhecido como Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), procurou autoridades em Brasília nesta sexta-feira (16) para pedir apoio e relatar que ele e a esposa, a advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, estão tomando medicação para insônia. O quadro médico do casal teve início após a revelação de trocas de mensagens e de contratos milionários firmados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Os diálogos de WhatsApp envolvendo o magistrado, a advogada Camilla Ramos e o empresário vieram a público em setembro de 2026 e citam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Nas conversas registradas pelo aplicativo, o desembargador e a esposa eram identificados como integrantes da chamada Turma do KN, expressão usada em referência direta às iniciais do nome do ministro da Suprema Corte.

Até a publicação desta reportagem, em 16 de outubro de 2026, os nomes específicos das autoridades procuradas pelo desembargador Newton Ramos para pedir apoio não haviam sido divulgados.

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Contrato do Banco Master com escritório de Camilla Ramos previa R$ 427 milhões

O centro das apurações sobre a relação entre o casal e o empresário envolve a atuação do escritório de advocacia Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, do qual Camilla Ramos é sócia, em processos de interesse do Banco Master. A instituição financeira de Daniel Vorcaro firmou um contrato de honorários com a banca que estabelecia um ganho líquido de 5% sobre o êxito das causas, o que poderia render até R$ 427 milhões aos advogados caso os recursos fossem liberados pela Justiça. Esse acordo abrangia 20 ações judiciais, divididas em 12 casos distintos, que tratavam da liberação de aproximadamente R$ 8,5 bilhões em precatórios — requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário após condenação definitiva do poder público — ligados a usinas do setor sucroalcooleiro.

Em nota divulgada anteriormente sobre o caso, o escritório de Camilla Ramos confirmou a existência do contrato formal com o Banco Master para atuar nas causas de precatórios. A banca declarou, contudo, que não recebeu valores a título de pró-labore (remuneração inicial pelo trabalho) ou de taxa de êxito, e acrescentou que o desembargador Newton Ramos se declara impedido de julgar processos que tenham a participação do escritório da esposa no TRF-1.

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Mensagens de Daniel Vorcaro citam Kassio Nunes Marques e despesas no Carnaval

Além das tratativas financeiras sobre os processos judiciais, os registros do aplicativo WhatsApp mostram a proximidade entre o casal e o dono do Banco Master. Em um dos trechos das conversas com Daniel Vorcaro

, o desembargador e a advogada comemoraram um voto proferido por Kassio Nunes Marques em um julgamento que era de interesse direto do ex-banqueiro.

As mensagens reveladas apontam ainda que o dono do Banco Master custeou despesas de lazer e hospedagem ligadas ao grupo. Os registros indicam o pagamento, por parte de Daniel Vorcaro, de uma diária no Hotel Fasano para o ministro Kassio Nunes Marques, do aluguel de uma mansão no Rio de Janeiro para que a Turma do KN assistisse ao desfile das campeãs do Carnaval de 2024 e dos serviços de uma acompanhante de luxo.

Operação no TRF-1 e investigação no CNJ contra Newton Ramos

A revelação dos diálogos e dos negócios jurídicos desencadeou medidas administrativas e policiais no Poder Judiciário e no meio político a partir de setembro de 2026. O corregedor nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Benedito Gonçalves, instaurou um procedimento de caráter sigiloso na Corregedoria do órgão para investigar a conduta funcional do desembargador Newton Ramos. Antes de ingressar como magistrado titular no TRF-1 em 2023, Newton Ramos havia trabalhado diretamente com Kassio Nunes Marques, exercendo a função de juiz auxiliar do gabinete quando o atual integrante do STF ocupava o cargo de vice-presidente daquele mesmo tribunal regional.

Em 24 de setembro de 2026, por ordem direta do corregedor Benedito Gonçalves, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e realizaram uma correição extraordinária — fiscalização administrativa de urgência — dentro do gabinete de Newton Ramos na sede do TRF-1, em Brasília. A diligência policial ocorreu exatamente um dia depois de o plenário do CNJ decidir pelo cancelamento dos precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro que haviam sido negociados com o Banco Master.

Na ocasião da batida policial em seu local de trabalho, o desembargador Newton Ramos divulgou uma nota pública na qual classificou o procedimento de correição e a operação ordenada pelo CNJ em seu gabinete como uma medida “natural e regular”. Já na esfera política, o Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou um pedido formal de investigação contra o ministro Kassio Nunes Marques em razão das menções ao seu nome divulgadas nas mensagens. Sobre o episódio, o ministro do STF declarou anteriormente que não nega a relação de amizade com o desembargador do TRF-1 nem o fato de a sigla KN fazer referência às suas iniciais, mas afirmou que nunca trocou mensagens com Daniel Vorcaro e que jamais autorizou terceiros a falar em seu nome.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração
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