Pesquisadora Darya Shipilova morre em laboratório russo de peste

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Cientista, pesquisa, microscópio, laboratório - New Africa/shutterstock.com

A bioquímica e pesquisadora Darya Shipilova, de 28 anos, que atuava no Instituto de Pesquisa Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, em Irkutsk, na Rússia, morreu em um hospital da cidade vizinha de Shelekhov após apresentar um quadro grave de pneumonia. O óbito reacendeu a desconfiança internacional sobre a segurança das pesquisas biomédicas russas e o histórico de segredo das instalações herdadas da União Soviética.

A agência federal de vigilância sanitária da Rússia (Rospotrebnadzor) descartou a hipótese de peste pneumônica — a forma mais virulenta da doença causada pela bactéria Yersinia pestis e a única transmissível entre humanos por gotículas respiratórias — e declarou que a morte decorreu de uma pneumonia de origem desconhecida. Apesar de negar falhas de biossegurança ou relação com os patógenos manipulados por Shipilova, o governo russo enviou a chefe da Rospotrebnadzor, Anna Popova, de Moscou para a região.

Cronologia do caso de Darya Shipilova na Sibéria

Foto: Laboratório exame – Foto: Inna Dodor/Shutterstock.com

A sequência de eventos envolvendo a técnica de laboratório mobilizou autoridades locais e internacionais ao longo de duas semanas:

  • 25 de setembro de 2026: data de uma suposta quebra acidental de um tubo de ensaio com a bactéria da peste no laboratório, versão não confirmada pelo governo russo;
  • 29 de setembro de 2026: Darya Shipilova é internada em estado grave com pneumonia em Shelekhov;
  • 2 de outubro de 2026: a pesquisadora morre no hospital regional de Shelekhov;
  • 4 de outubro de 2026: a Rospotrebnadzor emite nota oficial atribuindo o óbito a pneumonia de causa desconhecida;
  • 5 de outubro de 2026: o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirma que Washington acompanha a situação;
  • 7 de outubro de 2026: Moscou informa que a funcionária era vacinada contra a peste e que os exames descartaram patógenos perigosos.

Como funcionava o sistema antipeste da União Soviética em Irkutsk?

O Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk nunca operou como base militar, mas integrou o sistema antipeste criado pela União Soviética no início do século 20 para vigiar cepas da bactéria em roedores silvestres como ratos, gerbos e marmotas, prevenir surtos rurais e produzir vacinas. Entre as décadas de 1920 e 1950, a rede deixou as expedições rudimentares a cavalo e abriu laboratórios urbanos com milhares de funcionários permanentes e trabalhadores sazonais, que também forneciam amostras de patógenos para programas militares soviéticos de armas biológicas.

“O objetivo era que cada um funcionasse como um instituto central, monitorando as vastas áreas ao redor, inclusive as estepes com grandes populações de roedores silvestres que vivem em tocas”, afirmou Susan D. Jones, historiadora da medicina veterinária da Universidade de Minnesota.

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Em ensaio publicado em 1994 e em antologias históricas, o ex-pesquisador soviético Moisey Iosifovich Levi relatou que o trabalho ocorria sob estrito segredo, com registros de incêndios, surtos em cobaias e extravio de amostras. Para ocultar a finalidade dos prédios, os laboratórios imitavam edifícios residenciais, onde cientistas cultivavam jardins, mantinham janelas abertas e circulavam com roupas comuns ou pijamas. Segundo Sonia Ben Ouagrham-Gormley, pesquisadora de biodefesa da Universidade George Mason, “a biossegurança e a bioproteção eram muito diferentes do que temos nos países ocidentais”.

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“Chegamos lá para uma visita e, no laboratório, havia uma mesa sob uma janela escancarada, porque era verão e não havia ar-condicionado, e havia pilhas de culturas da bactéria da peste sobre a mesa”, disse Ben Ouagrham-Gormley sobre vistorias feitas com o Centro James Martin de Estudos sobre Não Proliferação, onde viram controles em papel e refrigeradores selados com cera.

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Números da investigação sobre Darya Shipilova e monitoramento

Enquanto antigas unidades em ex-repúblicas soviéticas, como uma visitada por Jones no Cazaquistão em 2018, receberam áreas de contenção hermeticamente fechadas e abriram as portas a cientistas estrangeiros, os centros russos seguem sob forte vigilância. Os dados das ações ligadas ao caso e às vistorias históricas incluem:

  • 200 pessoas: quantidade aproximada de contatos de Shipilova colocados sob quarentena ou observação médica pelas autoridades russas;
  • 5.000 testes: total de exames realizados pelo governo russo após a morte da bioquímica;
  • Mais de 100 instalações: total de laboratórios da antiga União Soviética inspecionados por pesquisadores no início dos anos 2000.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre qual patógeno específico provocou a pneumonia que matou Darya Shipilova

, nem verificação independente sobre a quebra do tubo de ensaio ou rumores de uma segunda morte na região. A Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou mais dados à Rússia, informou que nenhum caso de peste foi registrado oficialmente e classificou o risco regional e global como baixo. Nos Estados Unidos, Marco Rubio declarou, em tradução livre: “Estamos observando e monitorando isso de perto. Não acho que seja motivo para alarme, mas é motivo para foco e apenas para ficar de olho nisso.”
Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing