Salário mínimo de R$ 1.741 pauta campanha de Lula e Flávio Bolsonaro

Carteira de Trabalho, cédulas de cem reais, salário mínimo

Carteira de Trabalho, cédulas de cem reais, salário mínimo - Foto: filipefrazao/ Istockphoto.com

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Nantes Bolsonaro (PL) apresentaram nesta sexta-feira (16) as diretrizes para o reajuste do salário mínimo a partir de 2027. Enquanto a gestão petista confirma a manutenção da regra que limita o ganho real a 2,5% acima da inflação, a chapa do PL promete aumentos reais na propaganda eleitoral, mas não detalha a fórmula técnica de cálculo que pretende adotar.

Falando em nome da candidatura à reeleição do PT, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que um eventual novo mandato manterá o modelo atual e o atrelamento do piso aos benefícios previdenciários. “Será dada continuidade ao processo de ajuste fiscal iniciado em 2023, que reduziu o déficit em, aproximadamente, 2% do PIB, preservando a fórmula de reajuste do salário mínimo, com ganho real, conforme proposta apresentada e aprovada, bem como as vinculações aplicáveis aos benefícios previdenciários”, informou Durigan.

Propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para o salário mínimo e o INSS

Do lado do PL, o plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não estabelece uma regra específica para a correção do piso nacional. Questionada sobre o formato exato de reajuste e a manutenção da vinculação previdenciária, a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que o candidato não mexerá no salário mínimo nem na aposentadoria dos brasileiros, apontando que o ajuste das contas ocorrerá pelo corte de despesas. “Ao contrário do cenário de caos nas contas públicas criado por Lula, o processo de consolidação fiscal proposto pela equipe de Flávio Bolsonaro será feito pelo lado da despesa, com o fim de privilégios e penduricalhos e a racionalização de gastos ineficientes, com redução de impostos (…) Agiremos com responsabilidade, eficiência e coragem para racionalizar despesas e reconstruir as contas públicas. O Brasil será recolocado no caminho da prosperidade e desenvolvimento”, declarou a equipe do candidato.

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Ao longo de 2026, interlocutores da campanha do PL chegaram a apresentar a empresários e agentes do mercado financeiro propostas em estudo para desvincular o piso das aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, dos aumentos reais do salário mínimo, corrigindo esses pagamentos apenas pela inflação. Após a repercussão do tema, o candidato e sua equipe negaram cortes. “Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil”, disse Flávio Bolsonaro. Em 25 de setembro de 2026, o ex-ministro de Minas e Energia e coordenador da área econômica do plano de governo do PL, Adolfo Sachsida, também declarou que a campanha preparou medidas para garantir a continuidade da vinculação entre o piso salarial e os benefícios previdenciários para proteger os idosos.

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Ainda não há confirmação sobre qual seria a fórmula exata ou o percentual de ganho real que Flávio Bolsonaro adotaria para corrigir o salário mínimo acima da inflação caso seja eleito, uma vez que a campanha não respondeu a esse questionamento.

Quem recebe o salário mínimo e previsão de R$ 1.741 para 2027

Pela Constituição brasileira, o piso nacional deve passar por reajustes periódicos que preservem o poder de compra do trabalhador, utilizando como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O valor serve de referência para 61,9 milhões de pessoas no Brasil, incluindo cerca de 29,3 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que não podem receber benefício inferior ao mínimo.

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“O salário mínimo tem enorme alcance social, servindo de referência direta para trabalhadores assalariados, servidores públicos, beneficiários da Previdência Social, do BPC e do abono salarial, além de influenciar a remuneração de trabalhadores sem carteira assinada. Ao elevar o piso nacional, a política contribuiu para a redução das desigualdades salariais, inclusive entre homens e mulheres, negros e não negros e entre diferentes regiões do país”, afirmou o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm indexação no salário mínimo”, declarou o ministro Dario Durigan.

Para o trabalhador e o segurado do INSS acompanharem os valores vigentes e as projeções oficiais enviadas ao Congresso Nacional em 31 de agosto de 2026 por meio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), os números definidos pelo governo federal são os seguintes:

  • Valor mensal em vigor desde 1º de janeiro de 2026 (fixado pelo Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025): R$ 1.621, o que equivale a R$ 54,04 por dia e R$ 7,37 por hora.
  • Valor mensal projetado no PLOA para vigorar a partir de 1º de janeiro de 2027: R$ 1.741, representando um aumento nominal de R$ 120 (alta de 7,4%).
  • Impacto na economia em 2026: injeção estimada pelo Dieese de R$ 81,7 bilhões no país.
  • Previsão de despesas com benefícios do INSS em 2027: R$ 1,218 trilhão segundo o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), uma alta de 7,92% em relação a 2026.

Histórico de reajustes do salário mínimo e impacto na dívida pública

A regra de cálculo do piso mudou entre as últimas gestões presidenciais. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), a equipe chefiada pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes, corrigiu o salário mínimo apenas pelo INPC do ano anterior, sem ganho real. Em outubro de 2022, Guedes chegou a mencionar a desindexação dos benefícios previdenciários, mas recuou dias depois e prometeu alta real para 2023. Ao assumir o terceiro mandato em 2023, Lula retomou a fórmula da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, que somava a inflação do ano anterior à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. No fim de 2024, o Congresso aprovou a adequação da regra ao arcabouço fiscal, estabelecendo um piso de 0,6% e um teto de 2,5% para o ganho real.

No reajuste de 2026, que elevou o valor em R$ 103 (alta de 6,79%), o cálculo considerou o INPC de 4,18% mais o crescimento do PIB de 3,4%, que acabou travado no limite de 2,5%. Sem essa trava do arcabouço, o piso teria alcançado R$ 1.636, segundo o Dieese. Por outro lado, cálculos confirmados pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, apontam que o salário mínimo seria de R$ 1.451 em 2026 — R$ 170 abaixo do atual — caso tivesse continuado desde 2023 a política de correção exclusiva pela inflação.

Se por um lado a valorização do salário mínimo estimula o consumo, o PIB e a arrecadação federal, por outro amplia as despesas obrigatórias da União e pressiona a inflação. As contas do governo federal registram déficits primários seguidos desde 2014, com exceção de 2022, ano influenciado pelo limite no pagamento de precatórios e por dividendos de estatais, e tiveram rombo recorde em 2020 durante a pandemia de Covid-19. Somado a outras despesas obrigatórias e reajustes de servidores, o crescimento real do piso contribuiu para elevar a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que atingiu 82,9% do PIB em agosto de 2026, o equivalente a cerca de R$ 11,1 trilhões segundo dados divulgados pelo Banco Central em 30 de setembro de 2026.

A definição sobre qual política econômica conduzirá o salário mínimo a partir de 2027 ocorrerá no segundo turno da eleição presidencial, marcado para o domingo, 25 de outubro de 2026, após Flávio Bolsonaro receber 47,03% dos votos válidos (56.104.268 votos) e Lula alcançar 45,16% (53.876.617 votos) no primeiro turno realizado em 4 de outubro de 2026.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração