Alma Gêmea tem elenco mirim atuando na engenharia, psicologia, dublagem e publicidade após 21 anos da estreia

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Atores de Alma Gemea Foto: Atores de Alma Gemea- Foto: reprodução TV Globo e Instagram

O elenco infantil da novela Alma Gêmea, exibida originalmente pela TV Globo a partir de 20 de junho de 2005, seguiu caminhos profissionais variados nas duas décadas seguintes à estreia da produção. Escrita por Walcyr Carrasco e com direção geral e de núcleo de Jorge Fernando, a obra abordou temas como reencarnação e amor eterno, consolidando altos índices de audiência na teledramaturgia e revelando jovens talentos. Passados 21 anos desde que a trama foi ao ar pela primeira vez, a maioria das crianças e adolescentes que integraram a história decidiu se afastar das câmeras para construir carreiras em áreas diversas do mercado de trabalho.

A ex-atriz Cecília Dassi, intérprete da personagem Mirella no folhetim, exemplifica esse movimento de mudança no rumo de vida. Ela encerrou os trabalhos na dramaturgia em 2012 para se dedicar à psicologia, área na qual atende, inclusive, artistas que enfrentam dificuldades ligadas à exposição pública. Nascida em 6 de dezembro de 1989, a profissional de 36 anos utiliza as plataformas digitais para divulgar conteúdos sobre saúde mental, enquanto colegas de elenco, como Davi Lucas, também deixaram a rotina de gravações para exercer novas profissões.

Atuação de Cecília Dassi no atendimento psicológico a artistas

No grupo de jovens de Alma Gêmea, Cecília Dassi teve um dos papéis de maior projeção ao interpretar a sensível Mirella. Na época em que gravou a trama, ainda adolescente, ela já acumulava passagens pela televisão desde a estreia em 1996, aos seis anos. Apesar do reconhecimento obtido junto ao público, ela optou por realizar uma transição profissional em 2012, substituindo os estúdios pelos atendimentos em consultório. Na atuação como psicóloga, consolidou o nome no suporte emocional voltado a jovens atores.

Por meio de seus perfis na internet, a psicóloga divide com o público registros do cotidiano de trabalho, aspectos da rotina pessoal e análises técnicas sobre bem-estar emocional. O direcionamento adotado por ela representa um dos casos mais conhecidos de mudança de ofício entre profissionais que passaram a infância trabalhando sob a visibilidade da televisão.

Cecilia Dassi
Cecilia Dassi – Foto: Reprodução TV Globo/ Instagram

Escolha de Davi Lucas pela formação acadêmica e clínica

Trajetória semelhante na área da saúde mental foi percorrida por Davi Lucas, responsável por viver o garoto órfão Terê nos capítulos de Alma Gêmea. Tendo iniciado a caminhada nas artes cênicas ainda na infância, ele tomou a decisão de encerrar as atividades como ator em 2016. Na sequência, matriculou-se no curso superior de psicologia, campo em que estabeleceu a nova rotina de trabalho.

Formado e atuando regularmente na profissão escolhida, o ex-ator mantém um cotidiano reservado e distante da cobertura midiática. Ao iniciar a jornada na psicologia, ele também alterou a forma como assina o próprio nome profissionalmente, demarcando a separação entre o passado na teledramaturgia e a dedicação ao cuidado clínico.

Davi Lucas Ator de Alma Gemea
Davi Lucas Ator de Alma Gêmea

Carreira científica de Caroline Smith na engenharia mecânica

O caminho das ciências exatas foi a escolha de Caroline Smith, que interpretou a menina Ritinha durante a exibição da novela. Depois de ganhar projeção ainda criança na televisão, ela deixou os roteiros de ficção para trás com o objetivo de priorizar os estudos universitários. Formada como engenheira mecânica, deu sequência à qualificação acadêmica ingressando na pós-graduação até a etapa final do doutorado.

Distante dos veículos de comunicação, a engenheira preserva a privacidade mantendo as contas em redes sociais fechadas para o público geral. As publicações feitas por ela restringem-se ao círculo de familiares e amigos próximos, com quem divide os avanços obtidos na pesquisa científica e na vida acadêmica.

Caroline Smith - Atriz de Alma Gemea
Caroline Smith – Atriz de Alma Gemea- Foto: reprodução TV Globo e Instagram

Trabalho de Renan Ribeiro na comunicação e na música

Intérprete do garoto mimado Carlito em Alma Gêmea, Renan Ribeiro manteve o vínculo com processos criativos, porém fora da dramaturgia televisiva. O último registro dele em novelas ocorreu na produção Gabriela, levada ao ar em 2012, período após o qual se desligou da função de ator para estudar publicidade e propaganda, concluindo a graduação em 2019. Ele exerce o cargo de diretor de comunicação, conciliando a atividade executiva com o trabalho de cantor e compositor.

A rotina dividida entre o mercado publicitário e as composições musicais permitiu que o profissional unisse a formação universitária à expressão artística. Dessa maneira, o vínculo com o setor cultural permaneceu ativo em sua vida adulta, ainda que em um formato diferente daquele experimentado nos estúdios de televisão durante a infância.

Renan Ribeiro
Renan Ribeiro – Foto: Reprodução TV Globo/ Instagram

Permanência de Pamella Rodrigues no setor audiovisual

Entre os nomes do núcleo infantil da trama de 2005, Pamella Rodrigues, que deu vida à pequena Paulina,optou por seguir dentro da indústria do entretenimento, direcionando o foco para os estúdios de dublagem. Com menos exposição de imagem, ela passou a trabalhar com a voz em produções audiovisuais estrangeiras e nacionais, abrangendo filmes, seriados e desenhos animados. Um dos trabalhos mais conhecidos de seu currículo vocal é a personagem Princesa Jujuba, da série de animação Hora de Aventura.

Tendo começado a atuar muito cedo, a profissional figura no grupo restrito de ex-atores mirins de Alma Gêmea que seguiram carreira contínua no meio artístico. A especialização na dublagem garantiu a ela espaço constante de trabalho na dramaturgia, atuando nos bastidores de produções de grande alcance.

Pamella Rodrigues
Pamella Rodrigues- Foto: reprodução TV Globo e Instagram

Rotina de Victor Cugula na música eletrônica e no esporte

O papel do personagem José Aristides coube na infância a Victor Cugula, que posteriormente também se desligou das artes cênicas para ingressar no mercado da música eletrônica. Atuando profissionalmente como DJ, ele utiliza a internet para divulgar agendas, apresentações e bastidores de sua atividade musical. Paralelamente às cabines de som, o ex-ator passou a produzir conteúdo voltado ao condicionamento físico e à prática esportiva.

A disciplina com os treinos e os hábitos voltados à saúde física tornaram-se marcas de sua presença digital, atraindo o interesse de jovens que acompanham sua rotina. Assim como outros colegas de elenco, a trajetória de Cugula ilustra a migração do trabalho infantil na televisão para setores distintos de atuação na fase adulta.

Victor Cugula, que interpretou o jovem José Aristides
Victor Cugula, que interpretou o jovem José Aristides – Foto: reprodução TV Globo e Instagram

Audiência e histórico de exibições da obra na TV Globo

Ambientada inicialmente na década de 1920, a narrativa de Alma Gêmea apresentou a história do botânico Rafael, vivido por Eduardo Moscovis, e da bailarina Luna, papel de Liliana Castro, cujo romance é interrompido pelo assassinato da jovem em um assalto planejado pela governanta Cristina, interpretada por Flávia Alessandra. A trama avança cerca de 20 anos mostrando o reencontro do protagonista com sua amada reencarnada na jovem indígena Serena, vivida por Priscila Fantin. Exibida na faixa das 18h da TV Globo, a produção alcançou médias superiores a 40 pontos no Ibope, articulando temas como espiritualidade e diferenças sociais.

Ao longo das décadas, a novela manteve forte apelo junto aos telespectadores em suas reapresentações na faixa Vale a Pena Ver de Novo e também na televisão por assinatura, renovando o interesse do público pelo destino dos profissionais que trabalharam na obra. Nas redes sociais, espectadores seguem comentando as cenas clássicas e acompanhando as profissões escolhidas pelos antigos integrantes do elenco infantil. Os principais dados técnicos e de transmissão do folhetim incluem:

  • Período de transmissão original: de 20 de junho de 2005 a 10 de março de 2006, somando 227 capítulos na faixa das 18h da TV Globo.
  • Criação e equipe: texto de Walcyr Carrasco com colaboração de Thelma Guedes, direção de Fred Mayrink e Pedro Vasconcelos, e direção geral e de núcleo de Jorge Fernando.
  • Desempenho de audiência: média de 40 pontos nas medições do Ibope durante a exibição original, figurando entre as marcas mais expressivas do horário.
  • Histórico de reprises: reexibida duas vezes na sessão vespertina Vale a Pena Ver de Novo, nos períodos de 2009 a 2010 e em 2024, além de ter ido ao ar no canal pago Viva entre janeiro e outubro de 2022.

O desempenho sustentado pela obra tanto na transmissão inédita quanto nas reexibições apoiou-se na combinação entre o roteiro melodramático e a participação de todo o elenco, mantendo na memória do público os trabalhos realizados na infância por Cecília Dassi, Davi Lucas, Caroline Smith, Renan Ribeiro, Pamella Rodrigues e Victor Cugula.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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