Barcelona venceu disputa com Real Madrid por Neymar mesmo com oferta 100 milhões de euros menor

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Christian Bertrand / Shutterstock.com

O atacante Neymar da Silva Santos Júnior abriu mão de uma diferença salarial e contratual de aproximadamente 100 milhões de euros oferecida pelo Real Madrid para assinar com o Barcelona em maio de 2013. Os bastidores da operação foram detalhados pelo empresário André Cury, ex-executivo do Barcelona para o mercado da América do Sul e intermediário direto na saída do jogador do Santos rumo ao futebol espanhol. Segundo o agente, o atleta brasileiro priorizou o projeto esportivo da equipe da Catalunha mesmo diante de um pacote financeiro inédito apresentado pela diretoria madrilena.

A proposta do clube presidido por Florentino Pérez garantia a Neymar um ganho líquido muito superior ao teto estipulado pelo Barcelona na época. Cury relatou que o jogador chegou a realizar exames médicos no Centro de Treinamento Joaquim Grava, em São Paulo, encaminhado para fechar com o Real Madrid, mas recuou na hora de assinar o documento. O desejo de atuar ao lado do atacante argentino Lionel Messi e de repetir os passos de outros ídolos brasileiros na Catalunha pesou mais do que a vantagem monetária imediata.

Foto: Lionel Messi – Foto: YES Market Media / Shutterstock.com

Para o empresário que conduziu as conversas entre o Santos e os dirigentes espanhóis, a postura do camisa 10 contrariou o padrão do mercado internacional. “Ninguém dá valor, mas ele foi jogar no Barcelona por 100 milhões de euros a menos do que iria receber no Real Madrid. Nunca vi nada perto disso”, declarou André Cury ao relembrar os termos colocados na mesa pelas duas instituições em 2013. O agente acrescentou que muitos atletas profissionais encerram suas carreiras sem acumular a quantia total que o atacante decidiu rejeitar em uma única assinatura.

Números da passagem de Neymar pela Catalunha e formação do ataque com Messi e Suárez

A estreia oficial de Neymar pelo Barcelona ocorreu em 18 de agosto de 2013, na vitória por 7 a 0 sobre o Levante pelo Campeonato Espanhol. Pouco tempo depois de sua adaptação ao estádio Camp Nou, o brasileiro passou a dividir o setor ofensivo com Lionel Messi e com o uruguaio Luis Suárez, formando o trio identificado pela sigla MSN. A parceria se consolidou como uma das mais produtivas da história do continente europeu, somando 363 gols marcados pelos três jogadores entre 2014 e 2017.

Ao longo das quatro temporadas em que permaneceu no clube catalão, o atacante acumulou marcas expressivas e conquistou os principais troféus em disputa no calendário internacional. Os números oficiais da passagem de Neymar pelo Barcelona entre 2013 e 2017 registram o seguinte desempenho em competições oficiais:

  • 186 partidas disputadas, sendo 123 pelo Campeonato Espanhol, 40 pela Liga dos Campeões da UEFA, 20 pela Copa do Rei, 2 pela Supercopa da Espanha e 1 pelo Mundial de Clubes.
  • 105 gols marcados ao todo, divididos em 68 na liga nacional, 21 no torneio continental, 15 na Copa do Rei e 1 na Supercopa.
  • 59 assistências distribuídas para companheiros de equipe durante o período.
  • Conquista da Tríplice Coroa na temporada 2014/2015, com gol marcado na vitória por 3 a 1 sobre a Juventus na final da Liga dos Campeões da UEFA.

O desempenho em campo respondeu às dúvidas iniciais sobre o custo da transferência e alterou a percepção de parte da crítica esportiva. Na avaliação de André Cury, o debate público em torno da carreira de Neymar frequentemente se concentra em episódios extracampo e ignora o gesto de renúncia financeira feito aos 21 anos de idade. Enquanto a maioria das transferências do esporte de alto rendimento é definida pelo maior lance salarial, o jogador aceitou iniciar sua trajetória europeia com vencimentos inferiores aos que teria na capital espanhola, alcançando o grupo dos três maiores salários do elenco catalão apenas nos anos seguintes.

Efeitos da escolha de 2013 na disputa direta entre os clubes da Espanha

A recusa de Neymar à oferta do Real Madrid provocou efeitos imediatos no equilíbrio de forças do futebol espanhol em meados da década de 2010. Caso tivesse optado pelo clube de Madrid, o brasileiro teria integrado um elenco que já reunia estrelas consolidadas, mas que acabou vendo o rival direto fortalecer seu setor de criação e velocidade. A presença do ex-santista no Barcelona acirrou os confrontos diretos conhecidos como El Clásico e deu fôlego ao estilo de jogo ofensivo da equipe azul-grená em torneios nacionais e continentais.

Além dos troféus coletivos levantados na Espanha, o período de desenvolvimento técnico ao lado de Messi permitiu que Neymar atingisse sua temporada mais goleadora na carreira em 2015, quando balançou as redes 45 vezes no ano. Para os bastidores das transferências internacionais, o caso permaneceu como uma exceção às regras de mercado, demonstrando que o vínculo afetivo com a história de um clube ainda podia superar propostas financeiras na casa dos três dígitos em milhões de euros.

Saída recorde para a França e o retorno ao Santos após doze anos

O ciclo iniciado com a escolha de 2013 durou até agosto de 2017, quando o Paris Saint-Germain pagou a cláusula de rescisão de 222 milhões de euros para contratar o atacante, na maior transação da história do futebol mundial. Na equipe francesa, o brasileiro atuou até 2023, registrando 173 jogos, 118 gols e 70 assistências. Em seguida, transferiu-se para o Al-Hilal, da Arábia Saudita, onde lesões limitaram sua participação a sete partidas oficiais.

Após rescindir o vínculo com o clube saudita, Neymar acertou seu retorno ao Santos no início de 2025, voltando a vestir a camisa da equipe paulista doze anos depois da histórica negociação que dividiu Barcelona e Real Madrid. Somando sua primeira passagem pela Vila Belmiro, entre 2009 e 2013, quando fez 136 gols em 225 jogos oficiais e conquistou a Copa Libertadores de 2011, e os compromissos disputados desde a sua volta ao futebol brasileiro, o camisa 10 ultrapassou a marca de 280 partidas pelo clube que o revelou.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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