Copa do Mundo Feminina de 2027 terá 64 jogos em 8 estádios do país

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Marta - Lívia Villas Boas / CBF

A América do Sul receberá pela primeira vez na história a Copa do Mundo de Futebol Feminino entre os dias 24 de junho e 25 de julho de 2027, com 64 partidas distribuídas por oito capitais do país. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) definiu o calendário oficial da décima edição do torneio, que reunirá 32 seleções nacionais em disputas no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador. O Estádio do Maracanã, na capital fluminense, foi confirmado como o palco da partida inaugural e da grande decisão do título mundial. O planejamento aproveita as arenas construídas ou reformadas para a Copa do Mundo Masculina de 2014, com a meta de ampliar a presença de mulheres no esporte e impulsionar a visibilidade da modalidade no continente.

O detalhamento do calendário e das sedes mobiliza torcedores, jogadoras e gestores públicos, que tratam o campeonato como uma vitrine para consolidar a expansão do futebol feminino em território nacional. Garantida automaticamente na competição como país-sede e cabeça de chave do Grupo A, a seleção brasileira fará a partida de abertura em 24 de junho de 2027 no Maracanã. Na sequência da primeira fase, a equipe nacional entra em campo em 29 de junho na Neo Química Arena, em São Paulo, e encerra a participação na etapa classificatória em 4 de julho no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Toda a operação logística é coordenada em parceria entre a FIFA, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o governo federal, estruturada para estabelecer programas esportivos permanentes nas regiões anfitriãs.

Foto: Cadela Marta – Greenme/Reprodução
  • Fomento esportivo: expansão do público e da prática do futebol feminino nas diferentes regiões do território nacional.
  • Aproveitamento de arenas: utilização de estádios e centros de treinamento aprovados em torneios internacionais anteriores.
  • Movimentação financeira: alta na demanda por hotelaria, transporte e alimentação nas oito capitais escolhidas.
  • Programas de base: abertura de iniciativas comunitárias voltadas à formação de meninas e mulheres no esporte.

Divisão das 64 partidas entre o Maracanã e as demais arenas do torneio

As oito arenas aprovadas para a competição contam com o histórico de operação na Copa do Mundo Masculina de 2014 e nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Com capacidade para cerca de 79 mil espectadores, o Maracanã receberá nove confrontos ao todo, incluindo a estreia do torneio, uma semifinal em 21 de julho e a finalíssima em 25 de julho. A Neo Química Arena, em São Paulo, será o estádio com a maior quantidade de partidas do Mundial: o local abrigará dez jogos, entre eles uma semifinal no dia 20 de julho e a disputa pelo terceiro lugar. Já o Mineirão, em Belo Horizonte, está escalado para receber oito duelos ao longo da competição, incluindo confrontos das oitavas e das quartas de final.

A presença do Nordeste no calendário oficial soma 23 partidas divididas entre três capitais da região. Em Fortaleza, a Arena Castelão terá nove jogos no total, abrangendo duelos da fase de grupos, das oitavas e das quartas de final, enquanto a Arena Fonte Nova, em Salvador, e a Arena de Pernambuco, na região metropolitana do Recife, sediarão sete partidas cada. O quadro de sedes é completado pelo Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e pelo Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, ambos programados para receber sete confrontos, garantindo ao menos uma partida de mata-mata em cada uma das oito capitais do torneio.

  • Neo Química Arena (São Paulo): capacidade aproximada de 46 mil lugares e 10 jogos confirmados, incluindo uma semifinal e a decisão do terceiro lugar.
  • Maracanã (Rio de Janeiro): cerca de 79 mil lugares e 9 partidas previstas, abrangendo o jogo de abertura, uma semifinal e a final.
  • Arena Castelão (Fortaleza): capacidade para 60 mil torcedores e 9 confrontos na tabela, com jogos até as quartas de final.
  • Mineirão (Belo Horizonte): cerca de 62 mil lugares e 8 partidas programadas, incluindo oitavas e quartas de final.
  • Estádio Mané Garrincha (Brasília), Estádio Beira-Rio (Porto Alegre), Arena de Pernambuco (Recife) e Arena Fonte Nova (Salvador): 7 jogos em cada arena, todos com confrontos da fase de grupos e das oitavas de final.

Avaliação técnica da FIFA e o corte de quatro candidaturas na escolha final

A definição das oito sedes passou por um processo de inspeção técnica conduzido pela FIFA em conjunto com a CBF e órgãos do executivo federal. O projeto inicial contava com 12 municípios candidatos, mas as propostas de Belém, Cuiabá, Manaus e Natal ficaram de fora da lista final após as rodadas de avaliação. Entre os meses de setembro e novembro de 2024, comitivas internacionais vistoriaram presencialmente os gramados, os centros de treinamento, a malha aeroportuária e a estrutura urbana de cada local. O anúncio oficial das oito capitais aprovadas ocorreu em 7 de maio de 2025, priorizando centros urbanos com histórico operacional comprovado em eventos de grande porte.

Os relatórios técnicos também pesaram a capacidade de cada município em sustentar projetos de incentivo ao futebol feminino e a eficiência nos deslocamentos das delegações. Ao fixar o número em oito sedes — abaixo do limite de dez cidades utilizado em edições anteriores —, a entidade máxima do futebol buscou encurtar as viagens aéreas internas e concentrar a estrutura de transmissão e hospedagem. As capitais escolhidas apresentaram indicadores superiores de oferta de leitos hoteleiros, segurança pública e mobilidade urbana para atender simultaneamente as 32 seleções, profissionais de imprensa e turistas estrangeiros.

  • Parâmetros de vistoria: qualidade dos estádios, centros de treinamento suplementares, transporte público e rede hoteleira.
  • Candidaturas descartadas: Belém, Cuiabá, Manaus e Natal deixaram a relação final por restrições logísticas e operacionais.
  • Diretriz de gestão: redução de distâncias de viagem e exigência de planos locais de fomento ao esporte feminino.

Estratégia nacional para o esporte e estimativa de 2,3 milhões de torcedores

A organização do campeonato está atrelada a metas de desenvolvimento esportivo coordenadas pelo Ministério do Esporte, por meio da Estratégia Nacional para o Futebol Feminino. O plano governamental direciona recursos e diretrizes para ampliar a presença de mulheres não apenas dentro de campo, mas também em comissões técnicas, arbitragem e cargos de direção esportiva. A realização dos jogos no país serve como vitrine para a abertura de escolinhas de base e projetos comunitários voltados a meninas em idade escolar, além de estimular novos contratos de patrocínio e direitos de transmissão para os campeonatos nacionais da categoria.

No setor de serviços, as administrações municipais e estaduais projetam crescimento na arrecadação ligada ao turismo internacional e doméstico durante o inverno de 2027. A estimativa da FIFA aponta que a competição tem potencial para levar até 2,3 milhões de espectadores às arquibancadas, caso a carga total de ingressos das 64 partidas seja comercializada, marca que superaria o público das edições anteriores do torneio. As intervenções exigidas nos estádios para adequação de acessibilidade, tecnologia de comunicação e segurança perimetral permanecerão instaladas nas arenas após o encerramento da competição em julho de 2027.

  • Formação esportiva: estímulo direto à criação de categorias de base femininas em clubes e escolas públicas.
  • Geração de receita: expansão do fluxo financeiro nos setores de hospedagem, bares, restaurantes e transporte aéreo.
  • Participação feminina: programas de capacitação para técnicas, árbitras e gestoras esportivas.
  • Projeção externa: exposição das oito capitais anfitriãs nas transmissões televisivas e digitais para todo o mundo.

Tradição do Maracanã em decisões mundiais e renovação da seleção sem Marta

O torneio de 2027 encerra um jejum histórico da América do Sul, que jamais havia recebido a principal competição de seleções do futebol feminino desde a criação do campeonato em 1991. Com o evento, o país passa a integrar o grupo restrito de seis nações que já sediaram tanto a versão masculina quanto a feminina da Copa do Mundo, ao lado de Suécia, Estados Unidos, Alemanha, Canadá e França. Em campo, a seleção feminina tenta conquistar o seu primeiro troféu mundial após ter alcançado o vice-campeonato na edição de 2007. A campanha em casa marcará um ciclo de renovação do elenco nacional, uma vez que a atacante Marta, maior artilheira da história das Copas do Mundo com 17 gols marcados, encerrou o seu ciclo na seleção.

A escolha do Maracanã para fechar o torneio em 25 de julho de 2027 coloca o estádio carioca em uma marca inédita no futebol internacional. Após ter recebido o jogo decisivo da Copa do Mundo Masculina de 1950 e a final de 2014, além das decisões olímpicas de 2016, a arena se tornará a terceira do planeta a abrigar finais das duas versões do Mundial adulto da FIFA. O campeonato em solo sul-americano será ainda a última edição disputada no formato com 32 equipes e 64 partidas, já que a FIFA aprovou a ampliação do torneio para 48 seleções e 104 jogos a partir da edição de 2031.

  • Pioneirismo sul-americano: primeira vez que o torneio feminino da FIFA ocorre em um país da Conmebol.
  • Marca do Maracanã: terceiro Mundial adulto decidido no estádio carioca, somando as edições masculinas de 1950 e 2014.
  • Mudança de formato: despedida do modelo de 32 participantes antes da expansão para 48 seleções prevista para 2031.

Sorteio no Rio de Janeiro em dezembro de 2026 e seleções já classificadas

O próximo passo oficial do calendário preparatório antes da bola rolar é o sorteio da fase de grupos, marcado pela FIFA para o dia 11 de dezembro de 2026, às 13h30 (horário de Brasília), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), localizado no Parque do Flamengo. O credenciamento de profissionais de imprensa para a cobertura presencial da cerimônia permanece aberto até 30 de outubro de 2026. O evento distribuirá as 32 equipes em oito chaves de quatro seleções, definindo os adversários da equipe anfitriã no Grupo A e o chaveamento completo até a decisão. Se avançar na liderança de sua chave, a seleção da casa jogará as oitavas de final em 10 de julho na Arena Castelão, as quartas em 16 de julho no Mineirão e a semifinal em 20 de julho na Neo Química Arena; caso passe na segunda posição, disputará as oitavas em 11 de julho em Belo Horizonte, as quartas em 17 de julho em Fortaleza e a semifinal em 21 de julho no Maracanã.

A distribuição das 32 vagas pelos continentes reserva 11 lugares diretos para a Europa (UEFA), seis para a Ásia (AFC), quatro para a América do Sul (Conmebol, já contando o país anfitrião) e cotas específicas para África, América do Norte e Central e Oceania, além das vagas decididas no torneio de repescagem internacional. Ao lado da seleção anfitriã, outras 17 equipes nacionais já confirmaram matematicamente a classificação para a disputa no país: Alemanha, Dinamarca, Espanha e França pela Europa; Austrália, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Filipinas e Japão pela Ásia; Argélia, Camarões, Malawi e Marrocos pela África; Argentina e Colômbia pela América do Sul; e Nova Zelândia pela Oceania. Enquanto as datas e valores da venda geral de bilhetes não são abertos ao público, o torcedor pode registrar o cadastro de interesse em ingressos e pacotes de hospitalidade diretamente na plataforma digital da FIFA, ao mesmo tempo em que o Ministério do Esporte mantém ativa a campanha institucional “Está Tudo Pronto” em articulação com as oito prefeituras.

  • Sorteio das chaves: cerimônia confirmada para 11 de dezembro de 2026, às 13h30, no MAM Rio, com credenciamento de mídia até 30 de outubro de 2026.
  • Equipes garantidas: 18 seleções já têm vaga assegurada, incluindo Argentina, Colômbia, Espanha, Alemanha, França, Japão e Austrália.
  • Mobilização institucional: campanha “Está Tudo Pronto”, do Ministério do Esporte, coordena ações promocionais e operacionais com os governos locais.
  • Cadastro de torcedores: registro prévio de interesse para compra de ingressos e hospitalidade disponível no portal oficial da FIFA.
Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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