Copas do Mundo de 2030 e 2034 têm sedes definidas pela Fifa e revisão de estádios na Arábia Saudita

Gianni Infantino - Divulgação/FIFA

Gianni Infantino - Divulgação/FIFA

O planejamento das Copas do Mundo de 2030 e de 2034, oficializado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) em 11 de dezembro de 2024, entrou em fase de ajustes estruturais nos países anfitriões. Enquanto a edição do centenário em 2030 mantém o formato inédito distribuído por seis nações em três continentes — com Espanha, Portugal e Marrocos como sedes principais e jogos inaugurais na Argentina, no Paraguai e no Uruguai —, o projeto de 2034 na Arábia Saudita passa por uma reavaliação do Fundo de Investimento Público (PIF), fundo soberano do governo saudita, para reduzir o total de estádios de 15 para 10.

As duas candidaturas foram aprovadas por aclamação e sem concorrentes diretos durante o Congresso Extraordinário da Fifa, realizado de forma virtual sob a condução do presidente da entidade, Gianni Infantino. A escolha simultânea definiu o calendário do futebol masculino para a década seguinte, combinando a celebração dos 100 anos do primeiro Mundial com a expansão do torneio para o Oriente Médio, ao mesmo tempo em que abriu discussões sobre logística intercontinental, custos de obras e direitos humanos.

Foto: Gianni Infantino, presidente da Fifa, se posiciona em denúncia de racismo contra Vini Jr – Reprodução/Instagram

Abertura na América do Sul e disputa em três continentes em 2030

Programada para ocorrer entre 8 de junho e 21 de julho de 2030, em um período total de 44 dias, a vigésima quarta edição da Copa do Mundo será a primeira da história realizada simultaneamente em três continentes. O formato une Europa, África e América do Sul para marcar o centenário da competição, cuja edição inaugural aconteceu em 1930, no Uruguai, conquistada pela própria seleção uruguaia. As seis seleções anfitriãs já têm vaga garantida automaticamente no torneio de 48 equipes.

As três partidas comemorativas do centenário serão disputadas na América do Sul uma semana antes do início oficial da fase principal nos países ibéricos e no norte africano. O Estádio Centenário, em Montevidéu, palco da primeira decisão da história das Copas, receberá o jogo do Uruguai. Na Argentina, a partida ocorrerá no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, enquanto o Paraguai atuará no Estádio Osvaldo Domínguez Dibb, em Assunção.

Divisão dos 20 estádios principais entre Espanha, Marrocos e Portugal

Após a rodada sul-americana, o torneio seguirá para os 20 estádios apresentados na proposta conjunta de Espanha, Marrocos e Portugal. O território espanhol concentra a maior fatia da estrutura, com 11 arenas distribuídas pelo país, tendo o Santiago Bernabéu, em Madri, e o Camp Nou, em Barcelona, entre os principais palcos para confrontos decisivos. O Marrocos contará com seis estádios, incluindo o projeto do Grand Stade Hassan II, em Casablanca, planejado para 115 mil espectadores, enquanto Portugal concentrará seus três locais de jogos entre Lisboa — com o Estádio da Luz e o Estádio José Alvalade — e o Porto, no Estádio do Dragão.

Na avaliação técnica conduzida pela Fifa antes da votação no congresso, o dossiê conjunto formado por Espanha, Portugal e Marrocos atingiu a nota média de 4,2 em 5, ao passo que a proposta sul-americana para os jogos do centenário registrou pontuação de 3,6 em razão de exigências ligadas a transporte e infraestrutura. Apesar da diferença nos índices e da complexidade de integrar sistemas de segurança, hospedagem e deslocamento aéreo entre três continentes, o relatório técnico da entidade concluiu que os pontos de atenção operacionais não comprometem a execução do campeonato e manterão o período de liberação de atletas dentro do calendário internacional vigente.

Representatividade histórica das sedes do centenário

O desenho aprovado para 2030 reúne mercados tradicionais e emergentes do futebol mundial. Enquanto Espanha e Portugal apoiam a realização do torneio em suas estruturas de clubes e ligas europeias, a presença do Marrocos marca a segunda vez que o continente africano recebe a competição, após a edição da África do Sul em 2010, e a primeira no Norte da África. No lado sul-americano, a realização das partidas inaugurais mantém o vínculo institucional com a origem do campeonato de 1930.

Cortes orçamentários e revisão de estádios na Arábia Saudita para 2034

Para a edição de 2034, confirmada com sede única na Arábia Saudita e nota técnica de 4,2 na avaliação original da Fifa, o plano inicial previa 15 estádios espalhados por cinco cidades: Riade, Jidá, Al Khobar, Abha e o complexo urbano planejado de Neom. Contudo, nesta sexta-feira (16), veio a público que o Fundo de Investimento Público (PIF) prepara uma revisão para cortar cinco das 15 arenas prometidas na candidatura, reduzindo a lista final para 10 estádios — sendo seis construções novas e quatro reformas de estruturas existentes — como parte de uma contenção de gastos em megaprojetos imobiliários no país.

Entre os projetos que o fundo saudita pretende descartar estão o estádio de Neom, que seria erguido de forma suspensa no complexo vertical The Line, cujas obras sofreram paralisação, além das arenas de Roshn e de Nova Murabba, em Riade, e dos estádios da Cidade Econômica Rei Abdullah e da Costa de Qiddiya, próximos a Jidá. Por outro lado, o cronograma do governo mantém a construção do Estádio Internacional Rei Salman, em Riade, designado para receber a abertura e a final da Copa de 2034, bem como o Estádio Príncipe Mohammed bin Salman, também na capital, e a arena desenvolvida pela estatal petrolífera Saudi Aramco em Dhahran.

Repercussão do projeto de Neom e cobranças por direitos humanos

Na proposta aprovada em dezembro de 2024, a cidade planejada de Neom, na costa do Mar Vermelho, havia sido apresentada pelas autoridades sauditas como a vitrine tecnológica do Mundial de 2034, ancorada em promessas de uso de energia renovável e mobilidade sustentável. Mesmo com a desaceleração das obras no complexo de The Line e a retirada da arena local dos planos do PIF, o governo saudita sustenta que a realização do torneio permanece vinculada à meta de modernização da infraestrutura nacional e ao calendário da Copa da Ásia de 2027, que servirá de evento-teste para quatro estádios do país.

Desde a oficialização da candidatura única, a entrega da Copa de 2034 à Arábia Saudita enfrenta questionamentos de organizações internacionais de direitos humanos, que apontam restrições a liberdades civis, desigualdade de gênero e condições precárias de trabalho para imigrantes nas obras de construção civil. Críticas ao formato de escolha também partiram de entidades esportivas, como a Federação Norueguesa de Futebol, que manifestou discordância em relação às regras do processo seletivo conduzido pela Fifa, enquanto a direção da entidade mundial e o governo saudita afirmam que o torneio impulsionará reformas sociais e trabalhistas no reino.

Quadro comparativo das estruturas das Copas de 2030 e de 2034

Os investimentos em transporte urbano, rede hoteleira e modernização de arenas nas duas edições somam bilhões de dólares e envolvem cronogramas distintos de entrega até o início da próxima década. As principais especificações técnicas aprovadas pela Fifa e os ajustes em curso nos países anfitriões dividem-se da seguinte forma:

  • Copa do Mundo de 2030 — Sedes principais: Espanha, Portugal e Marrocos, no período de 8 de junho a 21 de julho de 2030 (44 dias de torneio).
  • Copa do Mundo de 2030 — Sedes do centenário: Uruguai (Estádio Centenário, em Montevidéu), Argentina (Monumental de Núñez, em Buenos Aires) e Paraguai (Estádio Osvaldo Domínguez Dibb, em Assunção).
  • Copa do Mundo de 2030 — Divisão de arenas: 20 estádios na fase principal (11 na Espanha, 6 no Marrocos e 3 em Portugal), além dos 3 estádios sul-americanos, com nota técnica de 4,2 para o bloco ibero-marroquino e de 3,6 para o sul-americano.
  • Copa do Mundo de 2034 — Sede única: Arábia Saudita, com abertura e final previstas para o Estádio Internacional Rei Salman, em Riade, e nota técnica de 4,2 na avaliação original.
  • Copa do Mundo de 2034 — Revisão de arenas: proposta original de 15 estádios em cinco cidades (Riade, Jidá, Al Khobar, Abha e Neom) passa por revisão do PIF em outubro de 2026 para manter 10 arenas (6 novas e 4 reformadas).

Pendências regulatórias e próximos passos na Fifa

A formalização do corte de cinco estádios pela Arábia Saudita ainda depende de comunicação oficial e de negociação com a Fifa, uma vez que o regulamento da entidade para Copas do Mundo com 48 seleções exige o mínimo de 14 arenas disponíveis no país-sede. Para a edição de 2030, a entidade máxima do futebol também ainda precisa homologar a tabela detalhada de jogos e confirmar qual estádio — entre o Santiago Bernabéu, o Camp Nou reformado e o Grand Stade Hassan II — receberá a partida final em 21 de julho de 2030.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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