O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, que não pretende reverter o fim da escala de trabalho 6×1 caso vença a eleição presidencial. A declaração ocorreu durante sabatina conduzida ao vivo pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, logo após o Jornal Nacional, na cobertura do segundo turno das Eleições 2026. O parlamentar declarou que mudou de posicionamento e votou a favor da redução da jornada após ouvir trabalhadores pelo país.
Antes de apoiar a medida no Senado Federal, o candidato havia criticado o texto, mas argumentou na entrevista que decidiu acompanhar o desejo da população. “Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles eram favoráveis ao fim da escala 6×1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Mudança de posição de Flávio Bolsonaro sobre a jornada e proposta para creches
Durante a entrevista na TV Globo, o candidato do PL declarou que sempre defendeu mais liberdade para que os cidadãos pudessem organizar os próprios horários de serviço. Para ilustrar a dificuldade de cumprir um regime rígido de seis dias de trabalho para um de descanso, o senador mencionou a rotina de mães solo que precisam conciliar o emprego com o cuidado dos filhos. Segundo ele, a defesa inicial era por jornadas adaptadas às necessidades individuais, incluindo opções de trabalho apenas pela manhã ou de quatro horas diárias, mas o diálogo com moradores de diferentes regiões motivou o apoio ao encerramento da escala 6×1.
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Na mesma sabatina, o parlamentar apresentou uma promessa voltada às famílias com crianças pequenas e anunciou a intenção de criar um voucher — vale financeiro custeado pelo poder público — para pagar vagas em creches privadas nos municípios onde não houver disponibilidade na rede pública. O detalhamento sobre o formato desse benefício de auxílio infantil, contudo, ainda não teve regras operacionais ou fontes de custeio confirmadas além da declaração feita pelo próprio candidato durante a entrevista televisiva.
Divergência no PL sobre o pagamento por hora e a decisão do Congresso Nacional
Questionado por Renata Lo Prete sobre a movimentação de integrantes do Partido Liberal para alterar a regra trabalhista recém-aprovada, Flávio Bolsonaro descartou qualquer tentativa de anular a mudança se chegar ao Palácio do Planalto. A pergunta tratou da articulação de aliados da sigla para aprovar no Parlamento uma proposta alternativa que estabelece o pagamento de salário e de 13º salário proporcionais às horas trabalhadas.
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Essa postura do presidenciável contrasta diretamente com a estratégia anunciada pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, que declarou a intenção de articular em 2027 a votação do modelo de remuneração por hora trabalhada, enquanto Flávio Bolsonaro assegurou na sabatina que a deliberação parlamentar está encerrada e será integralmente respeitada por um eventual governo seu.
Ao comentar a validade das normas em vigor, o senador reiterou que não fará oposição ao texto promulgado e atribuiu o encerramento do debate ao Poder Legislativo. “Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, não há nenhum questionamento em relação a isso”, disse o candidato.
Promessas de Flávio Bolsonaro para segurança pública e poder de compra
Além da manutenção dos dois dias de descanso semanal, o senador afirmou que a ampliação da folga precisa vir acompanhada de medidas na segurança pública e na economia. Ele citou os assaltos, a insegurança no transporte público e a dificuldade dos trabalhadores para fazer o salário durar até o fim do mês como problemas que pretende enfrentar.
O candidato declarou que um eventual governo buscará recompor o poder de compra da população paralelamente ao novo regime de jornada. “Durante essa folga, você não pode continuar sendo assaltado. Quero que essa folga, mas quero segurança e a volta do poder de compra das pessoas”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Votação de 75 a 1 no Senado e promulgação do fim da escala 6×1
A entrevista de Flávio Bolsonaro ocorreu no mesmo dia em que o Congresso Nacional promulgou, pela manhã, a emenda constitucional que extingue a escala 6×1 no país. Antes disso, em 6 de outubro de 2026, o senador havia classificado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) como eleitoreira e oportunista, acusando o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de buscar vantagens no segundo turno. Apesar da crítica inicial, Flávio Bolsonaro votou a favor do texto quando a matéria passou pelo plenário do Senado Federal e foi aprovada pelo placar de 75 votos a 1, estabelecendo dois dias de descanso semanal remunerado sem redução salarial e uma regra de transição para jornadas de 42 e 40 horas semanais.
Também na sexta-feira (16), durante atos de campanha realizados nos municípios mineiros de Juiz de Fora e Ipatinga, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a promulgação do fim da escala 6×1. Em discurso voltado aos comerciantes, o candidato do PT afirmou que ninguém terá prejuízo com a alteração na jornada de trabalho. Na véspera, Lula também havia participado da sabatina conduzida pela TV Globo.
Com o fim das entrevistas individuais na emissora, a campanha presidencial segue para os encontros diretos entre os dois concorrentes até a votação final. O calendário da disputa e da tramitação recente da emenda reúne as seguintes datas:
- 14 de outubro de 2026 (quarta-feira): aprovação da PEC pelo Senado Federal por 75 votos a 1, com voto favorável de Flávio Bolsonaro.
- 15 de outubro de 2026 (quinta-feira): realização da sabatina com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva na TV Globo.
- 16 de outubro de 2026 (sexta-feira): promulgação da emenda pelo Congresso Nacional pela manhã e sabatina de Flávio Bolsonaro na TV Globo à noite.
- 18 de outubro de 2026 (domingo), às 20h (horário de Brasília): debate presidencial do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
- 23 de outubro de 2026 (sexta-feira): último debate presidencial do segundo turno na TV Globo.
A votação do segundo turno das eleições presidenciais entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro está marcada para o domingo, 25 de outubro de 2026.
