Flávio Bolsonaro enfrenta panelaço em entrevista na TV Globo

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Entrevista de Flávio Bolsonaro na Globo - Globo/ Manoella Mello Foto: Entrevista de Flávio Bolsonaro na Globo - Globo/ Manoella Mello

Moradores de diversas capitais e municípios brasileiros realizaram um panelaço contra o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) na noite de sexta-feira (16), durante a sabatina exibida pela TV Globo. Os protestos com batidas de panelas, gritos, buzinaços e fogos de artifício ocorreram a partir das 21h15 (horário de Brasília) e geraram registros em todas as regiões do país, incluindo a detenção de um porteiro em Maceió (AL).

A mobilização foi convocada nas redes sociais pelo deputado federal por Minas Gerais André Janones, que coordena o canal de WhatsApp denominado Exército do Lula, grupo com cerca de 4,8 milhões de seguidores. Em mensagem direcionada aos apoiadores antes da transmissão televisiva, o parlamentar incentivou o barulho durante as respostas do candidato. “Quero que vocês peguem uma colher e batam na panela, mas batam até amassar. Depois, troquem, comprem outra panela, comprem outra colher. Depois vocês dão um jeito. Mas é para bater a colher na panela sem dó!”, declarou Janones.

Flávio Bolsonaro - Instagram
Foto: Flávio Bolsonaro – Instagram

Capitais e bairros com panelaço durante a entrevista de Flávio Bolsonaro

O panelaço é uma modalidade de protesto em que cidadãos utilizam utensílios domésticos nas janelas e varandas das residências para demonstrar insatisfação política, sem a necessidade de concentração nas ruas. Durante a entrevista de Flávio Bolsonaro, moradores compartilharam vídeos nas redes sociais registrando o barulho em diferentes estados brasileiros.

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Na capital paulista, as manifestações ocorreram nos bairros da Barra Funda, Butantã, Ipiranga, Paraíso, Perdizes, Pinheiros e Vila Mariana, além das cidades de Santos e São José dos Campos, no interior e litoral do estado. No Rio de Janeiro, o protesto foi ouvido em Copacabana, Glória, Botafogo, Flamengo, Tijuca, Laranjeiras, Engenho Novo, Grajaú e Centro, bem como no bairro de Icaraí, no município vizinho de Niterói. No Distrito Federal, os atos tiveram duração aproximada de 20 minutos e atingiram as regiões de Águas Claras, Sudoeste, Asa Norte, Noroeste e Guará II.

Em Belo Horizonte (MG), moradores bateram panelas nos bairros Sagrada Família, Carmo, Ouro Preto e Grajaú, enquanto em João Pessoa (PB) os atos concentraram-se na região central e no bairro Bessa. Outras oito capitais registraram manifestações semelhantes ao longo da transmissão televisiva: Fortaleza, Belém, Salvador, Curitiba, Manaus, Porto Alegre, Goiânia e Recife.

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Detenção de porteiro em Maceió durante o ato contra Flávio Bolsonaro

Em Maceió (AL), a manifestação durante a sabatina de Flávio Bolsonaro terminou com a condução de um trabalhador à delegacia no bairro de Ponta Verde. O porteiro identificado como Edmilson, que estava em horário de serviço, foi detido por agentes da Polícia Militar e levado à Central de Flagrantes após participar do panelaço junto a moradores do condomínio onde atua. De acordo com o advogado Matheus Gonzaga, responsável pela defesa do trabalhador, a equipe policial foi acionada após um desentendimento na via pública e deu voz de prisão sob a alegação de desacato por uma suposta demora na abertura do portão do edifício. Na unidade policial, o delegado de plantão tipificou o caso como perturbação do sossego e liberou o funcionário após a tomada de depoimento.

O representante legal do trabalhador criticou a abordagem policial realizada no edifício alagoano. “Quando abriu o portão, ele foi surpreendido, recebeu voz de prisão por ter supostamente desacatado o policial. Então, foi conduzido por esse motivo”, afirmou Matheus Gonzaga. O defensor classificou o episódio como uma ação irregular contra o porteiro. “É um absurdo o que aconteceu hoje aqui em Maceió. É uma violação, um cerceamento da liberdade de expressão, do direito à livre manifestação do senhor Edmilson”, disse o advogado.

Temas da sabatina de Flávio Bolsonaro e queda de 16% na audiência

Conduzida ao vivo pela jornalista Renata Lo Prete diretamente dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, a entrevista de Flávio Bolsonaro teve duração aproximada de 40 minutos, com transmissão simultânea pela TV Globo e pelo canal fechado GloboNews logo após o Jornal Nacional. Durante a sabatina, o candidato do PL respondeu a questionamentos sobre economia, a relação institucional com o Supremo Tribunal Federal (STF), a jornada de trabalho na escala 6×1 e o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador também foi questionado sobre a destinação de R$ 61 milhões para o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, além de descartar a nomeação do irmão Eduardo Bolsonaro para o comando do Ministério das Relações Exteriores e comentar a hipótese de conceder um cargo no governo ao pai.

Dados preliminares de medição de audiência divulgados após a exibição apontaram uma queda de 16% no índice da sabatina de Flávio Bolsonaro em comparação com a entrevista concedida na véspera, quinta-feira (15), pelo presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Horas antes de entrar no estúdio na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, o senador cumpriu agenda institucional na sede da emissora carioca, onde almoçou com o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet, em um encontro sem a participação de diretores da área de Jornalismo.

Empate técnico nas pesquisas entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno

A série de entrevistas na televisão aberta ocorre em um momento de equilíbrio estatístico na corrida presidencial. Levantamento divulgado pelo instituto Quaest em 14 de outubro de 2026 registrou empate técnico entre os dois concorrentes, com Flávio Bolsonaro marcando 46% das intenções de voto contra 44% de Luiz Inácio Lula da Silva, índices situados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Até a publicação das informações sobre os protestos, não havia um balanço nacional consolidado sobre o total exato de municípios e de participantes nos panelaços, nem posicionamento oficial da Polícia Militar de Alagoas a respeito da detenção ocorrida em Maceió. A votação do segundo turno das eleições presidenciais está marcada para o domingo, 25 de outubro de 2026.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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