Horário de verão não volta em 2026 e Ministério de Minas e Energia mantém relógios sem alteração no país

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Relógio conceito de horário de verão Foto: Relógio conceito de horário de verão - Foto: Daniel Tamas Mehes/istock

O Ministério de Minas e Energia (MME) descartou a retomada do horário de verão para a temporada de 2026 e 2027 e manteve o fuso padrão em todo o território nacional. A decisão consta no relatório da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, concluído em 31 de agosto de 2026 e reiterado pela pasta em 21 de setembro de 2026. O posicionamento preserva a rotina de trabalhadores, empresas e serviços públicos, além de exigir planejamento específico em áreas como comércio, transporte e geração de eletricidade. A manutenção dos relógios reflete a avaliação técnica de que os ganhos econômicos não justificam a alteração no cotidiano.

Trabalhadores com jornadas fixas, estudantes e o varejo — segmento que historicamente aproveitava a hora extra de claridade natural — estão entre os grupos diretamente envolvidos pela medida. De acordo com a pasta, as mudanças no padrão de consumo da população reduziram a eficácia do adiantamento de uma hora nos ponteiros. Diante disso, atividades como a agricultura e o transporte coletivo organizam suas escalas sem a necessidade de adaptações temporárias.

  • Lojas e estabelecimentos comerciais podem definir expedientes próprios de atendimento.
  • Frotas de transporte coletivo operam com tabelas fixas ao longo de todo o ano.
  • Operadores do sistema elétrico projetam estabilidade na curva de demanda de carga.
  • Empregados cumprem turnos regulares sem mudanças sazonais nos relógios.

A confirmação oficial alimenta discussões entre técnicos e moradores das regiões que costumavam alterar os ponteiros, dividindo avaliações sobre os reflexos práticos da medida na rotina urbana.

Avaliação do ONS descarta necessidade de adiantar os relógios

A reavaliação do tema entrou na pauta do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), grupo coordenado pelo ministério que reúne os órgãos da área, em 11 de fevereiro de 2026. A análise era a ação 10 entre as 27 metas da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, mas os estudos prospectivos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entidade responsável por coordenar usinas e linhas de transmissão, indicaram que a mudança não é necessária para atender aos requisitos de potência.

Além da questão energética, a manutenção de um horário uniforme facilita as operações de logística entre os estados, sobretudo nas faixas do território menos influenciadas pela variação da luminosidade solar ao longo das estações.

Lojas, bancos e transporte público operam com tabelas fixas

O comércio varejista, que tradicionalmente registrava maior circulação de consumidores durante o final da tarde com o horário estendido, ajusta suas estratégias de vendas ao fuso regular. Estabelecimentos localizados em grandes centros urbanos têm a opção de conservar o expediente fixo, o que altera a dinâmica do fluxo de clientes.

Agências bancárias e redes de transporte público também estruturam o atendimento com base na demanda contínua, sem a obrigação de reprogramar sistemas e turnos na transição entre a primavera e o verão.

Jornadas de trabalho na indústria e nas escolas seguem inalteradas

Para os trabalhadores, a continuidade do horário padrão representa previsibilidade no cumprimento de escalas, principalmente nas linhas de produção industrial que operam em turnos contínuos. Sem o adiantamento dos relógios, o deslocamento matinal permanece nas mesmas condições de luminosidade.

Nas redes de ensino, os estudantes mantêm a grade escolar estável durante o segundo semestre e o início do ano seguinte, o que simplifica a organização diária das famílias.

Economia inferior a 0,5% e mudanças na rede elétrica

Levantamentos anteriores do Ministério de Minas e Energia demonstraram que a redução gerada pelo horário de verão havia caído para menos de 0,5% do consumo total de eletricidade do país. Com o Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, a medida permanece suspensa desde a última edição, realizada entre 4 de novembro de 2018 e 17 de fevereiro de 2019 em dez estados e no Distrito Federal.

Leia também: Horário de verão recebe veto na Câmara dos Deputados sob parecer do deputado federal Otto Alencar Filho

O deslocamento do pico diário de consumo de energia para o período da tarde, somado à modernização das usinas e à expansão de tecnologias como a iluminação em LED, esvaziou o efeito prático da alteração sazonal.

A postura adotada pelo governo brasileiro acompanha a decisão de países sul-americanos como a Argentina e o Chile, que também deixaram de aplicar a mudança nos ponteiros. Os relatórios técnicos do ONS confirmam que o fornecimento nacional opera em estabilidade sob o modelo vigente.

Pesquisa aponta que 60% da população aprova horário fixo

Nas cidades, o tema mantém opiniões distintas entre diferentes categorias econômicas. Enquanto profissionais com jornada rígida aprovam o fim da adaptação biológica anual, comerciantes de áreas urbanas apontam preocupação com uma possível queda no movimento noturno.

Um levantamento realizado pelo instituto Datafolha em 2024 mostrou que 60% dos entrevistados no país preferem a manutenção do horário fixo durante todos os meses do ano.

Empresas e setor de turismo organizam calendário de 2026 e 2027

Com a definição para o ciclo de 2026 e 2027, a orientação governamental para empresas e prestadores de serviços é planejar os cronogramas operacionais com antecedência sobre a base do fuso oficial de cada região.

A ausência de alteração nos relógios orienta ainda a grade de transmissões de eventos esportivos e culturais, além do planejamento de destinos turísticos que concentram atividades ao ar livre durante o verão.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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