Cerca de 100 mochilas térmicas e 200 camisas foram furtadas de um caminhão do iFood durante um mutirão de substituição gratuita de equipamentos na Avenida General Felicíssimo, na altura do Parque das Rosas, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O saque ocorreu na quarta-feira (14), quando parte dos aproximadamente 300 entregadores que aguardavam atendimento na fila avançou sobre o veículo após a organização comunicar que a carga disponível não cobriria a demanda presente no local.
Agentes da 16ª Delegacia de Polícia (DP), situada na Barra da Tijuca, conduzem a investigação para identificar os participantes da invasão a partir de registros de câmeras de segurança instaladas no entorno da via. Policiais do 31º Batalhão de Polícia Militar (BPM), do Recreio dos Bandeirantes, atenderam ao chamado no dia da ocorrência, que terminou sem feridos, detenções ou materiais apreendidos, segundo confirmaram a corporação e a empresa de entregas.
- Estoque inicial da ação: 200 mochilas térmicas levadas para substituição gratuita.
- Público presente na fila: cerca de 300 entregadores reunidos na altura do Parque das Rosas.
- Divisão do lote antes do tumulto: 86 bolsas entregues na tenda e 114 unidades restantes no caminhão.
- Material subtraído na invasão: aproximadamente 100 bolsas térmicas e 200 camisas da plataforma.
Dinâmica da confusão na Avenida General Felicíssimo e atuação policial
As trocas gratuitas de bolsas térmicas, conhecidas entre a categoria como bags, já haviam começado na estrutura de tenda montada na Barra da Tijuca quando o impasse teve início. O coordenador responsável pela atividade avisou ao grupo de cerca de 300 trabalhadores que 86 unidades já tinham sido distribuídas e que o saldo de 114 mochilas do lote original de 200 peças não daria para atender a todos os que esperavam na fila.
Diante do aviso sobre o limite do material, um grupo de profissionais subiu no compartimento de carga do caminhão para retirar os itens à força. Dois seguranças particulares contratados para dar suporte presencial à campanha tentaram impedir o avanço da multidão sobre o baú, mas não conseguiram conter a invasão.
Equipes do 31º BPM foram chamadas pelos organizadores para restabelecer a ordem no trecho do Parque das Rosas. O responsável pela operação do evento compareceu posteriormente à 16ª DP para prestar depoimento e formalizar o registro da ocorrência junto à Polícia Civil
.Nota oficial da plataforma e relatos sobre o envio de convites no aplicativo
Por meio de comunicado oficial, o iFood declarou repudiar atos de violência, destacou o compromisso com a integridade física de parceiros e funcionários e esclareceu que realiza ações presenciais periódicas para renovar sem custo o material de trabalho dos entregadores. “Após uma ocorrência durante uma ação de distribuição de mochilas iFood que acontecem de forma recorrente, a organização acionou a Polícia Militar”, informou a companhia.
Na mesma manifestação, a empresa reforçou que “esse episódio isolado não representa a conduta dos milhares de entregadores que utilizam a plataforma como fonte de renda digna diariamente e reafirma o respeito por esses profissionais”. Entre os trabalhadores que estiveram na Barra da Tijuca, porém, a organização do evento foi alvo de críticas nas redes sociais pelo dimensionamento do lote levado ao bairro.
Profissionais da categoria afirmaram na internet que a plataforma teria enviado convites no aplicativo para mais de mil cadastros, informação que não teve confirmação oficial por parte do iFood
. “O que aconteceu foi que o iFood mandou o convite pra mais de mil pessoas e chegando lá tinham apenas 300 bags pra distribuição. Não justificando esse vandalismo, mas foi falta de preparo total do iFood. Tinha gente há 2 horas na fila e não conseguiram pegar a bag”, relatou um trabalhador presente na fila.Outro entregador também comentou o episódio nas redes sociais após a circulação das gravações do saque na Zona Oeste. “Erro grotesco do iFood, mas não justifica tal comportamento. Por isso a sociedade nos olha com desconfiança”, declarou o profissional.
Legislação municipal para a categoria no Rio e andamento do inquérito
O incidente na distribuição de equipamentos na capital fluminense aconteceu cerca de um mês após a Prefeitura do Rio de Janeiro instituir uma medida voltada às condições de trabalho dos entregadores na cidade. Sancionada pelo prefeito em exercício Eduardo Cavaliere e publicada no Diário Oficial do Município em 10 de setembro de 2026, a Lei Municipal nº 9.577/2026 criou o Programa de Alimentação para Entregadores de Aplicativo nos Restaurantes Populares Municipais.
A legislação municipal tem o objetivo de simplificar o acesso desses trabalhadores a refeições adequadas durante o expediente nas ruas e autoriza o Poder Executivo a definir critérios de prioridade para entregadores inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), base de dados que reúne famílias de baixa renda para programas sociais.
- 10 de setembro de 2026: publicação da Lei Municipal nº 9.577/2026, que garante acesso facilitado de entregadores de aplicativo aos restaurantes populares do Rio de Janeiro.
- 14 de outubro de 2026: mutirão de troca gratuita de mochilas do iFood na Avenida General Felicíssimo, na Barra da Tijuca, termina com caminhão invadido.
- 15 de outubro de 2026: gravações em vídeo do momento em que o baú do veículo é saqueado ganham repercussão nas redes sociais.
Na esfera policial, o inquérito aberto na 16ª DP segue com a análise das gravações de monitoramento da região da Barra da Tijuca para individualizar a conduta de quem retirou as mochilas e camisas do caminhão. Até a conclusão das diligências iniciais, nem a Polícia Civil nem o iFood confirmaram se algum suspeito já foi formalmente identificado ou teve o cadastro bloqueado no aplicativo de entregas.
