Controlada pelos empresários Joesley Batista e Wesley Batista, a JBS Terminais alcançou a marca de dois anos à frente da operação do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, somando quase R$ 250 milhões aplicados na retomada, modernização e expansão do complexo desde outubro de 2024. No balanço divulgado na terça-feira (13), a companhia anunciou um novo aporte de R$ 15,2 milhões destinado a modernizar a inspeção de cargas e ampliar o fluxo de caminhões no local.
Nos dois primeiros anos sob a gestão da empresa, o terminal catarinense superou a movimentação de 800 mil TEUs (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés), registrando um crescimento de 62% no volume de cargas entre o primeiro e o segundo ano de operação. “Em dois anos, avançamos em movimentação, infraestrutura e conectividade. Fizemos investimentos para recuperar a capacidade operacional do terminal e, à medida que os volumes cresceram, seguimos ampliando e modernizando a estrutura. O objetivo é oferecer aos clientes eficiência, competitividade em custos e previsibilidade para suas operações”, afirmou o presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Junior.
Inspeção por raios X e expansão do pátio no Porto de Itajaí
Dentro do novo ciclo de aportes de R$ 15,2 milhões anunciado em outubro de 2026, a JBS Terminais destinou especificamente R$ 13,6 milhões para implantar um sistema de inspeção não intrusiva com o scanner de raios X Varex VXP6. O equipamento já entrou em operação e permite que as equipes examinem o interior dos contêineres com maior precisão e qualidade de imagem, sem a necessidade de abrir as unidades metálicas, o que acelera a liberação das mercadorias e reduz filas na entrada e saída de veículos.
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A recepção de carretas também passa por obras para elevar a capacidade de processamento terrestre no acesso ao complexo portuário. O número de portões de acesso (conhecidos no setor logístico como gates) subirá de oito para 10 unidades, projeto acompanhado pela instalação de duas novas linhas de pesagem para dar vazão ao fluxo de caminhões.
No pátio operacional, a empresa executa a demolição do antigo Armazém 3 e a incorporação da chamada área C, etapa cuja integração está em fase de conclusão. Essa reconfiguração física ampliará a área útil em 25%, melhorando o aproveitamento dos espaços alfandegados e adicionando uma capacidade extra de movimentação de 80 mil TEUs por ano ao terminal.
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Retomada após paralisação de 2022 e novos equipamentos da JBS Terminais
Antes de a JBS Terminais assumir o controle operacional em outubro de 2024, o Porto de Itajaí enfrentava um período de paralisação de suas atividades regulares iniciado em 2022, o que havia derrubado a movimentação logística e a arrecadação ligada ao comércio exterior na região. A retomada dos serviços exigiu a recomposição do maquinário de pátio e cais, permitindo que o terminal movimentasse quase 500 mil TEUs apenas no acumulado de janeiro a setembro de 2026, um volume 73% superior ao registrado nos mesmos nove meses de 2022, período anterior à interrupção das operações.
Com os aportes realizados desde outubro de 2024, a capacidade operacional total do porto atingiu o patamar de até 600 mil TEUs anuais. A lista de maquinários e estruturas incorporados à rotina de embarque e desembarque desde o início da gestão privada abrange diferentes frentes operacionais:
- 2 guindastes móveis de cais, cada um com capacidade de içamento para 125 toneladas e alcance de até 20 fileiras de contêineres;
- 14 empilhadeiras de grande porte do tipo reach stacker, aptas a movimentar até 45 toneladas e empilhar até cinco contêineres de altura;
- Mais de 1.700 tomadas instaladas no pátio para o atendimento e conservação de cargas refrigeradas;
- 8 portões de acesso reversíveis, que alteram o sentido de entrada ou saída de veículos conforme a demanda do dia;
- 25 caminhões próprios integrados à frota para realizar integralmente o transporte interno entre a beira do cais e as pilhas de armazenamento.
Impacto de R$ 360 milhões em Itajaí e novas rotas para a Ásia
A reativação e o aumento do fluxo de navios refletiram diretamente no mercado de trabalho e na arrecadação do município catarinense. Desde outubro de 2024, o quadro de funcionários diretos da operadora portuária saltou de 77 para 405 colaboradores, além da abertura de aproximadamente 600 postos de trabalho indiretos na cadeia logística. Em dois anos, a atividade do terminal movimentou mais de R$ 360 milhões na economia local de Itajaí.
Na frente marítima, o complexo opera atualmente 10 linhas regulares de navegação que conectam Santa Catarina a portos da Ásia, Europa, Américas, Oriente Médio e África. Ainda neste mês de outubro de 2026, o terminal passa a receber o serviço ZFS/AS2, operado pelos armadores ZIM e Hapag-Lloyd, ampliando as rotas diretas com o mercado asiático.
“Construímos uma base operacional que nos permite buscar novas linhas e ampliar a participação de Itajaí no comércio exterior da região. O próximo passo é continuar preparando o terminal para receber mais cargas e oferecer novas conexões à indústria do Sul do país”, declarou Aristides Russi Junior.
A expansão das rotas internacionais terá um novo marco a partir de janeiro de 2027, quando o Porto de Itajaí passará a atender o serviço SEAS2/ESAS2, operado em conjunto pelas companhias marítimas CMA CGM, COSCO, OOCL, PIL, Evergreen e Yang Ming. A primeira viagem dessa linha com destino ao terminal catarinense será realizada pelo navio CMA CGM COBALT, cuja partida da Ásia está programada para 14 de dezembro de 2026.

