O SUV compacto Omoda 4, da marca chinesa Chery sob a divisão Omoda & Jaecoo, teve sua versão europeia apresentada no Salão de Paris, na França, nesta quarta-feira (14), antes da estreia prevista para o mercado brasileiro no último trimestre de 2026. O utilitário chega ao país com faixa de preço estimada entre R$ 120 mil e R$ 140 mil para disputar compradores diretamente com Fiat Pulse, Renault Kardian e Volkswagen Tera. A aposta central do veículo é oferecer tração híbrida plena (HEV, que não exige tomada) por um valor de entrada inferior ao de concorrentes a combustão ou híbridos leves.
A ofensiva faz parte do plano de expansão comandado no país por Roger Corassa, vice-presidente executivo da Omoda & Jaecoo no Brasil desde 5 de janeiro de 2026. Posicionado abaixo do Omoda 5 e do Jaecoo 5 na linha da fabricante, o novo utilitário busca ampliar o volume de emplacamentos em um dos segmentos de maior participação na indústria automotiva nacional. O Grupo Chery projeta alcançar a marca de 500 mil veículos comercializados anualmente no mercado brasileiro até 2031, incluindo o lançamento de seis modelos de entrada na faixa de R$ 80 mil a R$ 120 mil distribuídos entre as marcas Omoda, Jaecoo, Lepas e iCaur.
Diferença de até R$ 30 mil frente aos SUVs compactos rivais
O posicionamento financeiro entre R$ 120 mil e R$ 140 mil coloca o lançamento da Chery até R$ 30 mil abaixo das versões de topo de seus principais adversários diretos no varejo brasileiro. Enquanto os concorrentes diretos nessa faixa de valor utilizam motores puramente a combustão ou sistemas híbridos leves (MHEV, em que o motor elétrico apenas auxilia o propulsor térmico sem tracionar as rodas de forma independente), a fabricante chinesa propõe um conjunto híbrido pleno equivalente em concepção ao de categorias superiores, como o Toyota Corolla Cross.
A comparação direta com os preços praticados pelas montadoras tradicionais no segmento de utilitários esportivos mostra a distância de valores na disputa pelo consumidor:
- Omoda 4 (híbrido pleno previsto): faixa estimada de R$ 120.000 a R$ 140.000
- Volkswagen Tera Highline (combustão): R$ 146.190
- Renault Kardian Iconic (combustão): R$ 149.990
- Fiat Pulse Impetus (híbrido leve): R$ 151.490
- Toyota Corolla Cross (híbrido pleno de porte médio): acima de R$ 160.000
Essa diferença no desembolso inicial pressiona as fabricantes já instaladas no país a revisarem pacotes de equipamentos e tabelas de preços. Para o comprador urbano, a entrada de um híbrido pleno na faixa de R$ 120 mil reduz a barreira financeira para acessar carros eletrificados com menor gasto de combustível no uso diário.
Conjunto mecânico híbrido pleno e dados de desempenho
Na configuração projetada com foco em custo-benefício, o Omoda 4 alia um propulsor 1.0 turbo de três cilindros a um motor elétrico para entregar 130 cavalos de potência combinada. O principal número dessa ficha técnica está na força de arrancada: o torque previsto atinge 225 Nm (22,9 kgfm), índice que supera os rivais compactos a combustão do mercado brasileiro e favorece tanto as retomadas de velocidade no trânsito quanto o transporte de carga com a cabine cheia.
Na apresentação realizada em 14 de outubro de 2026 no Salão de Paris, a marca também destacou a eficiência energética do sistema híbrido convencional, com consumo estimado próximo de 19 km/l no padrão europeu e referências técnicas na arquitetura do grupo que chega a 204 cavalos em versões superiores como a Ultra. Em todas as configurações HEV, a bateria é recarregada de forma automática pelo próprio motor térmico e pela regeneração de energia nas frenagens, dispensando cabos ou pontos de recarga residenciais.
Medidas de categoria superior e cabine inspirada em esportivos
Embora enquadrado pelo preço entre os SUVs compactos de entrada, o Omoda 4 mede 4,40 metros de comprimento, dimensão que o aproxima de utilitários médios e garante maior espaço para pernas e bagagens do que Fiat Pulse e Renault Kardian. O desenho externo segue a linguagem visual batizada pela fabricante de Cyber Mecha, com linhas angulosas inspiradas no utilitário esportivo de luxo Lamborghini Urus, faróis afilados em LED, caimento de teto em estilo cupê e lanternas traseiras conectadas por uma barra luminosa.
No interior, o painel adota linhas horizontais combinadas a um quadro de instrumentos digital e a uma central multimídia vertical de 13,2 polegadas com espelhamento sem fio para smartphones. As versões mais equipadas contam com freio de estacionamento eletrônico, bancos revestidos em couro, carregador de celular por indução e pacote de assistência à condução.
Montagem em Itatiaia e planos de nacionalização da Chery
Para sustentar a tabela a partir de R$ 120 mil sem perda de margem operacional diante das alíquotas de importação de veículos eletrificados, o planejamento industrial prevê a montagem local do Omoda 4 em regime CKD (sigla em inglês para Completely Knocked Down, modalidade em que o veículo chega desmontado em kits e passa pela linha de montagem final no país). A operação está direcionada para o complexo industrial da JLR em Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, estrutura pronta que acelera a adaptação do maquinário para a operação chinesa.
A fabricação em território fluminense habilita o utilitário a programas de incentivo fiscal e linhas de financiamento voltadas a veículos produzidos no Brasil, além de se somar ao investimento de R$ 15 milhões anunciado pela Omoda & Jaecoo para o desenvolvimento da tecnologia híbrida flex voltada ao etanol brasileiro. A marca ainda não divulgou a data exata de abertura da pré-venda nas concessionárias nem a tabela oficial definitiva de cada versão para o mercado nacional.
