A sede histórica da prefeitura de Limoges, no centro da França, foi invadida e parcialmente destruída por um incêndio neste sábado (17). O ataque ao edifício ocorreu durante uma jornada nacional de manifestações contra o alto custo de vida e por melhorias no ensino, que reuniu cerca de 550 mil pessoas pelo país segundo o Ministério do Interior, ou 800 mil de acordo com os organizadores e a central sindical CGT.
O presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou-se na rede social X sobre os ataques ocorridos durante os atos. “Aqueles que destruíram, atacaram tanto sedes de governos regionais quanto estabelecimentos comerciais e saquearam até mesmo nossas prefeituras serão perseguidos e punidos”, declarou o chefe de Estado.
Invasão e desabamento na prefeitura de Limoges
Inaugurado em 1883 e classificado como monumento histórico em 1975, o prédio da administração municipal (chamado de Hôtel de Ville na estrutura francesa) sofreu danos severos após um grupo de pessoas encapuzadas quebrar as vidraças para acessar o local e iniciar o incêndio. O prefeito regional do departamento de Haute-Vienne, Maurice Barate (cargo de préfet, representante do Estado na região), afirmou que o edifício está “em grande parte perdido”, em tradução livre, já que o fogo provocou a queda do campanário, destruiu cerca de dois terços das fachadas e fez o telhado desabar sobre os andares inferiores, com exceção da ala oeste.
As chamas atingiram diversas áreas internas da gestão do prefeito municipal Guillaume Guérin, incluindo a sala de casamentos e os escritórios do registro civil. Representantes eleitos, servidores e policiais municipais que ainda estavam no interior do prédio conseguiram sair sem ferimentos. Por volta das 20h no horário local, equipes do corpo de bombeiros seguiam trabalhando para conter o fogo, enquanto centenas de pessoas acompanhavam a operação a distância.
Antes da invasão ao prédio público, a manifestação em Limoges reuniu cerca de 5 mil participantes, segundo a prefeitura regional. Durante o ato, grupos encapuzados saquearam estabelecimentos comerciais no centro da cidade, incendiaram ao menos uma viatura da polícia nacional e entraram em confronto com as forças de segurança, que utilizaram gás lacrimogêneo.
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Balanço de feridos e confrontos pela França em 17 de outubro de 2026
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, divulgou que os confrontos ao longo do dia de protestos em 17 de outubro de 2026 terminaram com cerca de 400 pessoas detidas em território francês. Ao menos 60 policiais ficaram feridos nas ocorrências, sendo que dois agentes precisaram ser levados ao hospital inconscientes.
Além de Limoges e da capital Paris, onde o governo contabilizou 110 mil manifestantes, houve registro de depredações, saques e enfrentamentos em Lyon, Rouen, Nantes, Toulouse e Marselha. Na cidade de Saint-Étienne, um manifestante perdeu a mão ao apanhar uma granada de dispersão, episódio que passou a ser alvo de um inquérito confirmado pelo Ministério do Interior.
Bloqueio de 1,8 mil escolas na França desde setembro
A onda de mobilizações teve início em setembro de 2026 com atos de estudantes do ensino médio contra a falta de professores e a precariedade das unidades escolares, movimento que chegou a bloquear cerca de 1,8 mil instituições de ensino pelo país. Em outubro, a um semestre da eleição presidencial francesa, a pauta estudantil ganhou a adesão de sindicatos, professores, pais de alunos, aposentados e integrantes do movimento dos coletes amarelos, articulados nas redes sociais sob convocações intituladas “Amarelos e Jovens”.
Até a noite deste sábado, as autoridades francesas ainda não haviam divulgado a identificação individual dos suspeitos que iniciaram o incêndio em Limoges nem o valor financeiro estimado para a reconstrução da prefeitura.
