Roberta Luchsinger fala em delação no caso de R$ 6,3 bi do INSS

INSS - AngelaMacario/ istockphoto.com

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A empresária e advogada Roberta Moreira Luchsinger, de 41 anos, declarou neste sábado (17) a intenção de firmar um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura fraudes de R$ 6,3 bilhões no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em seu primeiro pronunciamento em televisão desde o início das investigações, gravado em seu apartamento em São Paulo, a investigada afirmou que não poupará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o filho mais velho dele, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

“Eu não vou poupar nenhum detalhe, eu não vou poupar ninguém. Pode ser presidente da República, que, a meu ver, é um grande mal-caráter, é um grande mentiroso. E, eu repito: um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente”, declarou Roberta Luchsinger. Ela disse ter decidido falar por sofrer ameaças de morte e tentativas de silenciamento após Lula tê-la chamado publicamente de “pilantra” e negado conhecê-la. “Tive de tomar minha própria defesa, porque venho sendo constantemente ameaçada de morte, sofrendo reprimendas, tentando ser calada. Estou fazendo isso pela segurança das minhas duas filhas”, afirmou.

Roberta Luchsinger relata encontros de Lulinha com ministros em Brasília

Segundo a empresária, o presidente mentiu ao negar que Lulinha mantivesse agendas com chefes de pastas do governo federal. “É público, é notório que o Fábio Luís, o Lulinha, inúmeras vezes esteve com ministros, inclusive viajou para a casa de ministro, do ministro Camilo [Santana]. Então, Lula é um grande mentiroso quando fala ‘ela é uma pilantra, mas meu filho não. Meu filho jamais se sentava com ministro’. Mas o filho dele sentava semanalmente com ministro, seja para trocar figurinha, para trocar qualquer tipo de diálogos”, disse Roberta Luchsinger, acrescentando que recebia integrantes do Executivo em uma casa alugada no bairro Lago Sul, em Brasília, e citando contatos com as pastas da Educação e das Comunicações, comandada pelo ministro Frederico de Siqueira Filho.

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As circunstâncias detalhadas das reuniões que Roberta Luchsinger afirma ter presenciado entre Lulinha e ministros do governo não foram reveladas pela empresária sob justificativa de restrições impostas por decisões judiciais, que também abrangem relatos sobre a mudança do filho do presidente para a Espanha. Em resposta às declarações, o ministro Camilo Santana informou nunca ter tratado de assuntos de governo com Lulinha, enquanto o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério das Comunicações negaram qualquer envolvimento ou tratativa com o empresário e a lobista.

Operação Sem Desconto apura repasse de R$ 1,5 milhão a Roberta Luchsinger

Roberta Luchsinger e Lulinha são investigados pela Polícia Federal em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, por suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024. Os investigadores apuram se a empresária atuou como operadora financeira e política do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como integrante da fraude previdenciária, após a empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., registrada em nome dela, receber cerca de R$ 1,5 milhão da Brasília Consultoria Empresarial Limitada, classificada pela polícia como firma de fachada ligada a Antunes.

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Em depoimento prestado à Polícia Federal por videoconferência em 20 de maio de 2026, a empresária confirmou ter apresentado Lulinha a Antônio Carlos Camilo Antunes em um encontro social, negou repasses financeiros ao filho do presidente e relatou ter tido conhecimento de uma viagem dos dois a Portugal para prospectar negócios de canabidiol (CBD). A investigação analisa conversas sobre tentativas de intermediar contratos de medicamentos de cannabis medicinal no Ministério da Saúde, que não foram fechados, além de mensagens obtidas em agosto de 2026 de um grupo de aplicativo batizado de “Musaranhos”, integrado por Roberta Luchsinger, Lulinha e o empresário Fernando Bittar, no qual ela mencionava ter recusado um cargo no governo e que somam-se à apuração policial de mais de 40 idas suas a órgãos federais entre 2023 e 2025 sem registro oficial.

Trajetória de Roberta Luchsinger no PT e posição das defesas no STF

Herdeira de um ex-acionista do antigo banco suíço Credit Suisse e candidata não eleita a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018, Roberta Luchsinger ganhou projeção em 2017 ao anunciar a doação de R$ 500 mil em bens a Lula na iniciativa “Bolsa Lula”, barrada pela Justiça, e nos anos seguintes publicou fotos com a primeira-dama Janja, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Fernando Haddad. A Polícia Federal, que em 18 de dezembro de 2025 cumpriu mandado de busca e apreensão contra a empresária no bairro de Higienópolis, em São Paulo, bloqueou bens e impôs o uso de tornozeleira eletrônica, também investiga a relação dela com o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, cuja defesa sustenta que valores recebidos referem-se a um empréstimo quitado e nega intermediação em licitações. Já os advogados de Roberta Luchsinger, Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins, negam irregularidades, afirmam que o montante pago por Antunes remunera consultoria regular sobre canabidiol com nota fiscal e acionaram o ministro André Mendonça, em 6 de julho de 2026, para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquive o inquérito.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.