Andreas von Richthofen responde a 24 ações judiciais por IPTU e condomínio enquanto vive em chácara

Andreas e Suzane

Andreas e Suzane von Richthofen -Foto: Reprodução

O patrimônio avaliado em R$ 10 milhões deixado para Andreas von Richthofen após o assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, tornou-se alvo de cobranças na Justiça de São Paulo. Mais de duas décadas depois do crime cometido em 31 de outubro de 2002 na zona sul da capital paulista, o filho caçula do casal mantém uma rotina distante do convívio social. A morte dos pais foi planejada pela irmã dele, Suzane von Richthofen, em conjunto com o então namorado dela, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian Cravinhos. Na época dos fatos, Andreas tinha 15 anos e ficou com a totalidade da herança, mas passou a responder a processos judiciais motivados pelo acúmulo de dívidas.

Os bens transferidos ao herdeiro reuniam propriedades no interior paulista e a mansão onde a família morava, no bairro do Brooklin, em São Paulo. Atualmente, Andreas vive em uma chácara localizada no município de São Roque, sem linha telefônica e sem conexão com a internet, em um imóvel que apresenta sinais de falta de conservação segundo relatos de moradores da região.

Formação acadêmica na USP e rotina reservada no interior paulista

Três anos após a morte dos pais, em 2005, Andreas ingressou no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Ele concluiu a graduação em Farmácia e Bioquímica em 2010 e obteve o título de doutor em Química pela mesma instituição em 2015, com foco em pesquisas avançadas. Mesmo com a qualificação universitária, decidiu se distanciar de ambientes sociais e do meio acadêmico para morar em uma área de difícil acesso.

Moradores vizinhos à chácara em São Roque relatam que Andreas deixa o local apenas em ocasiões pontuais para comprar itens básicos de sobrevivência. De acordo com esses relatos locais, o terreno acumula mato alto e a piscina da propriedade permanece sem limpeza ou manutenção.

A trajetória de reclusão teve um episódio policial em 2017, quando Andreas foi detido depois de tentar entrar em uma casa no bairro de Santo Amaro, na zona sul da capital. Após a ocorrência, ele passou dois meses internado para realizar tratamento contra a dependência de álcool e drogas.

Processos por dívidas fiscais e venda de mansão no Brooklin

A fortuna herdada na adolescência deu lugar a uma série de passivos financeiros ao longo dos anos. Andreas figura como réu em 24 ações judiciais abertas por falta de pagamento de taxas de condomínio e de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que juntas somam aproximadamente R$ 500 mil.

Além das cobranças diretas nos tribunais, o patrimônio imobiliário sofreu reduções e contestações legais no estado de São Paulo:

  • Imóveis localizados na zona sul da capital paulista correm risco de perda por processos de usucapião, modalidade em que terceiros pedem a propriedade do bem por tempo de ocupação.
  • A antiga mansão da família no Brooklin foi negociada em 2014 pelo valor de R$ 1,6 milhão, quantia inferior à praticada pelo mercado imobiliário.
  • Propriedades rurais situadas nos municípios de Sorocaba e São Roque registram multas fiscais abertas e sem quitação.

O tio materno de Andreas, Miguel Abdalla Neto, declarou que os problemas registrados no passado foram acontecimentos isolados. Ele descartou que o sobrinho tenha relação com locais de vulnerabilidade social e disse que a família mantém acompanhamento sobre a situação dele.

Anos de estudo em São Paulo e mudança definitiva na pandemia

Enquanto cursava a graduação e a pós-graduação na USP, entre 2005 e 2015, o herdeiro residiu em um imóvel da família também situado no Brooklin. Moradores próximos da época lembram da realização de festas ocasionais no endereço, onde antes funcionava a clínica psiquiátrica de sua mãe, Marísia von Richthofen.

Terminado o doutorado em 2015, ele passou a evitar aparições públicas. O distanciamento aumentou em 2021, durante a pandemia de covid-19, período em que se fixou na propriedade rural de São Roque sem manter perfis em redes sociais nem falar com a imprensa.

suzane von richthofen. – Foto reprodução

Visita recusada de Suzane von Richthofen à chácara do irmão

Em junho de 2025, Suzane von Richthofen foi até a chácara de São Roque acompanhada do filho, que tinha um ano de idade na ocasião. Cumprindo pena em regime aberto desde janeiro de 2023, ela pretendia conversar com o irmão a respeito de questões pendentes na Justiça.

Andreas não aceitou receber a irmã na propriedade e avisou que chamaria a polícia caso ela permanecesse no local. Os dois não conversam desde o assassinato dos pais em 2002, mesmo após investidas anteriores para retomar o diálogo.

Após deixar a prisão, Suzane passou a assinar Suzane Louise Magnani Muniz e fixou residência em Bragança Paulista ao lado do marido, Felipe Zecchini Muniz. Ela matriculou-se no curso de Direito da Universidade São Francisco e mantém rotina longe de espaços públicos.

Cumprimento das penas de Suzane e dos irmãos Cravinhos

Entre os três condenados pelo homicídio do casal von Richthofen, Daniel Cravinhos obteve a progressão para o regime aberto em 2018. Ele adotou o sobrenome Gonçalves e mora na cidade de São Paulo.

O irmão dele, Cristian Cravinhos, permanece no regime semiaberto, cumprindo pena na Penitenciária de Tremembé, no interior paulista. Em 2024, Cristian recebeu uma nova condenação judicial decorrente de uma briga em um bar, o que fez sua pena total chegar a 41 anos de prisão.

Suzane conseguiu a transferência para o regime aberto depois de passar por exames criminológicos exigidos pela Justiça. Em março de 2025, ela tornou-se alvo de uma cobrança da Receita Federal referente a uma dívida de R$ 53 mil, valor ligado a parcelas de pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recebidas por ela após a morte dos pais.

Penhoras em andamento e administração autônoma dos imóveis

A falta de manutenção nos imóveis herdados por Andreas gerou novos entraves burocráticos e financeiros. Em Sorocaba, uma residência pertencente ao espólio acumula carnês de IPTU sem pagamento desde o ano de 2018. Na capital paulista, um processo de usucapião sobre bens da família tramita na Vara de Família de São Paulo, enquanto o passivo superior a R$ 500 mil já provoca ordens de penhora.

No início das cobranças, parte dos débitos chegou a ser paga com o dinheiro obtido na venda de joias que haviam sido recuperadas pela família. Andreas conduz a gestão desse patrimônio por conta própria, sem contratar assessoria jurídica formal, e prefere decidir sozinho mesmo com a oferta de auxílio por parte de parentes da família materna.

Mudanças de endereço de Suzane e atendimento médico de Andreas

A vida familiar de Suzane no interior paulista incluiu o nascimento do filho em janeiro de 2024, no município de Atibaia. A criança vive com ela e com Felipe Zecchini Muniz em uma residência simples da região, onde o casamento dos dois foi oficializado já durante o cumprimento do regime aberto. Para desvincular sua imagem do crime de 2002, ela retirou o sobrenome von Richthofen dos documentos, assiste às aulas da faculdade no período noturno e frequenta atividades religiosas, tendo morado também por um curto período em Águas de Lindóia em 2025, fato que provocou discussões entre moradores daquela cidade.

No caso de Andreas, o episódio de 2017 em Santo Amaro mobilizou equipes da Polícia Militar após a invasão de domicílio, ocasião em que ele foi encontrado com roupas inadequadas e sinais de descontrole emocional. O tratamento posterior foi realizado em uma clínica particular e, na época, o tio divulgou uma nota pública na qual confirmava a recuperação do sobrinho e negava exposição indevida; desde a alta, Andreas não recorre à rede pública de saúde e seus parentes acompanham sua condição à distância.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração
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