A Caixa Econômica Federal inicia nesta segunda-feira (19) os pagamentos da folha de outubro do Bolsa Família em todo o Brasil. O repasse incorpora pela primeira vez o reajuste linear de 15,04%, que eleva o valor mínimo garantido pelo programa social de transferência de renda de R$ 600 para R$ 691 por família.
Com a correção aplicada pelo governo federal, o benefício médio estimado pago pelo programa passa de R$ 675 para R$ 777 mensais por família a partir deste mês. Os depósitos ocorrem de maneira escalonada até o dia 30 de outubro, organizados conforme o último dígito do Número de Identificação Social (NIS) impresso no cartão do titular.
O aumento abrange cerca de 19,3 milhões de famílias atendidas em território nacional, o que representa aproximadamente 54,3 milhões de pessoas. Os beneficiários com NIS terminado em 1 são os primeiros a ter o dinheiro liberado na conta.
Novos valores dos adicionais do Bolsa Família em outubro
A quantia de R$ 691 representa o piso garantido pelo Benefício Complementar (BCO), mecanismo acionado quando a soma dos auxílios de um domicílio não atinge o valor mínimo estabelecido. O montante final depositado para cada família varia de acordo com a quantidade de moradores e a presença de crianças, adolescentes, gestantes ou nutrizes (mães que amamentam bebês de até seis meses) na residência. Todos os valores que compõem o cálculo da folha de pagamento do programa sofreram a mesma recomposição percentual a partir da competência de outubro de 2026.
- Piso mínimo garantido por família (Benefício Complementar – BCO): passa de R$ 600 para R$ 691 mensais.
- Benefício médio estimado por família no país: sobe de R$ 675 para R$ 777 mensais.
- Benefício de Renda de Cidadania (BRC), pago por cada integrante da família: sobe de R$ 142 para R$ 164 por pessoa.
- Benefício Primeira Infância (BPI), destinado a cada criança de zero a sete anos incompletos: passa de R$ 150 para R$ 173.
- Benefício Variável Familiar (BVF), pago a gestantes, nutrizes e crianças ou adolescentes de sete a 18 anos incompletos: sobe de R$ 50 para R$ 58 por integrante.
Calendário de outubro do Bolsa Família por final do NIS
A liberação das parcelas ocorre sempre nos últimos dez dias úteis de cada mês. A exceção no cronograma anual acontece em dezembro, quando o calendário costuma ser antecipado para que os inscritos tenham acesso aos recursos financeiros antes das festas de fim de ano.
Na folha de outubro de 2026, os repasses começam em 19 de outubro e terminam no dia 30 do mesmo mês:
- NIS final 1: segunda-feira, 19 de outubro de 2026.
- NIS final 2: terça-feira, 20 de outubro de 2026.
- NIS final 3: quarta-feira, 21 de outubro de 2026.
- NIS final 4: quinta-feira, 22 de outubro de 2026.
- NIS final 5: sexta-feira, 23 de outubro de 2026.
- NIS final 6: segunda-feira, 26 de outubro de 2026.
- NIS final 7: terça-feira, 27 de outubro de 2026.
- NIS final 8: quarta-feira, 28 de outubro de 2026.
- NIS final 9: quinta-feira, 29 de outubro de 2026.
- NIS final 0: sexta-feira, 30 de outubro de 2026.
Quem tem direito ao Bolsa Família e como sacar os valores?
Para ter direito ao recebimento do Bolsa Família, a família precisa estar inscrita com dados atualizados no Cadastro Único (CadÚnico), sistema do governo federal que identifica famílias de baixa renda. O critério de entrada exige que a renda mensal seja de, no máximo, R$ 218 por pessoa da residência.
Apesar de o governo ter reajustado os valores dos benefícios pagos a quem já está no programa, a linha de renda máxima mensal per capita para o ingresso de novas famílias permaneceu inalterada em R$ 218. Além do limite financeiro, a manutenção do benefício exige o cumprimento de compromissos nas áreas de saúde e educação, que incluem a frequência escolar obrigatória de crianças e adolescentes, a atualização da carteira de vacinação e o acompanhamento pré-natal para gestantes.
O responsável familiar pode consultar o aplicativo Bolsa Família antes da data prevista no calendário para verificar a liberação do benefício e confirmar o valor exato a ser depositado. Para descobrir o dia do repasse, basta conferir o último número do NIS impresso no cartão do programa.
Os recursos financeiros depositados podem ser movimentados digitalmente pelo aplicativo Caixa Tem ou utilizados em compras com a função débito do cartão. Quem preferir o saque em espécie pode retirar o dinheiro nas agências da Caixa Econômica Federal, em casas lotéricas, em correspondentes Caixa Aqui e nos terminais de autoatendimento autorizados.
Decreto nº 13.120 e o impacto fiscal de R$ 5,8 bilhões no Bolsa Família
Esta é a primeira correção inflacionária aplicada à tabela do programa desde que o Bolsa Família foi relançado pelo governo federal em março de 2023 com o piso de R$ 600. O reajuste de 15,04% foi oficializado pelo Decreto nº 13.120, assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicado em edição extra do Diário Oficial da União em 17 de setembro de 2026, com vigência financeira iniciada em 1 de outubro de 2026. O percentual corresponde exatamente à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medidor oficial da inflação para famílias de menor renda, no período entre março de 2023 e agosto de 2026.
O impacto financeiro estimado pela equipe econômica nas contas públicas é de R$ 5,8 bilhões no período de outubro a dezembro de 2026. Para o ano de 2027, o custo anual projetado para sustentar a correção é de R$ 22,7 bilhões.
Em 2026, a despesa adicional é custeada por meio do remanejamento de sobras orçamentárias geradas pela redução da fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Representante do Ministério do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti declarou que a medida cumpre as normas orçamentárias vigentes. “Do ponto de vista fiscal, é importante que lembre que isso está sendo feito absolutamente dentro das nossas regras”, afirmou Moretti.
Segundo parecer jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU) e dados técnicos da equipe econômica, a atualização dos repasses pôde ser executada em ano eleitoral por se limitar estritamente à recomposição inflacionária prevista em legislação, sem concessão de ganho real acima da inflação nem ampliação na quantidade de famílias atendidas.
Dados operacionais e orçamentários do reajuste do Bolsa Família
- Ato normativo: Decreto nº 13.120, publicado em 17 de setembro de 2026.
- Índice de correção: 15,04%, referente ao INPC acumulado de março de 2023 a agosto de 2026.
- Público alcançado: cerca de 19,3 milhões de famílias (aproximadamente 54,3 milhões de pessoas) no Brasil.
- Renda máxima de entrada no CadÚnico: até R$ 218 mensais por pessoa da família.
- Custo orçamentário do reajuste: R$ 5,8 bilhões de outubro a dezembro de 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027.
