Flávio Bolsonaro e Lula mobilizam cinco capitais estrangeiras no 2º turno

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Senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Divulgação Foto: Senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Divulgação

O segundo turno da eleição presidencial entre o senador Flávio Nantes Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para o próximo domingo (25), concentra interesses divergentes dos governos de Estados Unidos, China, União Europeia, Rússia e Israel. Uma análise geopolítica publicada neste domingo (18) pelo professor de Negócios e Geopolítica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), João Alfredo Nyegray, detalha o que as capitais Washington, Pequim, Bruxelas, Moscou e Tel Aviv projetam para a votação brasileira.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump foi o primeiro líder estrangeiro a se manifestar sobre a abertura do pleito brasileiro e classificou o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, na rede Truth Social, como “uma grande vitória”. Do outro lado do mundo, o Ministério das Relações Exteriores da China evitou declarar preferência e informou apenas, em nota protocolar, que “acompanha com atenção o processo eleitoral”.

Alinhamento de Flávio Bolsonaro com Washington e reação de Pequim sobre US$ 100 bilhões

O governo norte-americano busca um aliado direto no maior país da América Latina para conter a presença chinesa na região e ampliar pautas de segurança hemisférica. Durante a campanha, Flávio Bolsonaro — que tem o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) como candidato a vice-presidente — prometeu integrar o Brasil ao “Escudo das Américas”, coalizão liderada pelos Estados Unidos contra facções do crime organizado, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Aliados do senador também estruturaram a “Prosperity Partnership” (Parceria para a Prosperidade, em tradução livre), projeto voltado à exploração de minerais críticos para posicionar o país como fornecedor alinhado ao Ocidente.

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Após o primeiro turno realizado em 4 de outubro de 2026, o mercado financeiro reagiu ao desempenho do candidato do PL: o real registrou valorização de 4,7% frente ao dólar na semana seguinte à votação, e o índice Ibovespa acumulou alta aproximada de 14% em dólares. Uma reeleição de Lula, que tem o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) novamente na chapa, manteria o fluxo comercial bilateral com Washington, mas preservaria a política externa brasileira de equidistância entre norte-americanos e chineses, com foco na agenda multilateral do Sul Global.

Em Pequim, a cautela diplomática reflete o peso de uma relação comercial estrutural que independe do grupo político no poder em Brasília, já que a China é a maior parceira comercial do Brasil e compra aproximadamente US$ 100 bilhões por ano em produtos primários, com foco em soja, minério de ferro, petróleo e carne. Apesar da continuidade das compras, a disputa por terras raras e minerais críticos representa um ponto de tensão: caso um eventual governo Flávio Bolsonaro efetive a parceria de exclusividade com os Estados Unidos, Pequim pode adotar cotas e tarifas sobre exportações brasileiras, mecanismo já aplicado sobre a carne bovina no início de outubro, enquanto a permanência de Lula preserva o alinhamento político dentro do bloco BRICS e reduz o risco de retaliações comerciais.

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Acordo com Bruxelas, 11,1 milhões de toneladas da Rússia e eleições em Israel

Para a União Europeia, sediada em Bruxelas, na Bélgica, o ponto central é a ratificação do acordo comercial Mercosul-União Europeia pelos 27 parlamentos nacionais do bloco, processo que exige compromissos brasileiros de controle do desmatamento e preservação da Amazônia. Lula dialoga com essa exigência após o país sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, enquanto o programa de Flávio Bolsonaro prioriza a exploração de petróleo na Margem Equatorial e a expansão da fronteira agrícola. Independentemente do vencedor, o próximo governo precisará negociar o fim da suspensão europeia às importações de carne bovina brasileira, medida em vigor por exigências sanitárias ligadas ao uso de medicamentos antimicrobianos.

Na relação com Moscou, a base é o fornecimento de insumos para o agronegócio brasileiro, setor que responde por cerca de 28% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em 2025, o Brasil importou 11,1 milhões de toneladas de fertilizantes da Rússia — como ureia, fosfato diamônico e cloreto de potássio —, volume equivalente a 24,7% de todas as exportações russas de fertilizantes minerais no período e que faz do mercado brasileiro o maior comprador individual do insumo russo no mundo. Embora Moscou mantenha as vendas com qualquer resultado, o governo russo prefere a continuidade de Lula, pois a estrutura do BRICS facilita o comércio durante a guerra na Ucrânia sem o desgaste diplomático que um governo alinhado às sanções dos Estados Unidos enfrentaria.

Em Tel Aviv, o resultado brasileiro terá impacto imediato no calendário eleitoral local, pois Israel realiza eleições gerais em 27 de outubro de 2026, dois dias após a votação no Brasil, em um quadro de empate técnico entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, chefe de governo israelense, e o opositor Gadi Eisenkot. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 74% dos votos dos eleitores brasileiros em Tel Aviv — avanço de 28 pontos percentuais sobre o índice de Jair Bolsonaro em 2022 —, e uma vitória do senador fortaleceria a campanha de Netanyahu a 48 horas das urnas israelenses, ao passo que a reeleição de Lula manteria no cargo o presidente que acionou Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ) por causa do conflito na Faixa de Gaza.

Números do primeiro turno e pesquisas a sete dias da votação

A atenção das cinco capitais estrangeiras ocorre em uma reta final de disputa acirrada no território brasileiro, segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os levantamentos de intenção de voto divulgados na última semana antes da decisão. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação com 47,03% dos votos válidos (cerca de 56,1 milhões de votos), contra 45,16% registrados por Lula (cerca de 53,8 milhões de votos). Compilação de 13 pesquisas recentes realizada neste domingo (18) mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente em 11 levantamentos, Lula na liderança numérica em um e um empate exato, configurando empate técnico dentro da margem de erro na maioria dos institutos, conforme os índices de votos válidos das principais sondagens:

  • Veritá (divulgada neste sábado, 17): 51,1% para Flávio Bolsonaro contra 48,9% para Lula;
  • Ipespe (semana final de campanha): 51,2% para Flávio Bolsonaro contra 48,8% para Lula;
  • Datafolha (semana final de campanha): 51% para Flávio Bolsonaro contra 49% para Lula;
  • CNT/MDA (semana final de campanha): 50,5% para Flávio Bolsonaro contra 49,5% para Lula;
  • PoderData/Aya (realizada de terça-feira, 13, a quinta-feira, 15): empate em 50% a 50%;
  • Vox Brasil (semana final de campanha): 51% para Lula contra 49% para Flávio Bolsonaro.

O segundo turno da eleição presidencial brasileira ocorre no próximo domingo (25), e o eleito assume as negociações externas com os mesmos fluxos comerciais a partir da segunda-feira (26), véspera da votação geral em Israel.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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