A passagem anual da Terra pela faixa mais densa de detritos do cometa Halley leva a chuva de meteoros Orionídeas ao seu ápice de atividade na madrugada desta quarta-feira (21) para quinta-feira (22). De acordo com a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e a Sociedade Americana de Meteoros (AMS, organização científica dedicada ao monitoramento de bólidos), o fenômeno produz entre 10 e 20 meteoros visíveis por hora sob céu escuro no período de maior concentração. O evento integra a agenda astronômica de outubro de 2026, marcada pela entrada da Lua na fase quarto crescente neste domingo (18), às 13h13, e pela Lua cheia na segunda-feira, 26 de outubro de 2026.
O planeta atravessa a esteira de poeira e fragmentos espaciais deixada pelo cometa 1P/Halley todos os anos, em um intervalo que vai de 2 de outubro a 7 de novembro de 2026. Esses grãos de rocha e gelo desprenderam-se do núcleo cometário ao longo de suas passagens pelo Sistema Solar interno. Ao colidirem com os gases da atmosfera terrestre, as partículas viajam a cerca de 66 quilômetros por segundo (41 milhas por segundo) e entram em combustão, criando os riscos luminosos que podem deixar trilhas incandescentes por vários segundos.
O cometa 1P/Halley completa uma volta ao redor do Sol a cada 76 anos, teve sua última aproximação da Terra registrada em 1986 e só voltará a cruzar a vizinhança orbital do planeta em 2061. Durante a noite de máxima atividade das Orionídeas em 21 de outubro de 2026, a observação dos fragmentos terá a interferência direta da claridade lunar. Com o satélite natural em estágio crescente avançado e iluminação entre 70% e 77% do disco, o brilho refletido ofusca os meteoros mais fracos enquanto a Lua permanece acima do horizonte.
Horários e posição da constelação de Órion para observar os meteoros
A observação das Orionídeas a olho nu ocorre tanto no Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul e dispensa o uso de binóculos ou telescópios, equipamentos que restringem o campo de visão. Segundo as orientações técnicas da Nasa, o observador deve procurar áreas rurais ou locais afastados da iluminação pública urbana nas horas entre a meia-noite e o amanhecer, sobretudo após o pôr da Lua. Os olhos humanos levam cerca de 30 minutos no escuro para atingir a adaptação necessária à captação dos traços menos intensos.
Os meteoros parecem sair de um ponto específico do céu chamado radiante, localizado na constelação de Órion, logo ao norte da estrela avermelhada Betelgeuse. Embora a referência direcional seja a constelação que dá nome à chuva, os fragmentos riscam todas as regiões da abóbada celeste. Apesar da interferência luminosa do disco lunar acima de 70%, os meteoros mais velozes das Orionídeas costumam gerar bolas de fogo de forte brilho, perceptíveis mesmo em quadrantes parcialmente iluminados.
Alinhamentos da Lua com Marte e Júpiter abriram o calendário do mês
Antes da chegada da Terra ao núcleo da esteira do cometa Halley, o movimento orbital da Lua formou aproximações aparentes com dois planetas no começo de outubro de 2026. Entre os dias 4 e 6 de outubro de 2026, o satélite natural serviu de referência no horizonte leste durante as horas que antecederam o nascer do Sol. Na madrugada de 5 de outubro de 2026, o corpo lunar apareceu posicionado ao lado do planeta Marte na faixa matutina do firmamento.
No dia seguinte, 6 de outubro de 2026, a Lua avançou em sua trajetória na fase minguante, exibindo apenas 20% de sua face iluminada ao emparelhar-se visualmente com Júpiter. O maior planeta do Sistema Solar manteve brilho intenso no céu antes do amanhecer, facilitando a localização do par pelos observadores terrestres. Esse alinhamento, denominado conjunção na astronomia, resulta apenas do ângulo de visão a partir da Terra, já que Lua, Marte e Júpiter permanecem separados por centenas de milhões de quilômetros no espaço, sem qualquer alteração gravitacional em suas órbitas.
Horários das quatro fases da Lua em outubro de 2026 segundo o Inmet
O ciclo completo de lunação dura aproximadamente 29,5 dias, conforme os registros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão federal vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária. A transição entre as quatro fases principais de outubro de 2026 obedece à geometria exata entre o Sol, a Terra e o satélite natural nos seguintes horários oficiais:
- Quarto minguante: 3 de outubro de 2026, às 10h25 (10h26 nas tabelas arredondadas do Inmet).
- Lua nova: sábado, 10 de outubro de 2026, às 12h50.
- Quarto crescente: domingo, 18 de outubro de 2026, às 13h13.
- Lua cheia: segunda-feira, 26 de outubro de 2026, às 01h12.
O instante em que a face lunar voltada para a Terra atinge 100% de iluminação ocorre na madrugada de 26 de outubro de 2026, exatamente às 01h12. Quem observar a subida do astro no horizonte leste já no início da noite de domingo, 25 de outubro de 2026, verá o disco com aspecto visual inteiramente preenchido pela luz solar refletida.
Distância de 369 mil quilômetros impede superlua em outubro de 2026
Apesar do brilho total na última semana do mês, a Lua cheia de 26 de outubro de 2026 não cumpre os requisitos astronômicos para ser classificada como superlua. O termo técnico aplica-se somente quando o ápice da fase cheia coincide com o perigeu, o ponto da órbita elíptica em que o satélite natural fica mais próximo do centro da Terra. A verificação desse enquadramento baseia-se nas medições de distância orbital registradas ao longo do ano:
- Faixa de perigeu exigida para superlua: entre 356 mil e 363 mil quilômetros de distância da Terra.
- Posição na Lua cheia de 26 de outubro de 2026: aproximadamente 369 mil quilômetros da Terra.
Com o afastamento de cerca de 369 mil quilômetros no momento da fase cheia, o satélite estará 6 mil quilômetros além do limite máximo estipulado pelos critérios astronômicos. O perigeu de outubro de 2026 será alcançado apenas em 28 de outubro de 2026, dois dias depois do pico de iluminação lunar. De acordo com o calendário astronômico oficial, a próxima superlua ocorrerá em 24 de novembro de 2026.
