Famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e beneficiárias do Bolsa Família contam, em 2026, com regras atualizadas e uma rede bancária ampliada para solicitar financiamento pelo programa Acredita no Primeiro Passo. A linha de microcrédito produtivo orientado do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) libera até R$ 21 mil por operação para quem deseja iniciar ou estruturar um pequeno negócio, mesmo na informalidade. Desde março de 2026, as concessões operam sob o novo Plano de Ação de Supervisão da pasta, que monitora mensalmente os contratos firmados pelas instituições financeiras habilitadas.
Instituída originalmente pela Medida Provisória nº 1.213, de 22 de abril de 2024, e convertida na Lei nº 14.995, de 10 de outubro de 2024, a política pública passou por regulamentações complementares entre abril e junho de 2025, por meio das Portarias do MDS nº 1.079, nº 1.081 e nº 1.092. Essas normas definiram os critérios para os agentes estruturadores de negócios e consolidaram o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO), administrado pelo Banco do Brasil, como cobertura contra o risco de inadimplência nos empréstimos populares.
Valores liberados, taxas de juros e funcionamento do fundo garantidor
A arquitetura financeira do Acredita no Primeiro Passo foi desenhada para atender trabalhadores de baixa renda que tradicionalmente não conseguem aprovação no sistema bancário comum por falta de patrimônio. As operações individuais variam de R$ 600 a R$ 21 mil, de acordo com a análise de viabilidade da atividade produtiva e a capacidade de pagamento do solicitante. Para quem já possui estrutura como Microempreendedor Individual (MEI) ou expande as atividades dentro das diretrizes do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), o limite total exposto no sistema pode atingir até R$ 80 mil, valor correspondente a 30% do teto de faturamento anual da categoria.
O grande diferencial da modalidade em comparação às linhas de crédito pessoal do mercado reside na combinação de juros subsidiados, que chegam a patamares reduzidos de 0,8% ao mês em linhas operacionais específicas, com a dispensa de avalistas ou bens materiais. O FGO Acredita no Primeiro Passo assume a garantia junto aos bancos credenciados: cada R$ 1 bilhão aportado no fundo tem potencial de alavancar até R$ 12 bilhões em novos financiamentos. Além disso, as normas do fundo proíbem os bancos de exigir a compra de seguros prestamistas ou outros pacotes de serviços como condição para liberar o dinheiro.
- Valor por operação: de R$ 600 a R$ 21 mil para empreendedores informais ou formais inscritos no CadÚnico.
- Teto global no sistema: até R$ 80 mil acumulados, respeitando o limite de 30% do faturamento anual para formalizados como MEI.
- Prazos e carência: parcelamento que pode variar de 24 a 30 meses, com carência de até 6 meses para o vencimento da primeira prestação, conforme a instituição financeira.
- Garantia da operação: cobertura via Fundo Garantidor de Operações (FGO), sem exigência de imóvel, veículo ou fiador.
- Regra de proteção: vedação expressa à venda casada de seguros ou produtos bancários no ato da contratação.
Critérios de elegibilidade e manutenção do Bolsa Família
A porta de entrada obrigatória para pleitear os recursos é manter a inscrição ativa e com dados atualizados no CadÚnico, base do governo federal que identifica as famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, regulamentada pela Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dentro desse universo, o público inclui beneficiários do Bolsa Família, cuja regra de acesso considera a renda familiar mensal de até R$ 218 por pessoa, além de trabalhadores informais, pequenos produtores rurais atendidos pelo Fomento Rural e cidadãos na faixa etária de 16 a 65 anos.
A legislação determina atenção prioritária para mulheres chefes de família, jovens, pessoas negras, pessoas com deficiência e integrantes de comunidades tradicionais e ribeirinhas. Ao menos 50% dos recursos das linhas de microcrédito têm destinação reservada para mulheres empreendedoras.
A contratação do empréstimo para investir em máquinas, ferramentas ou capital de giro não cancela o pagamento mensal do Bolsa Família. Essa modalidade difere do antigo empréstimo consignado descontado diretamente do benefício social, que foi suspenso no início de 2023 para frear o endividamento das famílias. No modelo atual de inclusão produtiva, o auxílio governamental permanece preservado para assegurar a alimentação e as despesas imediatas da casa, enquanto o crédito funciona de forma separada para gerar renda própria a médio e longo prazo. A saída do programa social só ocorre se o crescimento do negócio elevar a renda familiar de maneira estável acima dos limites de permanência estabelecidos pelo governo.
Balanço das operações e metas de injeção econômica até o fim de 2026
Os dados consolidados pelo governo federal após o primeiro ano de funcionamento mostram a rápida adesão do público feminino e o baixo índice de calotes. O eixo voltado ao empreendedorismo no CadÚnico contabilizou cerca de 190 mil contratos assinados, movimentando mais de R$ 1,7 bilhão diretamente para pequenos negócios populares. Desse volume financeiro, 68% foram tomados por mulheres, superando a cota mínima de 50% prevista no desenho original do programa, enquanto a taxa de inadimplência registrada ficou em 0,36%.
Quando somadas as operações correlatas do AgroAmigo e do Programa de Crédito e Financiamento de Dívidas de Microempreendedores Individuais e Microempresas (Procred 360), o pacote Acredita alcançou a marca de quase R$ 13 bilhões em investimentos e 1,34 milhão de empreendedores atendidos no país. A projeção traçada pela equipe econômica para o fechamento do ciclo até o fim de 2026 estima uma injeção específica de R$ 7,5 bilhões apenas nas linhas direcionadas aos inscritos no CadÚnico, com forte concentração nas regiões Norte e Nordeste. Levantamento citado pela pasta aponta ainda que 2,5 milhões de cidadãos formalizaram registro como MEI após ingressarem na base do Cadastro Único.
Para o secretário de Inclusão Socioeconômica do MDS, Luiz Carlos Everton, a combinação de financiamento acessível e suporte técnico altera a trajetória das famílias atendidas. “O Programa Acredita nasce com a convicção de que as pessoas não precisam de assistencialismo permanente, elas precisam de oportunidade, quando estas chegam, as transformações acontecem. Nenhum ator sozinho tira o outro da pobreza, é preciso caminhar juntos”, afirmou o secretário.
Bancos credenciados e passo a passo para solicitar o crédito
Se na fase inicial de implantação o atendimento estava concentrado principalmente no Banco do Nordeste, em 2026 a rede de agentes financeiros habilitados pelo MDS e pelo FGO abrange instituições públicas federais, bancos estaduais e agências regionais de fomento em todas as regiões. Toda a tramitação de credenciamento dos ofertantes, registro dos planos de negócios e supervisão das carteiras passa pelo Sistema de Gestão Informatizado (SIG Acredita no Primeiro Passo).
- Bancos federais: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.
- Bancos estaduais: Banpará (Pará), Banestes (Espírito Santo), Banco do Estado de Sergipe (Banese) e Badespi (Piauí).
- Agências de fomento estaduais: Desenbahia (Bahia), além das agências oficiais de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas e Amapá.
- Pontos de apoio e triagem: unidades do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), salas do empreendedor e entidades parceiras de qualificação técnica.
Para dar entrada no pedido nesta segunda-feira (19) ou ao longo do calendário vigente de 2026, o interessado deve primeiramente verificar se o registro familiar no CadÚnico está atualizado há menos de dois anos. Caso haja pendências de endereço, composição familiar ou renda, a regularização gratuita é feita presencialmente no CRAS do município.
Com o cadastro em dia, o trabalhador procura uma das agências das instituições financeiras parceiras listadas acima ou os postos de atendimento conveniados em sua cidade. Diferentemente de um empréstimo comum de caixa eletrônico, o microcrédito produtivo orientado inclui a etapa de acompanhamento por um agente de crédito capacitado. Esse profissional avalia a proposta de trabalho, orienta sobre o fluxo de caixa, define o valor adequado da parcela para evitar o endividamento e acompanha a aplicação do dinheiro após a liberação na conta.
